Pela primeira vez na história, uma inteligência artificial auxiliou em tempo real uma cirurgia cerebral. No Hospital da Universidade College de Londres (UCLH), a tecnologia orientou os cirurgiões a remover com sucesso o tumor do paciente Rhys Hibbert.
A IA analisou a transmissão de vídeo durante a operação e indicou como evitar vasos sanguíneos e nervos cerebrais que não eram visíveis diretamente. A tecnologia funciona como reconhecimento facial, mas identifica estruturas anatômicas ocultas. O tumor, benigno, media 11 mm e ficava na glândula pituitária, próxima às artérias carótidas e nervos ópticos.
Hibbert, gerente de atendimento ao cliente e pai de dois filhos, perdeu a consciência e convulsionou durante uma caminhada de 3 km. Exames revelaram o tumor, que pressionava os nervos ópticos, reduzindo sua visão periférica. A cirurgia usou endoscópio inserido pelo nariz até a base do crânio, com o tumor escondido atrás de osso e membrana.
Os riscos eram reais: entre 25% e 50% de chance de não remover totalmente o tumor, e 0,5% a 2% de danificar um vaso sanguíneo. Cada cérebro é único, sem manual. A IA, treinada com mais operações que a maioria dos cirurgiões, serviu como "segundo par de olhos especializado", segundo o professor Hani Marcus.
A equipe do UCLH reforça que a IA auxilia, mas o cirurgião mantém controle total. O objetivo é criar um "ChatGPT para cirurgiões", um especialista virtual consultável ou ignorável. Com o sucesso, um estudo maior avaliará o sistema em mais pacientes.
A tecnologia não substitui o julgamento humano. Como em qualquer inovação médica, a validação em larga escala é o próximo passo. inteligência artificial na medicina