H1: Fiscal é a principal pedra no sapato para o Brasil alcançar o grau de investimento, segundo a Moody's
A agência de classificação de risco Moody's considera que a força fiscal do Brasil é o principal impeditivo para uma melhora na nota soberana, atualmente em Ba1, um nível abaixo do grau de investimento. A avaliação foi feita por William Foster, analista de risco soberano da Moody's, durante o evento "Inside LatAm: Brasil 2026". Para ele, o país precisa de um ajuste fiscal de cerca de 2% a 2,5% do PIB, um dos maiores da América Latina.
Segundo a Moody's, a nota soberana de um país é analisada com base em três pilares: força econômica, força governamental e institucional, e força fiscal. Destes, o fiscal é o que mais pesa contra o Brasil no momento.
Por que o fiscal é o principal entrave para o grau de investimento?
William Foster destacou que o Brasil apresenta um crescimento do PIB consistente acima de 2%, superior ao de seus pares regionais. As instituições e a governança têm forças moderadas, mas houve uma piora recente nos últimos anos, devido ao relacionamento com a mídia e aos riscos ao funcionamento das instituições.
No entanto, é na área fiscal que os problemas se acumulam. Foster mencionou entre os vetores de risco a polarização entre os atores políticos e a falta de consenso no Congresso Nacional. Isso limita a flexibilidade dos gastos e resulta em um Orçamento engessado. "O Brasil tem um dos gastos menos flexíveis da América Latina, apenas a Argentina é mais rígida", afirmou.
O impacto dos juros altos na dívida pública
Foster considera que uma maior credibilidade fiscal pode ajudar o Brasil a ter taxas de juros menores. A Selic elevada é um dos principais fatores que pressionam a dívida pública, já que uma parte considerável dela está atrelada à taxa básica de juros. Os juros reais hoje estão em torno de 9%, um número elevado em relação aos demais países.
Caso não seja feita uma mudança nas despesas, a dívida pública brasileira pode alcançar 90% do PIB até 2030.
O ajuste fiscal necessário: 2% a 2,5% do PIB
Segundo Foster, o Brasil precisa de um ajuste fiscal de cerca de 2% a 2,5% do PIB, o terceiro maior da região, atrás apenas do México e de Trindade e Tobago. "Após as eleições, o próximo governo vai assumir com um quadro fiscal muito mais complicado, o que deve exigir algumas mudanças, especialmente nos gastos", avaliou.
No entanto, a configuração do Congresso Nacional será um "grande desafio" para quem vencer a eleição, visto que será difícil conseguir um consenso em torno de reformas consideradas difíceis. "Esse é um desafio que temos visto no mundo todo", acrescentou.
Reformas necessárias para elevar a classificação soberana
Foster afirmou que pontos como uma reforma estrutural no fiscal, a desindexação dos pisos de Saúde e Educação, além da revisão do pagamento de aposentadorias e benefícios fiscais são relevantes para uma possível elevação na classificação soberana do Brasil.
Riscos e horizontes de tempo para o investidor
Para o investidor de longo prazo, o cenário fiscal brasileiro exige atenção redobrada. Não estou aqui para dar dica de ação específica, mas para mostrar como o risco fiscal afeta o ambiente de investimentos. A dívida pública elevada e os juros reais altos comprimem o espaço para crescimento econômico sustentável.
Um exemplo numérico simples: se a dívida sobe de 80% para 90% do PIB em quatro anos, o custo de rolagem aumenta, pressionando ainda mais o Orçamento. Isso pode levar a um ciclo de juros altos e menor investimento privado.
O horizonte de tempo para uma melhora na classificação soberana depende diretamente da capacidade de implementar reformas fiscais. Sem isso, o risco de downgrade permanece.
Perguntas Frequentes
O que é o grau de investimento?
Grau de investimento é uma classificação de risco que indica que um país ou empresa tem baixo risco de calote. É um selo de qualidade que atrai investidores estrangeiros.
Qual é a nota atual do Brasil na Moody's?
A nota soberana do Brasil na Moody's é Ba1, um nível abaixo do grau de investimento.
O que o Brasil precisa fazer para melhorar a nota?
Segundo a Moody's, é necessário um ajuste fiscal de 2% a 2,5% do PIB, com reformas estruturais, desindexação de pisos e revisão de gastos.
Quanto a dívida pública pode crescer?
Caso não haja mudanças, a dívida pública pode alcançar 90% do PIB até 2030.
O que a polarização política tem a ver com a nota?
A polarização dificulta o consenso no Congresso para aprovar reformas fiscais, limitando a flexibilidade dos gastos.
Disclaimer: Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve avaliar seus próprios riscos e objetivos antes de tomar qualquer decisão. A diversificação e o estudo próprio são fundamentais.