# El Niño: vencedores, perdedores e risco de 5 milhões de toneladas, avalia Itaú BBA

> O Itaú BBA avalia que o fenômeno El Niño pode causar perda de 5 milhões de toneladas na safra brasileira de grãos. A análise de Cesar Castro Alves identifica culturas e regiões vencedoras e perdedoras, com impactos diferenciados conforme a intensidade climática. O risco de redução na produção agrícola preocupa o setor.

*Viva Capital · Economia · 02 de julho de 2026 · Patrícia Mendonça*

O El Niño deve impactar a safra brasileira de grãos com risco de perda de 5 milhões de toneladas, segundo Cesar Castro Alves, do Itaú BBA. A análise aponta vencedores e perdedores entre culturas e regiões, com base em dados climáticos e históricos de produtividade.

## El Niño traz vencedores, perdedores e ‘risco de 5 milhões de toneladas’, avalia Cesar Castro Alves, do Itaú BBA

O fenômeno climático El Niño, já consolidado para o ciclo 2024/25, deve redefinir o mapa da produtividade agrícola brasileira. Em análise recente, Cesar Castro Alves, estrategista do Itaú BBA, aponta que o evento pode resultar em uma perda líquida de até 5 milhões de toneladas na safra de grãos, com impactos assimétricos entre culturas e regiões.

Segundo Cesar Castro Alves, do Itaú BBA, o El Niño traz vencedores, perdedores e ‘risco de 5 milhões de toneladas’ na safra brasileira. Enquanto a soja no Sul tende a ser beneficiada por chuvas mais regulares, o milho no Centro-Oeste pode sofrer com excesso hídrico, reduzindo a produtividade. A análise considera dados históricos de safras passadas e projeções climáticas de curto prazo.

## O que o El Niño pode causar na safra de grãos

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, o que altera o regime de chuvas na América do Sul. Para o Brasil, os efeitos variam conforme a região e a cultura.

### Região Sul: cenário positivo para a soja

No Sul do país, o El Niño costuma trazer chuvas acima da média, o que pode beneficiar a soja, especialmente em períodos críticos de enchimento de grãos. Em safras anteriores com El Niño forte, como 2015/16, a produtividade da soja no Paraná e no Rio Grande do Sul ficou acima da média histórica.

### Centro-Oeste: risco de excesso hídrico

Já no Centro-Oeste, o cenário é oposto. O excesso de chuvas pode atrapalhar o plantio do milho safrinha e aumentar a incidência de doenças fúngicas. O Itaú BBA estima que o milho pode ser a cultura mais impactada, com perdas localizadas que podem chegar a 10% da produção total da região.

## Vencedores e perdedores: quem ganha e quem perde com o El Niño

A análise de Cesar Castro Alves classifica os principais players do agronegócio em dois grupos:

**Vencedores:**

- Produtores de soja no Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)
- Regiões com boa infraestrutura de drenagem no Centro-Oeste
- Culturas de ciclo curto, como o feijão, que podem se beneficiar de janelas de plantio mais úmidas

**Perdedores:**

- Produtores de milho safrinha no Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás)
- Áreas com solos mal drenados no Norte e Nordeste
- Culturas sensíveis ao excesso hídrico, como o algodão

## O risco de 5 milhões de toneladas

O número mencionado por Castro Alves não é uma projeção exata, mas um indicador de impacto líquido. Considerando ganhos no Sul e perdas no Centro-Oeste, o saldo pode ser negativo em até 5 milhões de toneladas. Isso representa cerca de 1,5% da safra total de grãos do Brasil, estimada em 320 milhões de toneladas para 2024/25.

Para efeito de comparação, na safra 2015/16, o El Niño forte gerou perdas de 8 milhões de toneladas no milho, mas ganhos de 4 milhões na soja, resultando em saldo negativo de 4 milhões de toneladas. O cenário atual, com plantio mais tecnificado, pode mitigar parte do impacto.

## Como o produtor pode se preparar

Diante do cenário, o produtor precisa ajustar o planejamento. Medidas como escalonamento de plantio, uso de cultivares mais resistentes ao excesso hídrico e contratação de seguro rural são recomendadas. O Itaú BBA sugere que os produtores do Centro-Oeste priorizem a drenagem do solo e reduzam a área de milho safrinha em regiões de maior risco.

## O que esperar dos preços das commodities

Com a possível redução da oferta de milho, os preços podem subir no mercado interno, beneficiando quem conseguiu estocar. Já a soja, com oferta mais estável, tende a manter preços pressionados pela demanda global. O impacto no câmbio também deve ser monitorado, já que o real valorizado reduz a receita em reais do exportador.

## Dados históricos e projeções

A análise do Itaú BBA se baseia em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), que indicam 85% de chance de El Niño moderado a forte até o fim de 2024. O histórico de safras desde 2000 mostra que, em anos de El Niño, a produtividade da soja no Sul supera a média em 5% a 10%, enquanto o milho no Centro-Oeste fica 3% a 7% abaixo.

## Perguntas Frequentes

### O El Niño sempre causa perdas na safra brasileira?

Não. O impacto depende da intensidade e da região. Em anos de El Niño moderado, o Sul pode ter ganhos que compensam perdas em outras áreas.

### Qual cultura é mais afetada pelo El Niño?

O milho safrinha no Centro-Oeste é a mais vulnerável, devido ao excesso de chuvas no período de colheita.

### O que o produtor pode fazer para reduzir os riscos?

Medidas como escalonamento de plantio, uso de cultivares resistentes e seguro rural são as principais recomendações.

### O El Niño afeta o preço dos alimentos no Brasil?

Sim. A redução na oferta de milho pode elevar o preço da carne e do leite, já que o milho é base da ração animal.

### Quando o El Niño deve terminar?

As projeções indicam que o fenômeno deve se estender até o início de 2025, com enfraquecimento gradual a partir de março.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/el-nino-traz-vencedores-perdedores-risco-5-milhoes-toneladas-avalia-cesar-castro/
