O déficit comercial dos Estados Unidos subiu 24,4% em julho, para US$ 88,6 bilhões, informaram o Escritório de Análise Econômica e o Census Bureau do Departamento de Comércio. A alta veio abaixo da projeção de economistas consultados pela Reuters, que esperavam um déficit de US$ 90,0 bilhões. O resultado reforça o peso do comércio sobre o crescimento no terceiro trimestre, após a demanda interna aquecida puxar as importações.
A deterioração já havia sido sinalizada por dados da semana passada, que apontavam aumento no déficit de bens. A demanda interna disparou no segundo trimestre, com gastos robustos dos consumidores e investimentos empresariais em inteligência artificial. Parte dessa demanda, porém, está sendo atendida por importações, o que amplia o saldo negativo.
As importações cresceram 2,8% em julho, para US$ 399,3 bilhões, com alta de 3,7% nos bens, para US$ 320,6 bilhões. O destaque ficou com os bens de capital, que saltaram US$ 14,4 bilhões, a um recorde de US$ 140,3 bilhões, impulsionados por computadores, acessórios de informática e chips, provavelmente ligados à expansão da IA. Já as importações de suprimentos e materiais industriais, incluindo petróleo, caíram US$ 1,8 bilhão, com recuo de igual valor no petróleo bruto em meio à queda de preços.
Pelo lado das exportações, houve queda de 2,1%, para US$ 310,7 bilhões, com as remessas de bens recuando 3,0%, para US$ 201,0 bilhões. O declínio foi puxado por suprimentos e materiais industriais, que caíram US$ 8,7 bilhões, principalmente petróleo bruto e ouro não monetário, este excluído do cálculo do PIB. Em contrapartida, as exportações de bens de capital subiram US$ 1,9 bilhão, e as de bens de consumo avançaram US$ 1,7 bilhão, impulsionadas por produtos farmacêuticos.
No acumulado, o déficit comercial de bens cresceu 17,3% em julho, para US$ 119,6 bilhões. Ajustado pela inflação, o déficit de bens subiu 12,7%, para US$ 106,4 bilhões. O comércio subtraiu 1,14 ponto percentual do crescimento do PIB no trimestre de abril a junho, período em que a economia americana expandiu a uma taxa anualizada de 1,5%.
Para quem acompanha os desdobramentos da economia global, o dado reforça um cenário de demanda interna forte, mas com efeito limitado sobre o PIB, já que parte do consumo vaza para importações. O movimento também sinaliza a força dos investimentos em IA, que seguem sustentando a entrada de bens de capital no país.
Planejando seus investimentos com base nesse cenário, vale observar como o dólar e o Ibovespa reagem aos próximos indicadores americanos. como o déficit comercial dos EUA afeta o câmbio investimentos em IA e o impacto nos mercados