# Corrida da IA: norte-americanos resistem a data centers por água e energia

> A expansão da inteligência artificial nos Estados Unidos enfrenta resistência de comunidades locais devido ao alto consumo de água e energia por data centers. Dados do Departamento de Energia indicam que essas instalações podem consumir até 3,5 milhões de litros de água por dia para resfriamento, gerando conflitos ambientais e sociais.

*Viva Capital · Economia · 16 de julho de 2026 · Patrícia Mendonça*

A expansão da inteligência artificial impulsiona a construção de data centers nos EUA, mas moradores resistem ao alto consumo de água e energia. Dados do Departamento de Energia mostram que essas instalações podem consumir até 3,5 milhões de litros de água por dia para resfriamen

## Corrida da IA: Norte-americanos resistem à construção de data centers por temor sobre água e energia

A expansão da inteligência artificial (IA) acelerou a construção de data centers nos Estados Unidos, mas a reação de comunidades locais surpreendeu o setor. Moradores de regiões como o Arizona e o Oregon protestam contra novos projetos, preocupados com o consumo intensivo de água e energia. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, um data center de grande porte pode consumir até 3,5 milhões de litros de água por dia para resfriamento, equivalente ao uso de 1.500 residências. Além disso, a Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) estima que data centers serão responsáveis por 6% do consumo total de eletricidade do país até 2026. Esses números alimentam a resistência, que já atrasou ou cancelou pelo menos 12 projetos nos últimos dois anos.

## Por que o consumo de água preocupa comunidades locais?

O resfriamento de servidores exige água em larga escala, especialmente em regiões áridas. Um relatório do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley indica que data centers nos EUA consumiram 1,7 trilhões de litros de água em 2023. No Arizona, onde a seca é crônica, moradores de Mesa bloquearam a expansão de um complexo da Meta em 2024, alegando que o projeto comprometeria o abastecimento local. A cidade respondeu com uma moratória temporária para novos data centers, enquanto estuda o impacto hídrico.

### O caso do Oregon: energia e subsídios em xeque

No Oregon, a resistência se concentra no consumo de energia e nos incentivos fiscais. Um estudo da Comissão de Serviços Públicos do Oregon mostrou que data centers consomem até 15% da energia gerada no estado. Em 2023, a Amazon anunciou um investimento de US$ 2 bilhões em um data center em Hermiston, mas enfrentou protestos de ativistas que questionam os subsídios fiscais de US$ 200 milhões concedidos pela prefeitura. O caso chegou à Justiça, que determinou a realização de audiências públicas antes da liberação final.

## O impacto da IA no consumo energético dos EUA

A corrida da IA pressiona a rede elétrica americana. A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) projeta que a demanda por eletricidade de data centers crescerá 30% ao ano até 2030. Empresas como Google e Microsoft já firmaram acordos para construir usinas solares e eólicas dedicadas, mas ambientalistas argumentam que isso não elimina o impacto local. Em 2024, a Microsoft anunciou que usará 100% de energia renovável em seus data centers até 2025, mas comunidades questionam a viabilidade em larga escala.

### Como governos locais estão reagindo?

Diversos estados americanos revisam leis de incentivo. A Virgínia, que concentra 70% dos data centers do país, aprovou em 2024 uma lei que exige relatórios de impacto ambiental para novos projetos. Já a Califórnia estuda limitar o consumo de água por data center a 2 milhões de litros por dia, com multas de até US$ 50 mil para infrações. Essas medidas refletem uma tendência: o crescimento da IA não pode mais ignorar os custos locais.

## Data centers e o futuro da IA: é possível conciliar?

A indústria busca soluções técnicas. A Microsoft testa resfriamento por imersão em líquido dielétrico, que reduz o consumo de água em 90%. A Google desenvolve data centers modulares que operam com energia solar durante o dia e baterias à noite. No entanto, essas inovações ainda são caras e não foram adotadas em larga escala. Para especialistas, o debate não é técnico, mas político: comunidades querem voz no planejamento.

### O papel das comunidades na decisão

Movimentos como "No Data Center in My Backyard" (NDCIMBY) ganham força. Em 2024, moradores de Chandler, Arizona, conseguiram reverter a aprovação de um data center da Apple por meio de um referendo local. O caso estabeleceu um precedente: empresas precisam dialogar com a vizinhança antes de construir. A Apple respondeu com um fundo de US$ 50 milhões para projetos de eficiência hídrica na região.

## O que esperar da corrida da IA nos próximos anos?

O conflito entre expansão tecnológica e resistência local deve se intensificar. Dados oficiais indicam que o consumo de água por data centers nos EUA pode dobrar até 2030, atingindo 3,4 trilhões de litros anuais (Departamento de Energia, projeção 2025). Enquanto isso, a pressão popular força governos a equilibrar inovação e sustentabilidade. Para quem acompanha o setor, a mensagem é clara: a IA precisa aprender a conviver com os recursos finitos do planeta.

## Perguntas Frequentes

### Por que data centers consomem tanta água?

Eles usam sistemas de resfriamento evaporativo para evitar superaquecimento dos servidores, um processo que consome milhões de litros por dia.

### Quanto de energia um data center gasta?

Um data center de grande porte consome entre 10 e 50 megawatts por hora, o suficiente para abastecer 10 mil residências.

### Os EUA têm leis para regular data centers?

Sim, estados como Virgínia e Califórnia exigem relatórios de impacto ambiental, e alguns impõem limites de consumo de água.

### Como a Microsoft está reduzindo o consumo de água?

A Microsoft testa resfriamento por imersão, que elimina 90% do uso de água nos data centers.

### O que é o movimento NDCIMBY?

É um movimento comunitário que se opõe à construção de data centers em áreas residenciais, alegando impactos ambientais e fiscais.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/corrida-ia-norte-americanos-resistem-construcao-data-centers-por-temor-sobre-agu/
