# Emendas parlamentares somam R$ 47,1 bi após salto de 315%, diz Ipea

> O estudo do Ipea registra R$ 47,1 bilhões em emendas parlamentares para 2025, com crescimento real de 315% em relação a 2014. Saúde e educação concentram parcela significativa dos recursos. O valor reflete expansão orçamentária e mudanças no processo de alocação federal. Dados apontam aumento expressivo na participação do Legislativo sobre o orçamento discricionário.

*Viva Capital · Economia · 31 de agosto de 2026 · Patrícia Mendonça*

Emendas parlamentares somam R$ 47,1 bilhões em 2025, alta real de 315% ante 2014, aponta Ipea. Saúde e educação concentram parte dos recursos.

As emendas parlamentares no Orçamento federal somaram R$ 47,1 bilhões em 2025, ante R$ 11,3 bilhões em 2014, alta real de 315%, segundo estudo do Ipea. O valor empenhado mais que quadruplicou em 11 anos.

As emendas permitem que deputados e senadores indiquem o destino de parte do Orçamento, como compra de ambulância, reforma de unidade de saúde ou pavimentação de ruas. Em políticas sociais, o montante passou de R$ 9,2 bilhões para R$ 35 bilhões, alta real de 282%. Saúde, educação e assistência concentraram cerca de três quartos de todo o dinheiro empenhado via emendas em 2025.

O levantamento é parte de série de estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a pedido do deputado federal Eduardo Bandeira de Mello (PV-RJ). Os pesquisadores apontam 2015 como ponto de inflexão: naquele ano, emenda à Constituição tornou obrigatório o pagamento das emendas individuais. Até então, o governo tinha maior poder para decidir quais emendas executar.

Os autores sustentam que a mudança enfraqueceu a lógica partidária e ampliou o peso das prioridades individuais de cada parlamentar. O fenômeno é descrito como "parlamentarismo orçamentário".

Na saúde, as despesas financiadas por emendas passaram de R$ 5,1 bilhões, em 2014, para R$ 24,8 bilhões em 2024. A participação das emendas nas despesas discricionárias do Ministério da Saúde subiu de 18,6% para 45,4%. Em 2024, 91,7% dos recursos foram para custeio, como manutenção de serviços e compra de insumos. O estudo alerta que essas despesas se repetem todo ano, mas as emendas não têm garantia de continuidade, o que dificulta o planejamento.

Na educação, as emendas ao orçamento do MEC cresceram 315,6% em termos reais entre 2014 e 2024, de R$ 375,9 milhões para R$ 1,58 bilhão. Os gastos correntes avançaram de 9% para 38% dos recursos da área no período.

A versão integral das diretrizes propõe extinguir as emendas Pix, que permitiam transferência direta sem convênio. Desde 2024, o ministro do STF Flávio Dino impõe exigências como plano de trabalho e prestação de contas. Em junho de 2026, ele aplicou multas a Estados e municípios que não apresentaram documentos. Os pesquisadores também recomendam análise de mérito nas comissões temáticas e identificador único para cada recurso.

Levantamento do Estadão identificou 575 indicações de R$ 596,3 milhões, aprovadas pelas comissões de Saúde, Desenvolvimento Urbano e Turismo da Câmara, com responsável registrado como "liderança partidária", sem identificação nominal do parlamentar.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/emendas-parlamentares-somam-r-471-bilhoes-apos-salto-315-11-anos-aponta-ipea/
