# Dólar avança a R$ 5,20: os 4 motivos do movimento

> Dólar à vista subiu 0,83% nesta segunda-feira e se aproximou de R$ 5,20, pressionado por quatro fatores: trade eleitoral, disparada do petróleo, alta dos Treasuries e aposta em juros maiores do Fed. O Ibovespa recuou 1,13% no mesmo dia, refletindo o ambiente de aversão a risco nos mercados brasileiros.

*Viva Capital · Economia · 14 de setembro de 2026 · Patrícia Mendonça*

Dólar à vista avança 0,83% nesta segunda e se aproxima de R$ 5,20, pressionado por trade eleitoral, disparada do petróleo, alta dos Treasuries e aposta em juros maiores do Fed. Ibovespa recua 1,13%.

O dólar à vista ganha força nesta segunda-feira (14) com uma combinação de fatores domésticos e externos. Por volta de 11h50 (horário de Brasília), a divisa avançava 0,83%, próximo de R$ 5,20, após ter sido cotada a R$ 5,1830 (+1,12%) mais cedo. O movimento contrasta com o PTAX de venda de R$ 5,0918 registrado em 11/09.

Quatro motivos explicam a alta: o trade eleitoral doméstico, a disparada do petróleo no exterior, a alta dos Treasuries e a aposta consolidada em juros maiores pelo Federal Reserve (Fed) na quarta-feira (16). No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,13%, aos 185.088,16 pontos.

## O que puxa o dólar para cima hoje

O primeiro fator vem do exterior. O indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes como euro e libra, subia 0,47%, aos 99.588 pontos. No mercado de petróleo, o barril do Brent opera próximo a US$ 110 após novos ataques do Irã atingirem um oleoduto da Arábia Saudita no Estreito de Ormuz, interrompendo o escoamento do óleo e adiando uma reunião entre países do Golfo Pérsico sobre a rota temporária da via marítima.

O rendimento do Treasury de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, superou a marca de 5% nesta manhã, no maior nível desde meados de 2023. O mercado precifica quase 90% de chance de ajuste de 0,25 ponto percentual no Fed Funds, levando os juros para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Quanto mais o Fed sobe os juros, melhor para o dólar, que fica comparativamente mais atrativo conforme os rendimentos dos Treasuries avançam, reduzindo o apetite por risco em mercados como o Brasil.

## O trade eleitoral e as pesquisas

A pressão doméstica vem do trade eleitoral. Os recentes desdobramentos do Caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) concentram as atenções dos investidores, com possíveis informações sobre o escândalo envolvendo o filme 'Dark Horse' e o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Casas como Mar Asset, Ace Capital, Ibiuna Investimentos e Ativa Investimentos têm apontado Flávio como o possível vencedor das eleições à Presidência, reforçando o otimismo por uma mudança de governo. As pesquisas, porém, seguem mostrando disputa acirrada: a BTG Pactual/Nexus indicou Lula voltando a superar numericamente o senador, com 47% a 46% em eventual segundo turno. A Quaest mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 42%, com o presidente perdendo 1 ponto e o senador crescendo 1 ponto ante a semana anterior, quando ambos tinham 41%.

## O que isso significa para o seu bolso

Segundo Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING, uma mensagem de rigor na política monetária do Fed na quarta-feira pode ajudar a reconstruir gradualmente a correlação positiva entre o dólar e os rendimentos dos Treasuries. Para ele, o DXY deve se manter na faixa de 99,50 a 100 pontos no curto prazo.

'Uma mensagem de rigor na política monetária por parte do Fed na quarta-feira pode ajudar a reconstruir gradualmente a correlação positiva entre o dólar e os rendimentos dos Treasuries, permitindo que a moeda americana funcione de maneira mais eficiente como ativo de proteção', avalia Pesole.

Na prática, dólar mais alto encarece importados, viagens internacionais e produtos com insumos dolarizados, além de pressionar a inflação. O iShares MSCI Brazil (EWZ), ETF negociado na Bolsa de Nova York que replica o mercado acionário brasileiro, operava em queda de quase 2% desde a abertura. Em Wall Street, o S&P 500 caía 0,83% (7.595,91 pontos), o Dow Jones tinha baixa de 0,52% (52.306,10 pontos) e o Nasdaq recuava 1,04% (26.062,579 pontos), com cautela renovada no setor de tecnologia focada em inteligência artificial.

Acompanhar o fechamento do dólar nesta segunda e a decisão do Fed na quarta ajuda a dimensionar o impacto no seu orçamento. como a alta do dólar afeta a inflação

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/dolar-avanca-volta-ao-nivel-proximo-r-520-confira-quatro-motivos-explicam-movime/
