# Juros futuros caem com eleições e PIB fraco

> A curva de juros futuros brasileira registrou queda em todos os vencimentos nesta terça-feira (1º), em movimento contrário aos Treasuries americanos. O recuo refletiu a combinação de eleições municipais no radar e a divulgação de PIB mais fraco que o esperado, reduzindo prêmios de risco e expectativas de aperto monetário. Investidores ajustaram posições diante do cenário doméstico.

*Viva Capital · Economia · 01 de setembro de 2026 · Adriana Buarque*

A curva de juros futuros recuou em todos os vencimentos nesta terça-feira (1º), destoando dos Treasuries, com eleições e PIB mais fraco no radar dos investidores. Veja os números.

A curva de juros futuros recuou em todos os vencimentos nesta terça-feira (1º), destoando do movimento dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, com as eleições de outubro e a atividade mais fraca no radar dos investidores.

Os juros futuros caíram em todos os vencimentos nesta terça-feira (1º), na contramão dos Treasuries, com as eleições de outubro e a atividade mais fraca no radar. A taxa do DI para janeiro de 2027 fechou a 13,585%, e a de 2029, a 14,110%, com recuos de 3 e 6,5 pontos-base, respectivamente.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,585%, baixa de 3 pontos-base ante 13,615% do fechamento anterior. Já a DI para janeiro de 2029, de médio prazo, caiu para 14,110%, ante 14,175%, recuo de 6,5 pontos-base. A de longo prazo, para janeiro de 2036, cedeu 7 pontos-base e terminou o dia a 14,480%, ante 14,550% do fechamento da última quinta-feira (20).

Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,400%, ante 4,350% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília). O retorno do título de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, subia para 4,796%, de 4,758% da última quinta-feira.

Por aqui, os investidores seguiram de olho no cenário eleitoral acirrado para a Presidência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com as últimas pesquisas apontando redução na diferença entre os candidatos. Os desdobramentos do envolvimento do ministro do STF Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, também contribuíram para a leitura de que a oposição pode melhorar nas próximas pesquisas.

O mercado ainda acompanhou a desaceleração do PIB do segundo trimestre de 2026, que cresceu 0,5%, com setores mais cíclicos perdendo força, enquanto o agro e a indústria extrativa seguiram positivos. Para o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, a alta veio ligeiramente acima do esperado, mas puxada por segmentos que não são afetados pelo ciclo econômico.

"A indústria de transformação sentiu o peso da taxa de juros, e essa combinação de estímulos do governo com desemprego mais baixo ainda favorece a área de serviços", diz. A expectativa do BV é que esses efeitos diminuam no terceiro trimestre, com projeção de expansão de 0,2% na margem.

Os Treasuries avançaram com temores inflacionários e perspectivas de alta pelo Federal Reserve em setembro, diante de novos ataques dos EUA ao Irã. O presidente Donald Trump disse que o ataque foi "justificado" e ameaçou com ações mais intensas caso Teerã retaliasse. Em paralelo, o mercado segue monitorando os desdobramentos geopolíticos e seus efeitos sobre a inflação global impacto da inflação nos investimentos.

---

Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/contramao-treasuries-juros-futuros-perdem-forca-eleicoes-pib/
