# El Niño impede furacões no Atlântico em 2026; entenda

> El Niño de 2026 suprimiu furacões no Atlântico ao intensificar o cisalhamento do vento, que desorganiza sistemas tropicais em formação. A temporada de 2026 registrou o primeiro 11 de setembro sem nenhum furacão no Atlântico desde 1966, configurando o ano mais fraco desde 1950.

*Viva Capital · Economia · 14 de setembro de 2026 · Adriana Buarque*

Atlântico passa de 11 de setembro sem nenhum furacão pela primeira vez desde 1966. Especialistas apontam o El Niño e o forte cisalhamento do vento como responsáveis pela temporada mais fraca desde 1950.

Apesar das águas quentes, condição essencial para alimentar ciclones e tempestades tropicais, o Oceano Atlântico ainda não registrou nenhum furacão neste ano. O responsável apontado por especialistas é o El Niño, que criou condições atmosféricas hostis ao desenvolvimento das tempestades e transformou 2026 em uma temporada histórica.

O El Niño provoca forte cisalhamento do vento, quando os ventos sopram com velocidades e direções muito distintas em diferentes camadas da atmosfera. Essa instabilidade dificulta que as tempestades se organizem e ganhem força, podendo até desmontar sistemas tropicais em formação. Por isso, o Atlântico passou de 11 de setembro sem nenhum furacão, novo recorde desde o início do monitoramento por satélite, em 1966.

## O que mudou na temporada de 2026

Até então, o recorde de demora para o surgimento do primeiro furacão da temporada era 11 de setembro, marca registrada pelos furacões Gustav, em 2002, e Humberto, em 2013. Neste ano, o Atlântico passou essa data sem formar nenhum furacão. Com apenas cinco tempestades tropicais de curta duração até agora, 2026 também se tornou a temporada mais fraca desde 1950.

A temporada de furacões do Atlântico costuma se estender de 1º de junho a 30 de novembro. O fenômeno que mais se aproximou de virar furacão foi a tempestade tropical Edouard, em 1º de setembro. Edouard alcançou a costa na fronteira entre Texas e Louisiana com ventos de 22 km/h, bem abaixo da intensidade necessária para ser classificado como furacão.

Normalmente, mais da metade da atividade da temporada ocorre depois de 10 de setembro. Apesar disso, o El Niño deve continuar limitando a formação de sistemas no Atlântico. Em 2025, o primeiro furacão da temporada se formou apenas em meados de agosto, seguido por outros três na segunda quinzena de setembro. No ano, nenhum furacão atingiu diretamente os Estados Unidos. Se o mesmo acontecer em 2026, será a primeira vez desde 2009 e 2010 que os EUA passam dois anos consecutivos sem registrar a chegada de um furacão.

## Temporada fraca não é temporada pacífica

Isso não significa que uma temporada pouco ativa seja necessariamente pacífica. Meteorologistas consultados pela CNN explicaram que mesmo anos com poucas tempestades podem produzir eventos extremamente destrutivos, como o furacão Andrew. De categoria 5, Andrew devastou o sul da Flórida em 1992, uma temporada que registrou apenas sete tempestades nomeadas.

Setembro costuma marcar o pico da temporada no Atlântico. Nessa época, as águas do oceano atingem suas temperaturas mais elevadas e as condições atmosféricas normalmente favorecem a formação de ciclones. Em média, entre dois e três furacões surgem ao longo do mês. Em 2026, porém, a realidade tem sido diferente.

Meteorologistas acreditam que os ventos associados ao El Niño continuarão limitando a formação de furacões nos próximos meses. Contudo, a calmaria atual não é sinônimo de paz. As tempestades mais tardias da temporada costumam se formar mais perto dos Estados Unidos, especialmente no Golfo do México e ao longo da costa sudeste do país, áreas menos influenciadas pelo cisalhamento provocado pelo El Niño. Além disso, um sistema não precisa alcançar a intensidade de um furacão para causar estragos significativos.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/el-nino-impede-formacao-furacoes-atlantico-por-isso-importa/
