A CSN (CSNA3) anunciou em fato relevante de cinco linhas a saída de Benjamin Steinbruch da cadeira de CEO após 26 anos. Ele assume a presidência do conselho, enquanto Fabio Schvartsman, ex-Vale (VALE3), passa a ter a palavra final no dia a dia da companhia.
O desafio é grande: a empresa encerrou o segundo trimestre com cerca de R$ 42 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, o maior nível dos últimos cinco anos. Tudo isso em um ambiente de juros de 15%.
O que muda com a chegada de Schvartsman
A troca de comando foi recebida como alívio por parte do mercado. Um gestor ouvido pelo Money Times relata que havia receio de a CSN recorrer a alguma reestruturação das dívidas, temor afastado pela chegada do ex-Vale.
"A gente já ouviu alguns boatos, como a possibilidade de alongar ou reperfilar alguma dívida. O Fábio não é esse cara", afirmou o gestor.
Schvartsman tem mais de 30 anos de carreira e passou por Klabin e Duratex, além de ter sido CEO da Vale, onde sua passagem foi interrompida em 2019, quando ocorreu o desastre de Brumadinho, que deixou 270 mortos.
Na Bolsa, o efeito foi mensurável. Entre 31 de agosto e 3 de setembro, a ação subiu 19,9%, contra 5,9% da Gerdau, 4,6% da Usiminas e 0,8% da Vale. No dia da posse, foram negociadas 45 milhões de ações, quase três vezes o giro dos dias anteriores. Desde o resultado do segundo trimestre, em 12 de agosto, o papel acumula alta de mais de 50%.
Operação saudável, balanço pressionado
Luca Vello, analista de mineração da Genial, resume o cenário: a operação está boa, mas o problema está no balanço, situação que ele classifica como rara. O cimento bateu recorde de Ebitda, a mineração registrou o quarto maior volume de vendas da história e a siderurgia recuperou margem para a casa dos 10%.
No passivo, porém, a dívida líquida subiu R$ 1,63 bilhão no trimestre. O fluxo de caixa livre só foi positivo porque incorpora o saque do empréstimo-ponte. O custo da dívida aumentou: a troca dos bonds de 2028 saiu com cupom de 11%, contra 6,75%, enquanto o empréstimo-ponte é SOFR mais 6%.
Steinbruch segue como presidente do conselho, e um gestor pondera que imaginar seu afastamento total do negócio é ingenuidade. A diferença estará na condução operacional, agora com Schvartsman.
A primeira decisão do novo CEO é de preço, não de estratégia: as propostas vinculantes pelo cimento chegaram em 10 de agosto, antes de ele assumir. governança corporativa na bolsa brasileira