FMI defende política monetária flexível e dependente de dados no Brasil em meio a incertezas
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a política monetária do Brasil deve permanecer dependente de dados e flexível em meio às incertezas globais elevadas. Em nota divulgada nesta quinta-feira, a diretoria do Fundo considerou "apropriado" que a normalização da política de juros ocorra em ritmo mais lento do que o esperado antes da guerra no Oriente Médio.
O que o FMI recomendou para a política monetária brasileira?
O FMI defende uma abordagem cautelosa. A avaliação foi feita na aprovação da consulta do Artigo IV, relatório periódico sobre a economia dos países, concluído no Brasil em 20 de julho. O Fundo citou a "notável resiliência" da economia brasileira diante dos choques recentes.
Por que o ritmo de cortes de juros deve ser mais lento?
Segundo o FMI, o ambiente global exige cautela. O Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual no mês passado, para 14,25%, e indicou que alternará pausas e retomadas nos cortes para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. O FMI espera que a convergência ocorra até meados de 2028.
Qual a previsão do FMI para o PIB do Brasil?
O Fundo projeta crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, com desaceleração em 2027 devido à política monetária restritiva. Os riscos para o crescimento são majoritariamente baixistas, diante da incerteza global.
Quais são os principais riscos para a economia?
O FMI destacou que "o principal risco é uma escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, que poderia elevar a inflação e, por meio de condições financeiras mais restritivas e da menor demanda global, reduzir a atividade econômica".
"As tensões comerciais globais podem prejudicar o investimento estrangeiro e o comércio. No âmbito doméstico, um esforço fiscal inferior ao previsto poderia aumentar a incerteza e intensificar as pressões inflacionárias, resultando em custos de financiamento mais elevados e, em última instância, em um crescimento mais fraco", afirmou o Fundo.
Qual a relação entre política fiscal e monetária?
O FMI defendeu a necessidade de um esforço fiscal mais ambicioso. Os diretores destacaram a importância de fortalecer o arcabouço fiscal, com limites de gastos abrangentes, uma âncora de dívida de médio prazo e a vinculação do crescimento dos gastos a receitas estruturais.
Como o fiscal pode afetar os juros e a inflação?
Um esforço fiscal inferior ao previsto, segundo o FMI, pode aumentar a incerteza e intensificar pressões inflacionárias, elevando custos de financiamento e enfraquecendo o crescimento. A combinação de política monetária flexível e ajuste fiscal é vista como chave para a estabilidade.
O que esperar da economia brasileira nos próximos meses?
Com o FMI destacando riscos baixistas e a necessidade de cautela, a expectativa é de que o Banco Central mantenha uma postura dependente de dados. A flexibilidade na política monetária será crucial para navegar as incertezas globais e domésticas, enquanto o governo precisa avançar no ajuste fiscal para conter pressões inflacionárias.
Perguntas Frequentes
O que é a consulta do Artigo IV do FMI?
É uma avaliação periódica da economia de cada país-membro do Fundo, que analisa indicadores macroeconômicos e faz recomendações de política.
Qual a taxa Selic atual no Brasil?
O Banco Central reduziu a Selic para 14,25% no mês passado, com cortes de 0,25 ponto percentual.
O FMI recomenda cortes de juros mais rápidos?
Não. O FMI considera apropriado que a normalização dos juros ocorra em ritmo mais lento, diante das incertezas globais.
Qual a previsão de inflação para o Brasil?
O BC busca levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028; o FMI espera convergência até meados de 2028.
Quais os principais riscos para o crescimento do PIB?
Os riscos incluem escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, tensões comerciais globais e esforço fiscal doméstico inferior ao previsto.
