Dólar sobe a R$ 5,08 com recuo do petróleo e baixa liquidez
O dólar à vista subiu 0,33% nesta segunda-feira (3), fechando a R$ 5,0870, em dia de queda de mais de 4% do petróleo e baixa liquidez. O movimento acompanhou o desempenho da divisa no exterior, com o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, subindo 0,01%, aos 99.922 pontos, por volta de 17h (horário de Brasília).
Para quem tem negócio com custo atrelado ao câmbio, o cenário pede cautela. A alta de hoje não veio de um fundamento forte, mas de um mercado com pouca liquidez, o que tende a amplificar movimentos. Segundo o economista Matheus Pizzani, do PicPay, a relativa baixa liquidez da sessão exige mais vetores positivos para os investidores se posicionarem na divisa.
"Quando olhamos no mercado à vista, vemos que ele está no zero a zero, mas se olhamos para a curva de futuros ela está meio a meio. Os vencimentos mais curtos estão desvalorizando, enquanto os mais longos estão subindo", detalha Pizzani. Ou seja, o mercado ainda não formou uma direção clara, o que aumenta a incerteza para quem precisa comprar dólar para importar ou pagar fornecedores.
O que puxou o dólar para cima
Além da liquidez, o cenário internacional pesou. Na semana passada, o Banco do Japão (BoJ) e o Tesouro dos Estados Unidos fizeram uma intervenção coordenada de compra de iene, ação incomum para conter a queda da moeda para uma mínima em 40 anos. Dados do banco central indicaram que o Japão pode ter usado até US$ 36,58 bilhões nessa operação na sexta-feira.
Segundo o Ministério das Finanças do Japão, os países não hesitarão em tomar novas medidas. Para Pizzani, não é descartada uma nova intervenção, já que a economia japonesa tem fiscal expansionista, inflação elevada e taxa de juros em 1%, a mais alta em 31 anos. O iene é a moeda usada em operações de carry trade, e o hedge ficou mais caro com a alta dos Treasuries e dos títulos japoneses.
Petróleo despenca e afeta o câmbio
No campo geopolítico, as falas do presidente dos EUA, Donald Trump, de que negociações com o Irã continuariam e que ataques a Teerã seriam cancelados foram bem recebidas. Hoje, porém, ele reiterou que esta é a última chance de acordo. Como reflexo, o contrato do petróleo Brent para outubro caiu 4,73%, a US$ 83,77 o barril, na ICE, em Londres. Já o WTI para setembro recuou 5,11%, a US$ 80,34, na Nymex.
Para o pequeno empreendedor, a lição é prática: separar as contas PJ e PF ajuda a enxergar o impacto real do câmbio no caixa. Se você tem dívida ou compra atrelada ao dólar, o momento pede planejamento, não pânico. como proteger o caixa da variação cambial
Perguntas Frequentes
O dólar vai continuar subindo?
Não há uma direção clara no mercado. A alta de hoje veio da baixa liquidez e do recuo do petróleo, mas os futuros mostram sinais mistos. Acompanhe os próximos pregões antes de tomar decisões.
Como a queda do petróleo afeta o dólar?
A queda do petróleo tende a reduzir pressões inflacionárias globais, mas o efeito no câmbio depende de outros fatores, como juros e liquidez. Nesta segunda, o recuo de mais de 4% do Brent não impediu a alta do dólar.
O que é carry trade e por que importa?
Carry trade é tomar dinheiro emprestado em uma moeda com juros baixos para investir em outra com juros altos. O iene é muito usado nessa operação, e o custo do hedge subiu, o que afeta o câmbio global.
Devo comprar dólar agora para o meu negócio?
Depende da sua necessidade. Se você tem obrigação em dólar no curto prazo, avalie o custo do hedge. Se não, espere um cenário mais claro. O ideal é conversar com um contador ou consultor financeiro.
O que observar nos próximos dias?
Fique de olho nas falas de Donald Trump sobre o Irã, nos dados do Japão e na liquidez do mercado. Qualquer novidade pode mudar o rumo do câmbio rapidamente.
