O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, pré-candidato à Presidência pelo Avante, colocou o agronegócio entre as principais bandeiras de sua corrida ao Palácio do Planalto. Em entrevista exclusiva ao Money Times, ele defendeu dobrar a produção brasileira de alimentos em oito a dez anos, elevar a cobertura do seguro rural para um intervalo entre 30% e 50%, fortalecer a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e criar 10 mil agroindústrias. Cury também classificou a situação financeira atual dos produtores como uma "crise sem precedentes" e disse que o campo vive um "caos".
A meta de produção exigiria aceleração relevante. Nas últimas duas décadas, a safra brasileira de grãos cresceu, em média, cerca de 5,8% ao ano. Para dobrar o volume em dez anos, seria necessário avançar 7,2% ao ano. Em oito anos, o ritmo teria de chegar a 9,1%.
Por que Cury se apresenta como candidato do agro
"Uma pessoa que nunca plantou uma horta não pode definir o futuro da agricultura", afirmou o pré-candidato, em frase repetida durante a campanha. Cury diz ter nascido e crescido no agro e cita projetos pessoais de seringueira, mogno africano, eucalipto, grãos, pecuária, citricultura e cacau no Cerrado.
O discurso sobre segurança alimentar global ocupa o centro da argumentação. Segundo ele, se a FAO estiver correta, o mundo precisará de 60% a 70% mais alimentos em 25 anos. "Não fecha a conta", disse, ao defender que o projeto para o agro é dobrar a produção "faça sol ou faça chuva".
Financiamento, seguro rural e juros
Cury afirma que os melhores projetos do agro às vezes não alcançam 5% a 7% de lucratividade por ano, enquanto o custeio mínimo está em 20%. Ele defende trazer pelo menos US$ 200 bilhões por ano de fundos soberanos estrangeiros, com segurança jurídica e proteção em dólar, para emprestar ao setor a juros de 4% a 6% ao ano.
Sobre o seguro rural, reconheceu uma tese apresentada pelo Money Times e disse que ela faz sentido: destinar parte do subsídio do Plano Safra empresarial ao seguro e preservar recursos da agricultura familiar. Hoje, segundo ele, o país não tem 3% de cobertura. "Precisaríamos expandir o seguro para 30%, 40% ou 50%, no mínimo", declarou.
Embrapa, fruticultura e os dois sonhos
O pré-candidato afirma que há um sucateamento da Embrapa e quer fortalecer também o IAC. Como exemplo, cita que o Brasil exporta entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão em frutas, enquanto o Peru exporta mais de US$ 7 bilhões, e defende exportar pelo menos US$ 10 bilhões em frutas.
Ele diz ter dois sonhos para o setor: transformar parte do semiárido em polo de fruticultura, horticultura, agroindústria e proteína animal, e fazer o país ter pelo menos 100 usinas de etanol de milho. Cury também menciona chamar China e Israel para apoiar pequenos produtores e a agricultura familiar.