Os contratos futuros do café arábica na bolsa ICE atingiram novas mínimas de cinco semanas nesta quinta-feira. O movimento reflete condições climáticas favoráveis e perspectivas otimistas de oferta, enquanto o açúcar bruto recuou após registrar máximas de 16 meses na sessão anterior.
O café arábica fechou em queda de 2,75 centavos, ou 0,9%, a US$ 2,9535 por libra-peso, depois de tocar US$ 2,8975, nova mínima do período. A recuperação das exportações do Brasil, principal produtor, ajuda a aliviar a escassez de oferta no curto prazo. O retorno das chuvas também é sinal positivo para a floração, que define a safra do próximo ano, segundo corretores.
"Os armazéns (no Brasil) estão se enchendo e as exportações estão ganhando ritmo, afastando as preocupações com os baixos estoques certificados (na bolsa ICE) para cobrir as necessidades de entrega imediata", disse a analista de commodities agrícolas Judy Ganes. A safra brasileira de 2026/27 deve atingir recorde de 77,2 milhões de sacas, conforme a StoneX, que elevou a projeção em 2,6% ante março. O robusta caiu 0,9%, para US$ 3.374 a tonelada, após mínima de dois meses e meio.
O açúcar bruto fechou em queda de 0,63 centavo, ou 3,4%, a 18,07 centavos por libra, depois de alcançar na quarta-feira o maior nível desde abril de 2025, a 18,77. "Não há motivo fundamental para a queda. A retração parece ser mais um movimento de consolidação", avaliou o analista Michael McDougall. Os preços seguem apoiados por expectativa de déficit, com a Organização Internacional do Açúcar prevendo 300 mil toneladas a menos na safra 2026/27. A produção no centro-sul do Brasil caiu 7,9% em relação ao ano anterior no início de agosto, segundo o governo. O açúcar branco recuou 2,3%, a US$ 526,60 a tonelada.
O cacau em Londres fechou em baixa de 1,4%, a £ 4.514 por tonelada, após máxima de um ano. Em Nova York, caiu 1,6%, a US$ 6.174. A produção em Gana, segundo maior produtor, deve cair entre 18% e 38% na safra 2026/27, por envelhecimento das árvores, doenças e falhas na polinização. O El Niño preocupa, mas estoques globais amplos devem amortecer impactos, disse um executivo da Mondelez International. O mercado ainda espera excedente pequeno em 2026/27.