Os contratos futuros de café e cacau fecharam a semana com perdas líquidas, após fortes altas nas semanas anteriores. Já o açúcar apresentou ganhos modestos. Não haverá negociação dos futuros de café arábica, açúcar bruto e cacau de Nova York na segunda-feira, por causa do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.
O açúcar bruto ficou praticamente inalterado nesta sexta-feira, fechando a 18,07 centavos por libra-peso. O mercado atingiu uma máxima de 16 meses, de 18,77 centavos, na quarta-feira, e encerrou a semana com ganho de 2,6%. A produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil, principal área produtora, caiu 7,9% na primeira quinzena de agosto, segundo o Ministério da Agricultura.
"À medida que o conflito entre os Estados Unidos e o Irã continua se arrastando, os preços elevados da energia manterão os incentivos para que as usinas brasileiras priorizem a produção de etanol em detrimento do açúcar", afirmou a BMI, unidade da Fitch Solutions. O Brasil exportou 2,7 milhões de toneladas de açúcar em agosto, 27% menos que no ano anterior. A BMI acrescentou que o El Niño representa riscos significativos para a produção de açúcar na Índia e na Tailândia.
O café arábica ficou praticamente inalterado em US$ 2,956 por libra-peso, após atingir na quinta-feira a menor cotação em cinco semanas, de US$ 2,8975. O mercado registrou perda semanal de 5,5%. O contrato está sob pressão devido à recuperação das exportações do Brasil e ao retorno das chuvas à região cafeeira. O Brasil exportou 45% mais café em agosto, totalizando 3,44 milhões de sacas. O corretor Michael Nugent destacou: "Temos estoques certificados de arábica genuinamente escassos, estoques ainda baixos nos mercados de destino e... o El Niño".
O café robusta fechou com alta de US$ 56, ou 1,7%, a US$ 3.430 por tonelada, após atingir a menor cotação em dois meses e meio na quinta-feira. O cacau de Londres ficou praticamente inalterado em £ 4.518 por tonelada, abaixo da máxima de um ano de £ 4.988, com queda de 7% na semana. Em Nova York, o cacau subiu 0,2%, para US$ 6.188, também com queda semanal de 7%.
Para o consumidor, a queda no café e no cacau pode aliviar os preços nas gôndolas nas próximas semanas, mas o açúcar em alta tende a pressionar o custo de alimentos processados. O El Niño, que deve se intensificar até 2027, segundo a Organização Meteorológica Mundial, mantém o alerta para a próxima safra.