# Dois fatores que podem ajudar o Brasil a cortar juros, segundo HSBC

> O HSBC aponta dois fatores para o Brasil cortar juros: trajetória fiscal e desaceleração da inflação de serviços. A lógica do banco considera que o controle fiscal reduz prêmios de risco, enquanto a inflação de serviços em queda permite afrouxamento monetário. Riscos incluem choques externos e incertezas fiscais domésticas.

*Viva Capital · Economia · 15 de julho de 2026 · Thiago Vasques*

O HSBC aponta dois fatores decisivos para um possível corte de juros no Brasil: a trajetória fiscal e a desaceleração da inflação de serviços. Neste artigo, explico a lógica por trás dessa visão e os riscos reais envolvidos.

## Dois fatores que podem ajudar o Brasil a cortar juros, segundo HSBC

O HSBC, um dos maiores bancos de investimento do mundo, divulgou recentemente uma análise apontando dois fatores que poderiam permitir ao Banco Central reduzir a taxa básica de juros, a Selic. A discussão ganha relevância em um momento em que a inflação brasileira ainda pressiona, mas sinais de arrefecimento começam a aparecer. Vou detalhar cada um desses fatores com dados oficiais e uma visão cética, como sempre faço aqui.

Segundo o HSBC, dois fatores podem levar o Brasil a cortar juros: uma política fiscal mais crível, com controle de gastos, e uma desaceleração consistente da inflação de serviços. Ambos reduziriam a pressão sobre o Banco Central para manter a Selic elevada, abrindo espaço para afrouxamento monetário.

## A política fiscal como primeiro pilar

O primeiro fator citado pelo HSBC é a credibilidade fiscal. O mercado acompanha de perto o arcabouço fiscal brasileiro, especialmente após a aprovação do novo regime fiscal em 2023. Se o governo conseguir manter as metas de resultado primário e controlar o crescimento da dívida pública, o risco-país cai, e o Banco Central ganha margem para cortar juros sem gerar desconfiança.

Segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral fechou 2024 em 76,5% do PIB, patamar elevado para padrões emergentes. O HSBC avalia que um compromisso fiscal crível reduziria o prêmio de risco embutido na curva de juros, facilitando a convergência da inflação para a meta.

### O que significa "fiscal crível" na prática

Na minha experiência analisando ciclos econômicos, "crível" não é apenas promessa: é execução. O mercado quer ver superávit primário, corte de subsídios e reformas estruturais. O governo já sinalizou meta de déficit zero em 2025, mas o mercado duvida. Se o fiscal desandar, o BC sobe juros, não corta.

## Inflação de serviços: o segundo fator decisivo

O segundo fator apontado pelo HSBC é a desaceleração da inflação de serviços. Diferente de alimentos e energia, que são voláteis, os serviços refletem a demanda interna e o mercado de trabalho. Quando os serviços desaceleram, é sinal de que a economia está perdendo fôlego, o que abre espaço para cortes de juros.

De acordo com o IBGE, o IPCA de serviços acumulado em 12 meses encerrou maio de 2025 em 4,8%, ainda acima do centro da meta de 3,0%. O HSBC acredita que, se esse número cair para perto de 4,0% nos próximos meses, o BC pode considerar um ciclo de cortes.

### Por que serviços são tão relevantes?

A inflação de serviços é mais persistente. Ela responde a salários, aluguéis e custos trabalhistas. Se ela cai, é porque o mercado de trabalho está esfriando. Isso gera um dilema: menos inflação é bom para cortar juros, mas também significa menos empregos. Não existe almoço grátis.

## O papel do Banco Central na decisão

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é o órgão que define a Selic. Ele olha para a inflação corrente, as expectativas futuras e o cenário externo. Se os dois fatores do HSBC se confirmarem, o Copom pode reduzir a Selic, que atualmente está em 10,5% ao ano.

Segundo o Banco Central, a ata da última reunião do Copom destacou que "a política fiscal e a evolução da inflação de serviços serão determinantes para os próximos passos". Ou seja, o próprio BC ecoa a visão do HSBC.

### Riscos que não podem ser ignorados

Aqui entra meu lado cético. O HSBC pode estar certo, mas o cenário externo é volátil. Se os juros americanos subirem ou se houver uma crise global, o Brasil pode ter que manter juros altos para atrair capital. Fora isso, a inflação de serviços pode não ceder se o governo continuar gastando. Não invista em títulos de renda fixa achando que o corte é garantido.

## Expectativas de mercado e projeções

O mercado financeiro já precifica cortes de 0,25 ponto percentual na Selic a partir de agosto de 2025, segundo o relatório Focus do Banco Central. Mas isso depende dos dois fatores. Se o fiscal decepcionar, o corte pode ficar para 2026.

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### O que esperar para o segundo semestre

O segundo semestre de 2025 será decisivo. O governo precisa aprovar medidas fiscais no Congresso, e o IBGE divulgará os dados de inflação de serviços mês a mês. Se ambos os fatores andarem na direção esperada pelo HSBC, podemos ver a Selic cair para 9,75% até o fim do ano.

## Perguntas Frequentes

### O HSBC recomenda investir agora?

Não. O HSBC apenas apontou fatores que podem levar a cortes de juros. Não é uma recomendação de compra ou venda. Cada investidor deve avaliar seu perfil de risco.

### Quando o Banco Central vai cortar os juros?

Não há data certa. Depende dos dados. O mercado espera o primeiro corte em agosto de 2025, mas pode atrasar se a inflação não ceder.

### O que é Selic?

É a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom. Ela influencia todas as outras taxas, de empréstimos a investimentos.

### Qual a meta de inflação do Brasil?

A meta para 2025 é de 3,0% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, segundo o Conselho Monetário Nacional.

### Posso perder dinheiro com títulos atrelados à Selic?

Sim. Se a Selic cair menos do que o esperado, ou se subir, o preço dos títulos pode cair. Renda fixa tem risco também.

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Lembre-se: cripto é tecnologia antes de ser aposta; só invista o que você aceita perder. O mesmo vale para qualquer ativo. Juros altos protegem a moeda, mas apertam a economia. Fique de olho nos dados oficiais e não em promessas de bancos.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/dois-fatores-podem-ajudar-brasil-cortar-juros-segundo-hsbc/
