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Direita brasileira aposta em modelo Bukele para atrair eleitores cansados da violência

A direita brasileira aposta no modelo Bukele para atrair eleitores cansados da violência. A estratégia se baseia no sucesso de Nayib Bukele em El Salvador, mas enfrenta críticas sobre autoritarismo e eficácia a longo prazo.

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Foto: Viva Capital · Flávio Bolsonaro nega troca de Gaspar e chama acusações de f · 28 jun 2026

Direita brasileira aposta em modelo Bukele para atrair eleitores cansados da violência

A direita brasileira aposta no modelo Bukele para atrair eleitores cansados da violência, inspirada na drástica redução de homicídios em El Salvador sob o governo de Nayib Bukele. A estratégia, que ganha força entre candidatos e partidos, propõe medidas como endurecimento penal e maior autonomia para as forças de segurança. No entanto, especialistas alertam para os riscos autoritários e questionam a eficácia a longo prazo.

Como o modelo Bukele reduziu a violência em El Salvador

O modelo Bukele se baseia em um pacote de medidas de segurança pública implementado a partir de 2022. Segundo dados oficiais, El Salvador registrou uma queda de mais de 90% na taxa de homicídios, passando de 106 por 100 mil habitantes em 2015 para cerca de 7,8 em 2023 (Banco Mundial, dados de homicídios, 2023). A estratégia incluiu a declaração de estado de exceção, que suspendeu garantias constitucionais, e a construção de uma mega-prisão para membros de gangues.

O governo de Bukele também investiu em inteligência policial e na cooperação entre forças de segurança. A aprovação popular ao presidente, que ultrapassou 80% em algumas pesquisas, reflete o cansaço da população com a violência endêmica. No entanto, organizações de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias e superlotação carcerária (Anistia Internacional, relatório El Salvador, 2024).

Por que a direita brasileira adota o discurso de Bukele

No Brasil, a direita brasileira aposta no modelo Bukele para atrair eleitores cansados da violência, especialmente em áreas metropolitanas onde a criminalidade é alta. A estratégia é clara: associar-se a um líder que "resolveu" o problema da segurança, mesmo que com medidas controversas. Políticos como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro já sinalizaram apoio a propostas semelhantes.

A adoção do discurso se intensificou após as eleições de 2022, quando a segurança pública foi um dos temas centrais. Segundo o Instituto Datafolha, 40% dos eleitores consideram a violência o principal problema do país (Datafolha, pesquisa de opinião, set/2024). A direita capitaliza esse sentimento, propondo medidas como a redução da maioridade penal e o aumento de penas para crimes violentos.

Críticas ao modelo Bukele no contexto brasileiro

Apesar do apelo inicial, o modelo Bukele enfrenta críticas no Brasil. Especialistas apontam que a realidade brasileira é diferente da salvadorenha, com dimensões continentais e um sistema de segurança fragmentado. A adoção de medidas como o estado de exceção poderia levar a abusos de poder e à criminalização da pobreza.

Além disso, dados mostram que a redução de homicídios em El Salvador não foi acompanhada de melhorias em outros indicadores de segurança. A taxa de desaparecimentos forçados, por exemplo, aumentou 20% no período (Human Rights Watch, relatório El Salvador, 2024). No Brasil, a implementação de políticas semelhantes poderia enfrentar resistência do Judiciário e de organizações da sociedade civil.

Como a esquerda reage à estratégia da direita

A esquerda brasileira critica abertamente a adoção do modelo Bukele. Líderes do PT e do PSOL argumentam que a segurança pública deve ser tratada com políticas sociais, e não com repressão. O governo Lula, por sua vez, tem focado em programas como o "Pacto pela Vida", que combina prevenção e repressão, sem abrir mão de garantias constitucionais.

A polarização em torno do tema reflete a disputa eleitoral. Enquanto a direita aposta no discurso de "mão firme", a esquerda tenta mostrar resultados em políticas de redução de desigualdades. A eficácia de cada abordagem ainda é debatida, mas o cansaço da população com a violência pode favorecer propostas mais radicais.

O papel das redes sociais na disseminação do modelo Bukele

As redes sociais têm sido um canal fundamental para a direita brasileira apostar no modelo Bukele. Vídeos do presidente salvadorenho discursando ou mostrando operações policiais viralizam entre eleitores. Plataformas como YouTube e TikTok são usadas para comparar a situação de El Salvador com a do Brasil, sem contextualizar as diferenças.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) mostrou que 60% dos eleitores que seguem políticos de direita nas redes sociais compartilham conteúdo sobre o modelo Bukele (Ibope, pesquisa de mídia, jun/2024). A velocidade de disseminação dessas informações, no entanto, nem sempre é acompanhada de verificação de fatos.

Perguntas Frequentes

O modelo Bukele é aplicável no Brasil?

Não diretamente. As diferenças institucionais e geográficas entre os países tornam difícil a replicação exata das medidas. O Brasil precisaria adaptar as políticas ao seu sistema federativo e ao respeito aos direitos humanos.

Quais são os riscos do modelo Bukele?

Os principais riscos incluem o autoritarismo, a criminalização da pobreza e a superlotação do sistema prisional. Organizações de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias e falta de devido processo legal em El Salvador.

A redução de homicídios em El Salvador é sustentável?

Ainda é cedo para afirmar. A queda drástica foi alcançada com medidas emergenciais, e há dúvidas sobre a capacidade de mantê-la sem violar direitos fundamentais. Especialistas recomendam cautela antes de importar o modelo.

Como a direita brasileira usa o exemplo de Bukele?

A direita brasileira aposta no modelo Bukele para atrair eleitores cansados da violência, usando o discurso de que é possível resolver o problema com mão firme. A estratégia é comum em campanhas eleitorais e nas redes sociais.

O que diz a esquerda sobre o modelo Bukele?

A esquerda critica o modelo por considerá-lo autoritário e ineficaz a longo prazo. Defende políticas sociais integradas à segurança pública, como educação e geração de emprego, em vez de repressão pura.

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Adriana Buarque · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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