# Curva de juros recua com trade eleitoral e alívio nos Treasuries

> A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices nesta quarta-feira (2), com taxas DI caindo até 16 pontos-base. O movimento refletiu nova pesquisa eleitoral e alívio nos Treasuries. A redução das taxas impacta diretamente o custo do crédito e as decisões de investimento no mercado doméstico.

*Viva Capital · Economia · 02 de setembro de 2026 · Henrique Salomão*

A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices nesta quarta-feira (2), impulsionada por nova pesquisa eleitoral e alívio nos Treasuries. Taxas DI caíram até 16 pontos-base, com impacto direto no crédito e nos investimentos.

A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices nesta quarta-feira (2), com nova pesquisa eleitoral de disputa pelo Palácio do Planalto e alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O movimento reflete diretamente no bolso de quem planeja financiar um imóvel, comprar um carro ou investir em renda fixa.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou próximo da estabilidade a 13,575%, ante 13,585% do fechamento anterior. Já a taxa para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou a 13,950%, queda de 16 pontos-base, com mínima de 13,915% durante o pregão. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, também recuou 16 pontos-base, para 14,320%.

No exterior, os Treasuries interromperam a sequência de altas. Por volta de 18h, o yield do título de dois anos operava a 4,371%, e o de dez anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, caía para 4,78%.

O cenário eleitoral injetou apetite ao risco no mercado doméstico, com redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno, segundo pesquisa Quaest. "As pesquisas têm mostrado um cenário mais acirrado, sem um cenário definido de reeleição", avalia Marco Saravelle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

Para Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, "o movimento é relevante, já que uma parcela de investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa". A redução da vantagem do petista reforçou a aposta em troca de governo em 2027, o que se reflete positivamente nos ativos.

Em meio à disputa acirrada, a curva precifica cerca de 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em setembro, do atual nível de 14% para 13,75% ao ano. Para novembro, o mercado via cerca de 60% de chance de novo corte, contra 40% de manutenção. "Eu não troquei meu call para novembro, continuo esperando estabilidade", comentou Lais Costa, da Empiricus Research. "Mas novembro depende muito da eleição."

Para nós, que planejamos o futuro da família, a queda da curva traz alívio em financiamentos e abre espaço para reprecificar investimentos. O próximo passo é acompanhar o Copom e os desdobramentos eleitorais, pois cada decisão impacta o custo do crédito e a rentabilidade da renda fixa.

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