Empresas afetadas por tarifaço terão acesso a socorro de R$ 18,5 bi
O governo federal anunciou, no dia da entrada em vigor do novo tarifaço dos Estados Unidos, um pacote de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas brasileiras. Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa é voltada a exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.
O Plano Brasil Soberano 3, anunciado em julho de 2026, oferece R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas exportadoras afetadas pelo tarifaço dos EUA e por conflitos internacionais. Os recursos vêm do Tesouro Nacional e do BNDES. As taxas variam de 3% ao ano (minerais críticos) a 9,80% ao ano (capital de giro para grandes empresas).
Quem pode acessar o crédito do Plano Brasil Soberano 3
O programa contempla empresas diretamente atingidas pela tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deve atingir cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os EUA, o equivalente a US$ 5,8 bilhões em exportações.
Além disso, o programa passa a incluir exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico, e amplia o acesso ao crédito para setores estratégicos.
Setores mais prejudicados, segundo o governo
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que os segmentos mais prejudicados pelas tarifas norte-americanas incluem:
- Aço
- Alumínio
- Carne
- Etanol
- Produtos químicos
O ministro acrescentou que o programa também pretende atender empresas afetadas por novas medidas protecionistas em estudo pelos Estados Unidos.
Como funciona o financiamento: taxas e condições
Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, os recursos serão divididos entre o Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As taxas de financiamento variam conforme a finalidade do crédito:
- 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos
- 9,80% ao ano para capital de giro destinado a grandes empresas
A legislação também permite que os recursos sejam utilizados para adequações exigidas pelo comércio internacional, como requisitos sanitários, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.
O que muda com a nova MP e o projeto de lei
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) e um projeto de lei de conversão. A nova MP permitirá a ampliação do Plano Brasil Soberano, ao autorizar o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com recursos próprios do BNDES para financiar as novas linhas de crédito.
Também nesta quarta, Lula sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória 1.345, de março deste ano, que instituiu as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. O Congresso ampliou o escopo do texto para contemplar, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.
Seguro garantia para pequenas empresas
Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o programa vai além da oferta de crédito.
"O Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas", declarou.
Segundo o governo, o plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e submetido à aprovação de um conselho interministerial, que definirá as prioridades de financiamento conforme os impactos enfrentados por cada setor.
Negociação com os EUA continua, mas sem retaliação imediata
Apesar do reforço financeiro, o governo informou que continua buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos. Segundo integrantes da equipe econômica e diplomática, o Brasil manteve diálogo com representantes da Casa Branca até os últimos dias antes da entrada em vigor das novas tarifas, mas as negociações não avançaram.
Na véspera do anúncio do pacote, Alckmin voltou a descartar medidas imediatas de retaliação comercial.
"A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", afirmou Alckmin na terça-feira.
Como o programa se insere no cenário atual
O Plano Brasil Soberano foi criado em 2025 para apoiar empresas exportadoras diante das primeiras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. Com a nova etapa, o governo amplia os instrumentos de financiamento para empresas exportadoras e setores considerados estratégicos, enquanto busca reduzir os impactos das barreiras comerciais e preservar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.
Perguntas Frequentes
O que é o Plano Brasil Soberano 3?
É um pacote de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas exportadoras afetadas pelo tarifaço dos EUA e conflitos internacionais.
Quem pode solicitar o crédito?
Empresas exportadoras diretamente atingidas pelas tarifas dos EUA, afetadas por conflitos internacionais (especialmente no Golfo Pérsico) e setores estratégicos para o comércio exterior.
Quais são as taxas de juros?
Variam de 3% ao ano (projetos de minerais críticos) a 9,80% ao ano (capital de giro para grandes empresas).
Como os recursos são divididos?
Entre o Tesouro Nacional e o BNDES, com plano de aplicação definido por conselho interministerial.
O governo vai retaliar os EUA?
Não imediatamente. O governo descartou retaliação e mantém a via diplomática aberta.
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