Exclusivo · Economia

Estrangeiro não saiu do Brasil por eleição, diz Fator

ResumoFator Investimentos atribui a saída de R$ 22,2 bilhões em agosto a um rebalanceamento de carteiras globais, não a temor eleitoral. Isabel Lemos, da Fator, destaca que o fluxo anual de capital estrangeiro no Brasil permanece positivo. A movimentação mensal não indica fuga estrutural, mas ajuste tático de investidores internacionais.

Para Isabel Lemos, da Fator, a saída de R$ 22,2 bilhões em agosto reflete rebalanceamento de carteiras globais, não temor eleitoral. Fluxo anual segue positivo.

2 min de leituraPRO
Estrangeiro não saiu do Brasil por eleição, diz Fator
Foto: Viva Capital · Estrangeiro não saiu do Brasil por eleição, diz Fator · 09 set 2026

A forte saída de capital estrangeiro em agosto pode estar mais ligada a um rebalanceamento das carteiras globais do que a uma mudança na percepção sobre os ativos brasileiros, na visão de Isabel Lemos, gestora de renda variável da Fator.

Em agosto, o fluxo de saída atingiu o maior nível desde março de 2020, com retirada líquida total de R$ 22,2 bilhões. Desse total, R$ 18,1 bilhões saíram apenas do mercado à vista. Ainda assim, o fluxo acumulado no ano segue positivo em cerca de R$ 11 bilhões.

"Tem algumas pessoas que falam que o investidor gringo saiu por conta das eleições, citando até um relatório de uma casa estrangeira. Mas, na minha visão, acho difícil acreditar que o investidor de longo prazo, que vinha colocando dinheiro desde o ano passado, está demasiadamente preocupado com eleição", afirmou Lemos, em entrevista ao Money Times.

Em 11 de agosto, o JP Morgan rebaixou a recomendação das ações brasileiras de compra para neutra, citando eleições, deterioração do crédito e juros elevados por mais tempo. Para Lemos, "eleição, por si só, traz mais volatilidade para a bolsa brasileira, mas o estrangeiro de médio e longo prazo está comprando mais que isso".

A gestora pondera que não houve grandes mudanças estruturais no país desde o início do ano. Cenário fiscal, política monetária, diferencial de juros e composição das carteiras globais entram na conta dos investidores.

Ela vê a melhora da percepção fiscal como gatilho para recuperação da Bolsa. "Se tiver notícias nesse front do fiscal, seja do governo atual seja de propostas de outros candidatos, pode ser que o mercado comece a precificar uma melhora de cenário." Historicamente, seria possível pensar em retornos de 20% a 25% em relação aos níveis atuais, ressalvando que não são previsão formal da casa.

A Fator mantém preferência por utilities (energia elétrica, saneamento e gás) e bancos seletivos, com cautela em consumo. Em commodities, vê geração de caixa positiva com petróleo elevado, mas alerta para volatilidade com conflitos no Oriente Médio. fluxo de capital estrangeiro na B3

Em agosto, o fundo Div Ações caiu 1,92%, ante queda de 1,66% do IDIV. No ano, alta de 7,65%, contra 8,37% do índice.

“Para Isabel Lemos, da Fator, a saída de R$ 22,2 bilhões em agosto reflete rebalanceamento de carteiras globais, não temor eleitoral. Fluxo anual segue positivo.”
Patrícia Mendonça · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
Viva Capital Daily · Newsletter

O briefing que os CFOs do varejo brasileiro leem antes das 8h.

Análises diárias sobre meios de pagamento, crédito e bancos digitais. Direto na sua caixa, sem ruído. Já lida por mais de 47 mil profissionais do setor.

Você pode cancelar a qualquer momento. Sem spam.