El Niño traz vencedores, perdedores e ‘risco de 5 milhões de toneladas’, avalia Cesar Castro Alves, do Itaú BBA
O fenômeno climático El Niño, já consolidado para o ciclo 2024/25, deve redefinir o mapa da produtividade agrícola brasileira. Em análise recente, Cesar Castro Alves, estrategista do Itaú BBA, aponta que o evento pode resultar em uma perda líquida de até 5 milhões de toneladas na safra de grãos, com impactos assimétricos entre culturas e regiões.
Segundo Cesar Castro Alves, do Itaú BBA, o El Niño traz vencedores, perdedores e ‘risco de 5 milhões de toneladas’ na safra brasileira. Enquanto a soja no Sul tende a ser beneficiada por chuvas mais regulares, o milho no Centro-Oeste pode sofrer com excesso hídrico, reduzindo a produtividade. A análise considera dados históricos de safras passadas e projeções climáticas de curto prazo.
O que o El Niño pode causar na safra de grãos
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, o que altera o regime de chuvas na América do Sul. Para o Brasil, os efeitos variam conforme a região e a cultura.
Região Sul: cenário positivo para a soja
No Sul do país, o El Niño costuma trazer chuvas acima da média, o que pode beneficiar a soja, especialmente em períodos críticos de enchimento de grãos. Em safras anteriores com El Niño forte, como 2015/16, a produtividade da soja no Paraná e no Rio Grande do Sul ficou acima da média histórica.
Centro-Oeste: risco de excesso hídrico
Já no Centro-Oeste, o cenário é oposto. O excesso de chuvas pode atrapalhar o plantio do milho safrinha e aumentar a incidência de doenças fúngicas. O Itaú BBA estima que o milho pode ser a cultura mais impactada, com perdas localizadas que podem chegar a 10% da produção total da região.
Vencedores e perdedores: quem ganha e quem perde com o El Niño
A análise de Cesar Castro Alves classifica os principais players do agronegócio em dois grupos:
Vencedores:
- Produtores de soja no Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)
- Regiões com boa infraestrutura de drenagem no Centro-Oeste
- Culturas de ciclo curto, como o feijão, que podem se beneficiar de janelas de plantio mais úmidas
Perdedores:
- Produtores de milho safrinha no Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás)
- Áreas com solos mal drenados no Norte e Nordeste
- Culturas sensíveis ao excesso hídrico, como o algodão
O risco de 5 milhões de toneladas
O número mencionado por Castro Alves não é uma projeção exata, mas um indicador de impacto líquido. Considerando ganhos no Sul e perdas no Centro-Oeste, o saldo pode ser negativo em até 5 milhões de toneladas. Isso representa cerca de 1,5% da safra total de grãos do Brasil, estimada em 320 milhões de toneladas para 2024/25.
Para efeito de comparação, na safra 2015/16, o El Niño forte gerou perdas de 8 milhões de toneladas no milho, mas ganhos de 4 milhões na soja, resultando em saldo negativo de 4 milhões de toneladas. O cenário atual, com plantio mais tecnificado, pode mitigar parte do impacto.
Como o produtor pode se preparar
Diante do cenário, o produtor precisa ajustar o planejamento. Medidas como escalonamento de plantio, uso de cultivares mais resistentes ao excesso hídrico e contratação de seguro rural são recomendadas. O Itaú BBA sugere que os produtores do Centro-Oeste priorizem a drenagem do solo e reduzam a área de milho safrinha em regiões de maior risco.
O que esperar dos preços das commodities
Com a possível redução da oferta de milho, os preços podem subir no mercado interno, beneficiando quem conseguiu estocar. Já a soja, com oferta mais estável, tende a manter preços pressionados pela demanda global. O impacto no câmbio também deve ser monitorado, já que o real valorizado reduz a receita em reais do exportador.
Dados históricos e projeções
A análise do Itaú BBA se baseia em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), que indicam 85% de chance de El Niño moderado a forte até o fim de 2024. O histórico de safras desde 2000 mostra que, em anos de El Niño, a produtividade da soja no Sul supera a média em 5% a 10%, enquanto o milho no Centro-Oeste fica 3% a 7% abaixo.
Perguntas Frequentes
O El Niño sempre causa perdas na safra brasileira?
Não. O impacto depende da intensidade e da região. Em anos de El Niño moderado, o Sul pode ter ganhos que compensam perdas em outras áreas.
Qual cultura é mais afetada pelo El Niño?
O milho safrinha no Centro-Oeste é a mais vulnerável, devido ao excesso de chuvas no período de colheita.
O que o produtor pode fazer para reduzir os riscos?
Medidas como escalonamento de plantio, uso de cultivares resistentes e seguro rural são as principais recomendações.
O El Niño afeta o preço dos alimentos no Brasil?
Sim. A redução na oferta de milho pode elevar o preço da carne e do leite, já que o milho é base da ração animal.
Quando o El Niño deve terminar?
As projeções indicam que o fenômeno deve se estender até o início de 2025, com enfraquecimento gradual a partir de março.
impactos do El Niño na agricultura brasileira como contratar seguro rural para safra 2024/25 projeções climáticas para o agronegócio em 2025
