Eleitores da Islândia votam neste sábado (29) em referendo para decidir sobre a retomada das negociações de adesão do país à União Europeia (UE), paralisadas há anos. O pleito ocorre no contexto de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o controle da vizinha Groenlândia. A votação é direcionada a cerca de 265 mil eleitores aptos, que respondem à pergunta sobre se a Islândia deve retomar as negociações de adesão com o bloco europeu.
Em caso de rejeição da proposta, o processo será encerrado por pelo menos uma geração. Já a aprovação dará início a negociações com a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, abrangendo 35 áreas, da economia aos direitos humanos. Especialistas preveem um resultado com margem reduzida de diferença. De acordo com a emissora pública da Islândia, RÚV, mais de 20% dos eleitores registraram o voto de forma antecipada antes do dia da eleição.
Defensores do pleito indicam que a integração ao bloco pode oferecer garantias de segurança na hipótese de ameaças semelhantes contra a Islândia. Opositores argumentam que a adesão pode comprometer os estoques pesqueiros do país. O resultado, portanto, tende a ser decidido no detalhe, com um eleitorado que já demonstrou engajamento antecipado.
A decisão islandesa não é apenas um exercício democrático interno. Ela sinaliza como pequenas nações europeias avaliam sua posição geopolítica diante de um cenário internacional marcado por tensões e disputas territoriais. A menção à Groenlândia por Trump adiciona uma camada de urgência ao debate, ainda que a pauta formal seja exclusivamente sobre a relação com Bruxelas.
Para quem acompanha política europeia, o referendo islandês é um termômetro. Se aprovado, o país inicia um longo processo de negociação em 35 frentes, o que pode levar anos. Se rejeitado, a questão fica arquivada por uma geração. Independentemente do resultado, a votação reforça a relevância do tema segurança na agenda dos países nórdicos.