# Café do Brasil: El Niño desafia, mas safras mostram resistência

> Café do Brasil demonstra resiliência diante dos desafios climáticos do El Niño. Safras de 2026 registram produtividade recorde, impulsionadas por avanços genéticos e técnicas de manejo. Dados da Conab e Embrapa confirmam a resistência da cultura, superando condições adversas e mantendo o país como líder global na produção de café.

*Viva Capital · Economia · 13 de julho de 2026 · Henrique Salomão*

O café do Brasil enfrenta os desafios do El Niño, mas as safras estão mais resistentes graças a avanços genéticos e manejo. Dados da Conab e Embrapa mostram produtividade recorde em 2026, apesar das condições climáticas adversas.

O café do Brasil enfrenta os desafios impostos pelo El Niño, mas as safras atuais estão mais resistentes, sustentadas por décadas de pesquisa genética e manejo adaptativo. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, mesmo com chuvas irregulares e temperaturas acima da média histórica, a produtividade média dos cafezais brasileiros atingiu patamares recordes na safra 2026. A resiliência observada não é fruto do acaso: ela resulta de um esforço contínuo de melhoramento varietal e de práticas agronômicas que transformaram o parque cafeeiro nacional.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), variedades como a Siriema e a Arara apresentam tolerância genética a estresses hídricos, com sistemas radiculares mais profundos que permitem acesso a água em camadas do solo menos afetadas pela seca. Isso significa que, mesmo em cenários de déficit hídrico moderado, a planta mantém a produção. Para quem vive da cafeicultura, essa é uma mudança de paradigma: há vinte anos, um El Niño de intensidade similar teria derrubado a safra em 30% ou mais.

### O novo perfil das lavouras de café

As lavouras de café do Brasil mudaram de perfil nas últimas duas décadas. A adoção de sistemas de irrigação localizada, como gotejamento, cresceu 40% nas principais regiões produtoras do Cerrado Mineiro e do Sul de Minas, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Essa tecnologia permite que o produtor ajuste a oferta de água conforme a demanda da planta, reduzindo o impacto de veranicos prolongados.

Outro fator relevante é o manejo integrado de pragas. O bicho-mineiro, principal praga do cafeeiro, encontra no calor do El Niño um ambiente favorável para proliferação. No entanto, o monitoramento com feromônios e a liberação controlada de vespas parasitoides, técnica difundida pela Embrapa, mantiveram as infestações abaixo do nível de dano econômico em 95% das propriedades assistidas. Isso evita perdas que, no passado, chegavam a 20% da produção.

### Impactos regionais: quem sente mais?

O impacto do El Niño não é uniforme. As regiões Norte e Noroeste do Paraná, que dependem mais de chuvas regulares, registraram queda de 12% na produtividade em comparação com a média histórica (Conab, Levantamento de Safras, mai/2026). Já o Cerrado Mineiro, com maior capacidade de irrigação, manteve a produtividade estável. Essa diferença mostra que a resistência das safras depende tanto da genética quanto da infraestrutura hídrica da propriedade.

Para o cafeicultor que planeja investir, a lição é clara: diversificar fontes de água e investir em variedades tolerantes ao calor não é mais opcional, é condição para permanecer no negócio. O custo de implantação de um sistema de gotejamento, em média R$ 8 mil por hectare, se paga em duas safras quando evita perdas como as observadas no Paraná.

### O papel da pesquisa no longo prazo

A resistência das safras de café do Brasil ao El Niño não aconteceu da noite para o dia. O programa de melhoramento genético da Embrapa Café, iniciado nos anos 1990, já lançou mais de 50 cultivares adaptadas a diferentes condições climáticas. A cultivar Siriema, por exemplo, foi desenvolvida especificamente para regiões sujeitas a estresse hídrico e apresenta produtividade 15% superior à média das variedades tradicionais em anos de seca.

Além da genética, a pesquisa em manejo do solo contribuiu para a resistência. A cobertura vegetal com braquiária entre as linhas de café reduz a temperatura do solo em até 4°C e aumenta a retenção de umidade, segundo estudos da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Essa prática, adotada por 60% dos cafeicultores do Sul de Minas, mitiga os efeitos do calor extremo.

### Perspectivas para as próximas safras

As projeções da Conab para a safra 2027 indicam manutenção da produtividade, desde que as condições climáticas não se agravem além do cenário atual. O fenômeno La Niña, que pode suceder o El Niño, traz riscos de geadas nas regiões Sul e Sudeste. Nesse contexto, a diversificação de cultivares e o seguro rural ganham relevância.

O seguro rural, que cobre perdas por eventos climáticos, ainda é subutilizado: apenas 15% da área plantada com café no Brasil está segurada (Ministério da Agricultura, PSR, 2025). Para quem planeja a sucessão familiar na propriedade, proteger a safra contra intempéries é tão importante quanto investir em tecnologia.

### Como o cafeicultor pode se preparar

Se você está pensando em renovar o cafezal ou expandir a área plantada, considere três passos práticos:

- Escolha cultivares adaptadas: priorize variedades como Siriema, Arara ou Catuaí 144, que apresentam tolerância comprovada ao calor e à seca.
- Invista em irrigação de precisão: sistemas de gotejamento ou pivô central, quando bem dimensionados, reduzem o risco de perda por veranico.
- Monitore pragas com tecnologia: armadilhas com feromônios e aplicação localizada de defensivos reduzem custos e preservam a lavoura.

Para quem já tem lavoura formada, o manejo do solo com cobertura vegetal e a adubação equilibrada com potássio ajudam a planta a atravessar períodos de estresse hídrico. O planejamento financeiro da propriedade deve incluir uma reserva para emergências climáticas, equivalente a pelo menos 20% do custo operacional anual.

### seguro rural para cafeicultura

### Perguntas Frequentes

### O El Niño sempre prejudica a safra de café?

Não. O impacto depende da intensidade do fenômeno e da região produtora. Em áreas com irrigação e cultivares tolerantes, a produtividade pode se manter estável. O El Niño de 2024-2026, por exemplo, teve efeitos moderados nas lavouras do Cerrado Mineiro.

### Quais variedades de café são mais resistentes ao calor?

As cultivares Siriema, Arara e Catuaí 144, desenvolvidas pela Embrapa, são as mais indicadas para regiões sujeitas a estresse hídrico. Elas apresentam sistemas radiculares profundos e maior eficiência no uso da água.

### O seguro rural cobre perdas por El Niño?

Sim, desde que a apólice inclua cobertura para eventos climáticos como seca e calor excessivo. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Ministério da Agricultura subsidia até 40% do prêmio para cafeicultores.

### A tecnologia de irrigação vale o investimento?

Sim. O custo médio de implantação de gotejamento é de R$ 8 mil por hectare, e o retorno vem em duas safras, considerando a redução de perdas por seca. Propriedades irrigadas no Cerrado Mineiro tiveram produtividade 25% superior às não irrigadas em 2026.

### O que fazer se a lavoura já foi afetada pelo calor?

Realize uma poda drástica para renovação dos ramos produtivos, seguida de adubação equilibrada com nitrogênio e potássio. Consulte um técnico da extensão rural para avaliar a necessidade de irrigação de salvamento.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/cafe-brasil-enfrenta-desafios-el-nino-mas-safras-estao-mais-resistentes/
