Economia da zona do euro cresce mais que o esperado no 2º tri: IA e confiança dos consumidores puxam alta
A economia da zona do euro cresceu 0,4% no segundo trimestre, superando a expectativa de 0,2% da pesquisa Reuters. O Eurostat divulgou os dados nesta quinta-feira (30). O aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA), os gastos governamentais generosos e a confiança dos consumidores compensaram os altos custos de energia e a guerra no Irã.
O que dizem os números do PIB da zona do euro
Em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o crescimento no bloco de 360 milhões de pessoas acelerou para 1,0%, contra expectativa de 0,5%. Alguns números anteriores de crescimento também foram revisados para cima, segundo o Eurostat.
Inicialmente, esperava-se que o segundo trimestre marcasse o início de uma recuperação após um ano difícil e turbulento para a Europa. No entanto, os custos crescentes da energia minaram grande parte do ímpeto. A maioria dos analistas agora prevê um crescimento anual inferior a 1% neste ano, abaixo do potencial já bastante reduzido do bloco.
Por que a Europa cresceu apesar dos custos de energia
O aumento dos investimentos das empresas em IA na Europa, o consumo firme das famílias diante das expectativas pessimistas e o aumento lento mas seguro dos gastos do governo da Alemanha em defesa e infraestrutura ajudaram a impulsionar o PIB.
A indústria, em baixa há anos, também se manteve surpreendentemente bem diante dos altos custos de energia e pode ter contribuído para o crescimento, ao contrário dos anos anteriores, quando exerceu peso negativo.
Comparação com os EUA: crescimento forte contrasta
Embora o crescimento tenha sido melhor do que o previsto no trimestre, ele continua fraco e contrasta fortemente com o boom contínuo nos Estados Unidos. A economia americana provavelmente crescerá mais de 2% este ano, impulsionada em parte pelos gastos excessivos e potencialmente insustentáveis do setor privado com IA.
Ainda assim, há pontos positivos para a zona do euro. O bloco demonstra o tipo de resiliência observada em recessões anteriores, incluindo a pandemia da Covid-19 e após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Desemprego e confiança: sinais de resiliência
Reforçando essa narrativa de resiliência, o desemprego manteve-se estável em 6,3% em junho, contrariando as expectativas de enfraquecimento do mercado de trabalho. Um importante indicador de confiança econômica, também divulgado nesta quinta-feira, subiu mais do que o esperado, impulsionado por uma melhora no ânimo dos setores industrial e de serviços.
Desempenho dos países: Alemanha, França, Itália e Espanha
A Alemanha, terceira maior economia do mundo, a França e a Itália cresceram 0,2% no trimestre. A Espanha, que há anos apresenta o melhor desempenho do bloco, expandiu 0,7%, acima da expectativa de 0,6%. Já a Holanda cresceu 0,4%, o dobro da taxa esperada.
Riscos à frente: guerra no Oriente Médio e energia
"No entanto, a recente escalada da guerra no Oriente Médio significa que provavelmente levará mais tempo até que um acordo final seja alcançado entre os EUA e o Irã", disse Jörg Krämer, economista do Commerzbank. "Isso provavelmente prejudicará a recuperação econômica no segundo semestre do ano."
A guerra no Irã e os custos crescentes de energia seguem como os principais riscos para a economia da zona do euro no segundo semestre.
IA como motor de crescimento na Europa
Os investimentos das empresas em IA vêm disparando na Europa, segundo a fonte. Esse movimento, combinado com gastos governamentais e consumo das famílias, ajudou a compensar os impactos negativos externos.
Para quem acompanha o mercado cripto, a tendência de IA é um dos temas que mais geram movimento em ativos digitais ligados a blockchain e data centers. Mas, como sempre lembro, cripto é tecnologia antes de ser aposta, e a volatilidade é regra, não exceção.
Perspectivas para o restante de 2026
A maioria dos analistas prevê um crescimento anual inferior a 1% neste ano para a zona do euro, abaixo do potencial já reduzido do bloco. A recuperação esperada para o segundo trimestre não se concretizou totalmente, e os riscos geopolíticos seguem pressionando.
Perguntas Frequentes
O que impulsionou o crescimento da zona do euro no 2º tri?
O aumento dos investimentos em IA, os gastos governamentais generosos e a confiança dos consumidores compensaram os altos custos de energia e a guerra no Irã.
Qual foi o crescimento do PIB da zona do euro no 2º tri?
O PIB cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, superando a expectativa de 0,2% da pesquisa Reuters, segundo dados do Eurostat.
Como a Alemanha se saiu no 2º tri?
A Alemanha, terceira maior economia do mundo, cresceu 0,2% no trimestre, mesmo desempenho de França e Itália.
Qual o risco para a economia europeia no 2º semestre?
A escalada da guerra no Oriente Médio e os custos de energia são os principais riscos, segundo Jörg Krämer, economista do Commerzbank.
O desemprego na zona do euro aumentou?
Não. O desemprego manteve-se estável em 6,3% em junho, contrariando as expectativas de enfraquecimento do mercado de trabalho.