A gestão pós-layoffs virou tema central para líderes de tecnologia depois que big techs como Alphabet, Microsoft e Amazon eliminaram dezenas de milhares de postos de trabalho. O conselheiro e pesquisador Rafael Camilo, ex-Google e Twitter, lançou o livro "Como sobreviver aos layoffs", da Actual, do Grupo Editorial Alta Books, para analisar o que mudou na relação entre empresas e funcionários.
Segundo a plataforma Layoffs.fyi, mais de 160 mil empregos foram cortados no setor em 2022 e o número superou 260 mil em 2023. No primeiro momento, as companhias atribuíram as demissões ao excesso de contratações da pandemia. Depois, a busca por eficiência ganhou um novo componente: a inteligência artificial e a promessa de fazer mais com estruturas menores.
Camilo viveu isso na pele. Em 2024, trabalhava no antigo Twitter, comprado por Elon Musk por US$ 44 bilhões em 2022 e rebatizado de X. Sob o novo controlador, cerca de 3,7 mil funcionários foram cortados, metade da força de trabalho à época. Ele estava entre eles.
A demissão interrompeu uma trajetória que passou pelo Google e pela agência Africa. Mas o que mais preocupa o autor é o efeito silencioso dos cortes. Para quem fica, surge o FOGLO, medo de ser demitido. Para quem sai, o desafio é voltar ao mercado depois de perder uma referência de identidade profissional.
"Uma demissão pode paralisar justamente no momento em que o mercado exige movimento", diz Camilo. A combinação de juros mais altos, competição e avanço da IA aumentou a cobrança por produtividade. "Empresas sempre precisaram fechar a conta. O que mudou foi a intensidade dessa pressão", afirma.
O resultado é uma mudança estrutural: companhias menos dispostas a oferecer perspectivas de longo prazo e profissionais que enxergam a estabilidade com desconfiança. Para CEOs, a lição é que o corte de pessoas produz efeitos que não aparecem no balanço imediato. Quando o crachá desaparece, fica a pergunta: quem sou eu profissionalmente sem aquela empresa?