# Embarcações se recusam a passar pelo Estreito de Ormuz: rotas e riscos

> Navios mercantes recusam travessia do Estreito de Ormuz apesar de escolta militar americana. O risco de apreensão por forças iranianas eleva prêmios de seguro de guerra. Rotas alternativas aumentam custos logísticos e tempo de viagem, impactando o comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

*Viva Capital · Economia · 16 de julho de 2026 · Patrícia Mendonça*

Navios mercantes seguem recusando a travessia do Estreito de Ormuz, mesmo com escolta militar americana. O motivo principal é o risco de apreensão por forças iranianas e o consequente aumento nos prêmios de seguro de guerra. Entenda as rotas alternativas e os custos logísticos.

Navios mercantes de bandeira internacional têm recusado a travessia do Estreito de Ormuz mesmo sob escolta de embarcações da Marinha dos Estados Unidos. O motivo principal é o risco de apreensão por forças iranianas, que eleva o prêmio do seguro de guerra a patamares considerados inviáveis pelas operadoras. Entenda as rotas alternativas e os custos logísticos envolvidos.

O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar Arábico. Cerca de 20% do petróleo mundial transita por esse ponto, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). A instabilidade na região, com ataques a navios e apreensões por parte do Irã, tem levado armadores a buscar caminhos mais longos, mas com menor exposição a riscos políticos e militares.

## Por que as embarcações se recusam a passar pelo Estreito de Ormuz?

O principal fator é o custo do seguro de guerra. Quando um navio entra em área classificada como de alto risco, as seguradoras aplicam um prêmio adicional que pode chegar a 1% do valor da embarcação por viagem. Para um petroleiro avaliado em US$ 50 milhões, isso representa US$ 500 mil extras por travessia. Esse valor inviabiliza a operação, principalmente em um cenário de margens apertadas no transporte marítimo.

Além disso, o histórico recente de apreensões de navios pelo Irã, como a do petroleiro "St. Nikolas" em janeiro de 2024, aumentou a percepção de risco. Mesmo com a presença de escolta militar, o tempo de resposta para uma interceptação é curto, e a captura pode ocorrer antes que a proteção chegue.

## Rotas alternativas ao Estreito de Ormuz

A principal rota alternativa é o contorno do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África. Essa opção adiciona cerca de 6.000 quilômetros (3.200 milhas náuticas) a uma viagem do Golfo Pérsico para a Europa ou para a costa leste dos EUA. O tempo de trânsito aumenta em aproximadamente 10 a 14 dias, elevando os custos com combustível, tripulação e manutenção.

Outra alternativa, embora menos comum, é o uso do oleoduto Yanbu, na Arábia Saudita, que conecta campos de petróleo do leste ao Mar Vermelho. No entanto, a capacidade do duto é limitada e não atende à demanda total de exportação da região.

## Impacto no comércio global e nos preços

A recusa dos navios em atravessar o Estreito de Ormuz tem impacto direto no preço do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL). Com a oferta reduzida por rotas mais longas, o custo do barril tende a subir. Em maio de 2024, o Brent ultrapassou US$ 90 por barril, influenciado também por tensões geopolíticas.

Para o Brasil, que importa petróleo e derivados do Oriente Médio, o impacto pode ser sentido no preço dos combustíveis nas refinarias. A Petrobras, no entanto, diversificou suas fontes de importação nos últimos anos, reduzindo a dependência do Golfo Pérsico.

## O papel da escolta dos EUA

A Marinha dos EUA, por meio da Operação Sentinel, iniciada em 2019, oferece escolta a navios comerciais na região. No entanto, a proteção não elimina o risco de ataques com mísseis ou drones, nem cobre todos os horários e rotas. As seguradoras consideram a escolta um fator atenuante, mas não suficiente para reduzir o prêmio de guerra a níveis aceitáveis.

Empresas de logística e armadores têm recomendado aos seus clientes que considerem rotas alternativas e contratem seguros específicos para a região. A decisão final, porém, cabe ao comandante do navio, que pode recusar a travessia com base em cláusulas de segurança da tripulação.

## Custos logísticos e seguro de guerra

O seguro de guerra cobre danos causados por conflitos armados, terrorismo, apreensão e sequestro. Para o Estreito de Ormuz, as seguradoras emitem avisos de cancelamento de cobertura (LCAN) que exigem notificação prévia e pagamento de prêmio extra. Em 2023, o custo adicional para uma travessia única variou entre US$ 100 mil e US$ 500 mil, dependendo do tipo de carga e do valor da embarcação.

Armadores têm optado por rotas mais longas para evitar esse custo, mesmo que isso signifique maior consumo de combustível e atrasos nas entregas. A decisão é calculada com base no valor da carga, no prazo contratual e na tolerância ao risco.

## Perguntas Frequentes

### É seguro navegar pelo Estreito de Ormuz com escolta dos EUA?

Não completamente. A escolta reduz o risco de ataque, mas não elimina a possibilidade de apreensão ou ataque com mísseis. Seguradoras continuam cobrando prêmios de guerra elevados.

### Quanto tempo a mais leva a rota pelo Cabo da Boa Esperança?

Cerca de 10 a 14 dias adicionais, dependendo das condições climáticas e da velocidade do navio. A distância aumenta em aproximadamente 6.000 km.

### O Brasil é afetado pela crise no Estreito de Ormuz?

Sim, indiretamente. O aumento do preço do petróleo no mercado internacional pode elevar os custos de importação de derivados, impactando o preço dos combustíveis no país.

### Existe alternativa ao Estreito de Ormuz para navios de carga?

Sim, a rota pelo Cabo da Boa Esperança é a principal. Oleodutos como o Yanbu oferecem alternativa para petróleo, mas com capacidade limitada.

### Quem decide se o navio atravessa ou não o Estreito?

O comandante do navio tem a palavra final, com base em cláusulas de segurança e nas recomendações da empresa armadora e das seguradoras.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/embarcacoes-se-recusam-passar-pelo-estreito-ormuz-mesmo-sob-escolta-eua-entenda-/
