Durigan diz que não cabe falar em retaliação aos EUA por tarifas, mas governo avalia reciprocidade
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não cabe ao Brasil falar em retaliação contra os Estados Unidos pelas tarifas impostas à importação de aço e alumínio. Em declaração nesta quarta-feira, Durigan disse que o governo brasileiro avalia, no entanto, medidas de reciprocidade comercial. A fala ocorre em meio à escalada da guerra tarifária iniciada pela administração Trump.
Resposta direta: O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse que não cabe ao Brasil falar em retaliação às tarifas dos EUA, mas o governo avalia medidas de reciprocidade. A declaração ocorre em meio à escalada tarifária global, com os EUA impondo sobretaxas a produtos brasileiros. O governo brasileiro busca equilibrar a defesa comercial com a manutenção do diálogo diplomático.
O que Durigan disse sobre as tarifas dos EUA
Segundo Durigan, a posição do governo brasileiro é de cautela. Ele afirmou que "não cabe ao Brasil falar em retaliação" neste momento, mas que o país está atento às medidas unilaterais dos EUA. "Estamos avaliando todos os instrumentos disponíveis, incluindo a possibilidade de reciprocidade em setores onde temos assimetrias", declarou o secretário, em evento em Brasília.
A declaração ecoa a linha do Ministério das Relações Exteriores, que tem priorizado o diálogo direto com Washington. O Brasil busca evitar uma escalada que prejudique as exportações brasileiras, que somaram US$ 37,4 bilhões para os EUA em 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O contexto da guerra tarifária global
As tarifas dos EUA sobre aço e alumínio, anunciadas em fevereiro de 2025, atingem diretamente o Brasil, um dos maiores fornecedores mundiais desses produtos. Em 2024, o Brasil exportou US$ 6,2 bilhões em aço para os EUA. A medida americana elevou a alíquota para 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, afetando a competitividade dos produtos brasileiros.
A guerra tarifária não é nova. Desde 2018, o governo Trump impôs sobretaxas a diversos países, gerando retaliações da União Europeia, China e Canadá. O Brasil, na época, negociou cotas de exportação para evitar tarifas, mas o acordo expirou em 2024. Agora, o governo brasileiro busca uma nova solução negociada.
Reciprocidade: o que significa na prática
Reciprocidade, no comércio internacional, significa aplicar tarifas equivalentes às que um país impõe sobre produtos nacionais. No caso do Brasil, isso poderia significar elevar tarifas sobre produtos americanos como milho, soja, carne suína e aeronaves.
No entanto, Durigan ponderou que a reciprocidade não é automática. "Temos que avaliar o impacto setorial e o custo político de cada medida", disse. O governo brasileiro também considera acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas americanas, como já fez em 2018.
Impactos para o consumidor e a economia brasileira
Se o Brasil adotar medidas de reciprocidade, o consumidor brasileiro pode sentir no bolso. Produtos importados dos EUA, como eletrônicos, medicamentos e insumos agrícolas, podem ficar mais caros. Por outro lado, a indústria nacional de aço e alumínio pode se beneficiar da proteção tarifária.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que o governo está disposto a negociar, mas não descarta medidas unilaterais. "Não vamos aceitar imposições que prejudiquem a indústria brasileira", disse Haddad em entrevista recente.
O que esperar dos próximos passos
O governo brasileiro deve intensificar as negociações bilaterais com os EUA nas próximas semanas. Uma missão comercial brasileira deve ir a Washington para discutir as tarifas. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda prepara uma lista de produtos americanos que podem ser alvo de tarifas recíprocas, caso as negociações fracassem.
O Brasil também conta com o apoio de outros países afetados pelas tarifas, como Canadá e México, para pressionar os EUA na OMC. A expectativa é de que o governo americano reveja as tarifas após pressão interna de setores industriais americanos que dependem de insumos brasileiros.
Perguntas Frequentes
O que Durigan disse exatamente sobre as tarifas dos EUA?
Durigan afirmou que "não cabe ao Brasil falar em retaliação" neste momento, mas que o governo avalia medidas de reciprocidade comercial para equilibrar as relações bilaterais.
Qual a diferença entre retaliação e reciprocidade?
Retaliação é uma resposta punitiva imediata, geralmente com tarifas elevadas. Reciprocidade é a aplicação de tarifas equivalentes às impostas pelo outro país, buscando equilíbrio nas relações comerciais.
Quais setores brasileiros são mais afetados pelas tarifas dos EUA?
Os setores de aço e alumínio são os mais afetados diretamente. Indiretamente, setores que exportam para os EUA, como carnes, suco de laranja e etanol, também podem sentir o impacto.
O Brasil pode recorrer à OMC?
Sim. O Brasil já recorreu à OMC em 2018 contra as tarifas americanas e pode fazê-lo novamente. A OMC pode determinar que as tarifas são ilegais, mas o processo é demorado.
Quando as medidas de reciprocidade podem ser anunciadas?
O governo brasileiro deve anunciar as medidas nas próximas semanas, após concluir as negociações com os EUA. Não há prazo definido, mas a tendência é que sejam anunciadas até o final de março.
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