Exclusivo · Economia

FMI defende política monetária flexível no Brasil em meio a incertezas

ResumoO Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu que a política monetária do Brasil permaneça flexível e dependente de dados, com cortes de juros mais lentos. A instituição alertou para riscos geopolíticos e fiscais que exigem cautela do Banco Central. A avaliação ocorre em meio a incertezas econômicas globais e pressões inflacionárias domésticas.

O FMI avaliou que a política monetária do Brasil deve permanecer dependente de dados e flexível, com cortes de juros mais lentos, enquanto alerta para riscos geopolíticos e fiscais.

3 min de leituraPRO
Produtos proibidos pela Anvisa: cannabis, 'ozempic natural'
Foto: Viva Capital · Produtos proibidos pela Anvisa: cannabis, 'ozempic natural' · 23 jul 2026

FMI defende política monetária flexível e dependente de dados no Brasil em meio a incertezas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a política monetária do Brasil deve permanecer dependente de dados e flexível em meio às incertezas globais elevadas. Em nota divulgada nesta quinta-feira, a diretoria do Fundo considerou "apropriado" que a normalização da política de juros ocorra em ritmo mais lento do que o esperado antes da guerra no Oriente Médio.

O que o FMI recomendou para a política monetária brasileira?

O FMI defende uma abordagem cautelosa. A avaliação foi feita na aprovação da consulta do Artigo IV, relatório periódico sobre a economia dos países, concluído no Brasil em 20 de julho. O Fundo citou a "notável resiliência" da economia brasileira diante dos choques recentes.

Por que o ritmo de cortes de juros deve ser mais lento?

Segundo o FMI, o ambiente global exige cautela. O Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual no mês passado, para 14,25%, e indicou que alternará pausas e retomadas nos cortes para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. O FMI espera que a convergência ocorra até meados de 2028.

Qual a previsão do FMI para o PIB do Brasil?

O Fundo projeta crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, com desaceleração em 2027 devido à política monetária restritiva. Os riscos para o crescimento são majoritariamente baixistas, diante da incerteza global.

Quais são os principais riscos para a economia?

O FMI destacou que "o principal risco é uma escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, que poderia elevar a inflação e, por meio de condições financeiras mais restritivas e da menor demanda global, reduzir a atividade econômica".

"As tensões comerciais globais podem prejudicar o investimento estrangeiro e o comércio. No âmbito doméstico, um esforço fiscal inferior ao previsto poderia aumentar a incerteza e intensificar as pressões inflacionárias, resultando em custos de financiamento mais elevados e, em última instância, em um crescimento mais fraco", afirmou o Fundo.

Qual a relação entre política fiscal e monetária?

O FMI defendeu a necessidade de um esforço fiscal mais ambicioso. Os diretores destacaram a importância de fortalecer o arcabouço fiscal, com limites de gastos abrangentes, uma âncora de dívida de médio prazo e a vinculação do crescimento dos gastos a receitas estruturais.

Como o fiscal pode afetar os juros e a inflação?

Um esforço fiscal inferior ao previsto, segundo o FMI, pode aumentar a incerteza e intensificar pressões inflacionárias, elevando custos de financiamento e enfraquecendo o crescimento. A combinação de política monetária flexível e ajuste fiscal é vista como chave para a estabilidade.

O que esperar da economia brasileira nos próximos meses?

Com o FMI destacando riscos baixistas e a necessidade de cautela, a expectativa é de que o Banco Central mantenha uma postura dependente de dados. A flexibilidade na política monetária será crucial para navegar as incertezas globais e domésticas, enquanto o governo precisa avançar no ajuste fiscal para conter pressões inflacionárias.

Perguntas Frequentes

O que é a consulta do Artigo IV do FMI?

É uma avaliação periódica da economia de cada país-membro do Fundo, que analisa indicadores macroeconômicos e faz recomendações de política.

Qual a taxa Selic atual no Brasil?

O Banco Central reduziu a Selic para 14,25% no mês passado, com cortes de 0,25 ponto percentual.

O FMI recomenda cortes de juros mais rápidos?

Não. O FMI considera apropriado que a normalização dos juros ocorra em ritmo mais lento, diante das incertezas globais.

Qual a previsão de inflação para o Brasil?

O BC busca levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028; o FMI espera convergência até meados de 2028.

Quais os principais riscos para o crescimento do PIB?

Os riscos incluem escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, tensões comerciais globais e esforço fiscal doméstico inferior ao previsto.

“O FMI avaliou que a política monetária do Brasil deve permanecer dependente de dados e flexível, com cortes de juros mais lentos, enquanto alerta para riscos geopolíticos e fiscais.”
Larissa Monteiro · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
Viva Capital Daily · Newsletter

O briefing que os CFOs do varejo brasileiro leem antes das 8h.

Análises diárias sobre meios de pagamento, crédito e bancos digitais. Direto na sua caixa, sem ruído. Já lida por mais de 47 mil profissionais do setor.

Você pode cancelar a qualquer momento. Sem spam.