Carne e café salvos, indústria na mira: quem escapou e quem será atingido pela tarifa de 25% dos EUA
A tarifa de 25% sobre importações de aço e alumínio, imposta pelos EUA em maio de 2026, criou um cenário de vencedores e perdedores para o Brasil. Carne bovina e café, dois dos principais itens da pauta exportadora brasileira, foram poupados. Mas a indústria de transformação, automotiva, máquinas, eletrônicos, entra no centro do furacão. A medida entra em vigor em 1º de junho de 2026, conforme comunicado oficial do governo americano. Quem escapa e quem será atingido? É o que analiso a seguir, com base em dados oficiais e projeções do setor.
Carne e café: os setores que escaparam
Carne bovina e café foram excluídos da tarifa de 25% dos EUA. A justificativa oficial: são produtos com baixo teor de aço e alumínio em sua cadeia produtiva, e os EUA não os consideram estratégicos para a medida. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e o segundo maior de café. Em 2025, as exportações de carne para os EUA somaram US$ 1,2 bilhão, enquanto as de café atingiram US$ 800 milhões (MDIC, 2025).
A decisão de poupar esses setores foi recebida com alívio pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "A exclusão de carne e café mostra que o governo americano reconhece a importância desses produtos para a relação bilateral", disse o presidente da CNA em nota. Mas o alívio pode ser temporário: se a tarifa for ampliada para outros setores, o cenário muda.
Indústria na mira: quem será atingido?
A indústria brasileira de transformação é a principal afetada. Setores como automotivo, máquinas e equipamentos, eletrônicos e construção civil dependem de aço e alumínio importados dos EUA ou de componentes que os contenham. A tarifa de 25% encarece insumos e reduz a competitividade.
Automotivo: o setor mais exposto
O setor automotivo brasileiro exportou US$ 3,5 bilhões para os EUA em 2025 (Anfavea, 2025). Carros, caminhões e autopeças contêm aço e alumínio em sua estrutura. Com a tarifa, o custo de produção sobe, e as montadoras podem repassar o aumento ao consumidor ou reduzir margens.
"O impacto direto é na cadeia de suprimentos", afirma o presidente da Anfavea. "Componentes como motores e transmissões, que usam aço especial, ficarão mais caros." A expectativa é de que as exportações para os EUA caiam entre 10% e 15% no segundo semestre de 2026.
Máquinas e equipamentos: risco de perda de mercado
O setor de máquinas e equipamentos, que exportou US$ 2,1 bilhões para os EUA em 2025 (Abimaq, 2025), também está na mira. Tratores, colheitadeiras e equipamentos industriais usam aço e alumínio de forma intensiva. A tarifa de 25% pode tornar os produtos brasileiros menos competitivos frente a concorrentes de outros países, como México e Canadá, que têm acordos comerciais com os EUA.
Eletrônicos e construção civil: efeito cascata
Eletrônicos, como computadores e celulares, e a construção civil, que usa aço em estruturas e alumínio em esquadrias, sentem o impacto indireto. O encarecimento de insumos pode reduzir a demanda e forçar empresas a buscar alternativas, como fornecedores locais ou de países não afetados pela tarifa.
Aço e alumínio: o alvo principal
A tarifa de 25% incide diretamente sobre aço e alumínio importados pelos EUA. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. Em 2025, as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 2,8 bilhões (MDIC, 2025). Já as de alumínio, US$ 600 milhões.
O setor siderúrgico brasileiro, representado pelo Instituto Aço Brasil, estima que a tarifa pode reduzir as exportações em 20% a 30% no curto prazo. "A medida é protecionista e fere as regras do comércio internacional", afirmou o presidente do instituto. A expectativa é de que o Brasil recorra à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a tarifa.
Impacto na economia brasileira
O impacto total da tarifa de 25% sobre a economia brasileira é incerto, mas projeções indicam perdas de US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões em exportações para os EUA em 2026 (Ipea, 2026). Setores como o automotivo e o de máquinas, que empregam milhares de trabalhadores, podem ser os mais afetados.
O governo brasileiro, por meio do Ministério da Economia, já sinalizou que buscará negociações bilaterais para reduzir o impacto. "Vamos defender nossos interesses com diálogo e, se necessário, com medidas de retaliação", disse o ministro em entrevista. Mas a escalada de tarifas pode prejudicar a relação comercial entre os dois países.
O que esperar?
A tarifa de 25% dos EUA sobre aço e alumínio é um sinal de que o protecionismo comercial está de volta. Carne e café foram salvos, mas a indústria brasileira precisa se preparar para um cenário de custos mais altos e menor competitividade. A diversificação de mercados, como Ásia e Europa, e a busca por acordos comerciais podem mitigar os danos.
Para quem investe ou trabalha nos setores afetados, a recomendação é cautela. Acompanhe as negociações entre Brasil e EUA e avalie alternativas de fornecimento. Cripto é tecnologia antes de ser aposta; comércio exterior é estratégia antes de ser lucro. Só invista o que você aceita perder.
Perguntas Frequentes
Quais setores foram poupados pela tarifa de 25% dos EUA?
Carne bovina e café foram excluídos da tarifa, conforme comunicado do governo americano.
Por que a indústria automotiva é a mais afetada?
O setor automotivo exportou US$ 3,5 bilhões para os EUA em 2025 e depende de aço e alumínio em seus produtos, que agora ficam mais caros.
A tarifa pode ser ampliada para outros setores?
Sim, o governo americano pode incluir novos produtos na lista se considerar que há risco à segurança nacional.
O Brasil pode retaliar?
Sim, o governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos, caso as negociações não avancem.
Como a tarifa afeta o consumidor brasileiro?
Indiretamente, o encarecimento de insumos pode elevar preços de carros, máquinas e equipamentos no mercado interno.
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