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Teto MEI R$ 140 mil: o que muda para microempreendedores em 2026

O governo federal avalia aumentar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) de R$ 81 mil para R$ 140 mil, conforme declarou o ministério responsável. A mudança afetaria diretamente impostos, alíquotas e elegibilidade para crédito.

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Foto: Viva Capital · Empresas públicas no radar do TCU: rombo de R$ 1,5 bi mensal · 26 jun 2026

Governo avalia aumentar teto do MEI para R$ 140 mil

O governo federal estuda elevar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) de R$ 81 mil para R$ 140 mil. A proposta foi comunicada por ministério federal responsável pela área econômica, sinalizando que a mudança integra agenda de formalização e simplificação tributária para 2026.

Essa elevação representaria um aumento de aproximadamente 73% no teto atual, impactando diretamente cerca de 15 milhões de MEIs registrados no Brasil e potencialmente formalizando milhões de trabalhadores autônomos que hoje operam na informalidade.

Como funciona o teto atual do MEI

O Microempreendedor Individual é uma categoria criada para formalizar profissionais autônomos e pequenos comerciantes. Atualmente, o limite de faturamento anual é de R$ 81 mil, ou aproximadamente R$ 6.750 mensais. Quem ultrapassa esse valor perde a condição de MEI e deve migrar para outra categoria tributária, como Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) ou Sociedade Limitada (LTDA).

O regime do MEI oferece simplificação: o contribuinte paga uma guia única mensal (DAS) que reúne Imposto sobre a Renda (IRPF), contribuição ao INSS e, quando aplicável, ICMS ou ISS. Essa alíquota varia conforme a atividade, mas gira em torno de 5% a 20% do salário mínimo vigente.

Impacto fiscal e tributário da nova proposta

Se o teto subir para R$ 140 mil anuais, o cálculo de impostos e contribuições será revisado. A base de arrecadação ampliará, mas a alíquota do DAS provavelmente será recalculada para manter a competitividade e não desestimular a formalização.

Segundo dados de órgãos federais, aproximadamente 40% dos trabalhadores autônomos no Brasil ainda operam informalmente. Um teto maior tornaria a formalização atrativa para negócios que hoje faturam entre R$ 81 mil e R$ 140 mil anuais, aumentando a base tributária sem necessidade de aumentar alíquotas.

Para quem já é MEI, a mudança pode significar:

  • Possibilidade de faturar mais mantendo a simplicidade tributária
  • Acesso a crédito com juros menores (MEIs têm linhas específicas em bancos públicos)
  • Contribuição previdenciária maior, elevando futura aposentadoria
  • Elegibilidade para benefícios como auxílio-doença e salário-maternidade com cobertura integral

Efeito na formalização e na economia informal

A elevação do teto é vista como estratégia de inclusão fiscal. Milhões de trabalhadores que faturam entre R$ 81 mil e R$ 140 mil hoje escolhem não se formalizar porque o custo de migração para EIRELI ou LTDA é alto: exige contador, registro em cartório, impostos mais complexos.

Com um teto maior, esses profissionais teriam incentivo para se registrar como MEI, gerando:

  • Maior arrecadação de impostos e contribuições ao INSS
  • Dados econômicos mais precisos sobre pequenos negócios
  • Acesso a políticas de crédito e seguro (hoje restritas a formalizados)
  • Redução da concorrência desleal entre formalizados e informais

Estudos do IBGE mostram que microempreendedores formalizados têm taxa de sobrevivência 30% maior nos primeiros 5 anos comparado a informais, porque acessam crédito com juros menores e conseguem participar de licitações públicas.

Cronograma e condições para implementação

O governo ainda não divulgou data exata de implementação. Mudanças no teto do MEI exigem aprovação do Congresso Nacional, pois envolvem alteração da Lei Complementar 128/2008, que instituiu a categoria.

A tramitação costuma incluir:

  1. Elaboração de projeto de lei pelo Executivo
  2. Debate com entidades de classe (SEBRAE, sindicatos de autônomos, associações comerciais)
  3. Aprovação na Câmara dos Deputados
  4. Votação no Senado Federal
  5. Sanção presidencial
  6. Regulamentação por órgãos como Receita Federal e INSS

Esse processo leva entre 6 e 12 meses. Se aprovado em 2026, a implementação provavelmente ocorreria no segundo semestre do mesmo ano ou início de 2027.

Comparação com outros países e modelos

Alguns países usam tetos maiores para MEI ou equivalentes. Portugal, por exemplo, permite que microempreendedores faturam até €75 mil anuais (cerca de R$ 410 mil). A proposta brasileira de R$ 140 mil ainda é conservadora em relação a economias desenvolvidas, mas representa avanço significativo para o contexto local.

Riscos e ressalvas

Elevação do teto pode ter efeitos colaterais:

  • Sobrecarga administrativa: MEIs com faturamento próximo a R$ 140 mil terão fluxo de caixa mais complexo
  • Risco de perda de condição: ultrapassar o teto implica penalidades e retroatividade de impostos
  • Pressão em órgãos de fiscalização: Receita Federal terá mais contribuintes para monitorar
  • Possível aumento de contestações judiciais sobre cálculos e enquadramentos

Por isso, especialistas recomendam que a mudança seja acompanhada de simplificação no controle de fluxo de caixa e melhor comunicação sobre as novas regras.

O que você deve fazer agora

Se você é MEI ou trabalha por conta própria:

  • Mantenha sua documentação fiscal atualizada
  • Acompanhe notícias sobre a votação do projeto no Congresso
  • Consulte um contador antes de fazer planejamento de crescimento que ultrapasse R$ 81 mil
  • Verifique se sua atividade se enquadra nas limitações do MEI (algumas profissões têm restrições específicas)

Se você é empreendedor que fatura entre R$ 81 mil e R$ 140 mil informalmente, a aprovação dessa mudança pode ser ponto de virada para formalização, com acesso a crédito, previdência e segurança jurídica.

Perguntas Frequentes

Quando entra em vigor o aumento do teto do MEI para R$ 140 mil?

Ainda não há data confirmada. O projeto precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional. Estimativas indicam votação em 2026, com implementação no segundo semestre de 2026 ou início de 2027.

Se meu MEI fatura R$ 100 mil hoje, serei obrigado a mudar de categoria?

Não. O aumento do teto permitirá que você continue como MEI mesmo faturando até R$ 140 mil. Você não será forçado a migrar, mas terá a opção de crescer sem perder a simplicidade tributária.

O DAS (contribuição mensal do MEI) vai aumentar se o teto subir?

Provavelmente será recalculado, mas sem aumento proporcional. O governo tende a manter alíquotas competitivas para não desestimular a formalização. Detalhes serão publicados quando o projeto for regulamentado.

Quais atividades têm restrição no MEI mesmo com teto maior?

Algumas profissões (como advogado, contador, engenheiro) têm limite de faturamento ainda menor ou restrições específicas. Essas limitações não devem mudar com a elevação do teto geral.

Posso antecipar minha formalização como MEI agora, antes da mudança?

Sim. Se você atua informalmente e fatura entre R$ 81 mil e R$ 140 mil, pode se formalizar como MEI desde agora. Depois, quando o teto subir, você aproveitará o benefício sem necessidade de reclassificação.

Informais que faturam R$ 100 mil terão incentivo para virar MEI?

Sim. Com o teto em R$ 140 mil, esses profissionais terão menos barreira para formalização. Bancos oferecem linhas de crédito específicas para MEIs, e a contribuição previdenciária garante aposentadoria e benefícios.

“O governo federal avalia aumentar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) de R$ 81 mil para R$ 140 mil, conforme declarou o ministério responsável. A mudança afetaria diret…”
Eduardo Tannous · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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