O dólar à vista fechou em queda de 0,92% nesta quarta-feira (2), cotado a R$ 5,1084, no menor patamar desde 7 de agosto. O movimento veio com o mercado avaliando a mais recente pesquisa Quaest de intenção de voto para a Presidência, que indica disputa mais acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Durante o pregão, a moeda chegou a tocar a mínima intradia de R$ 5,0987, com baixa de 1,11%. O recuo local acompanhou o dólar global: o DXY, que compara a moeda a uma cesta de seis divisas, operava por volta de 17h com leve queda de 0,08%, aos 99,596 pontos.
O que a pesquisa mostra
Segundo a Quaest, Lula tem 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro. O petista recuou 1 ponto porcentual ante os 38% da pesquisa anterior, de 14 de agosto; Flávio caiu 2 pontos, de 31% para 29%.
No cenário de segundo turno, o quadro é de empate técnico: Lula aparece com 42% e Flávio Bolsonaro com 41%. O presidente recuou 1 ponto, enquanto o senador cresceu 1 ponto. A redução da vantagem do petista reforçou a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027, o que o mercado associa a maior disciplina fiscal e controle dos gastos públicos.
"Nesse cenário, o investidor abre posições em dólar e juros como medida de hedge e, ao mesmo tempo, passa a buscar ativos de maior risco", afirma Marcos Bassani, economista e sócio fundador da Boa Brasil Capital. Para ele, isso gera uma desvalorização momentânea da divisa norte-americana.
Dados dos EUA e geopolítica no radar
Em segundo plano, o mercado acompanhou os dados de emprego dos Estados Unidos. As vagas no setor privado cresceram 38 mil em agosto, abaixo das 48 mil previstas por economistas consultados pela Reuters. O mercado agora espera o relatório oficial de empregos não-agrícolas (payroll), que sai na sexta-feira (4).
No campo geopolítico, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a nova campanha contra o Irã não deve se prolongar por muito tempo, citando ataques intensos na região do Estreito de Ormuz.
Para quem acompanha o câmbio, o recuo do dólar pode aliviar preços de importados e viagens, mas a volatilidade deve seguir até o desenho eleitoral ficar mais claro. como o câmbio afeta os preços no Brasil