O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (31) que o ajuste fiscal no Brasil se dará pela redução nas despesas públicas e nos juros, paralelamente ao estímulo ao crescimento da economia. Na abertura do Macro Day 2026, do BTG Pactual, Alckmin criticou a atual taxa de juros, que pressiona o aumento da dívida pública e, consequentemente, sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB), que supera 82%.
"Há um princípio da medicina que vale para a economia: suprima a causa que o efeito cessa. É preciso agir na causa, melhorando a despesa e estimulando o crescimento da economia", disse Alckmin, citando que o governo federal prevê entregar o atual mandato com déficit primário zero e projeta superávit de 0,5% do PIB para 2027.
Alckmin lembrou do déficit de 9,7% do PIB em 2020, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), que sofreu impacto da pandemia de covid-19. "É um déficit que tem que ir para o Guinness Book. Covid teve no mundo inteiro e no México o déficit foi 0,5%", criticou o vice-presidente, que prometeu "superávits crescentes" caso seja reeleito juntamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Alckmin criticou a política do Banco Central de elevar a taxa básica de juros após altas na inflação ocorridas por fatores conjunturais, como os efeitos climáticos em alimentos e a Guerra no Irã, que pressionou os preços de petróleo e combustíveis. "Não sou economista, mas tem coisas que não adianta aumentar os juros. Elevar juros não vai fazer chover para ter mais alimentos e o petróleo é geopolítica", disse. "Juro é o problemão para economia e custo de capital tem de ser associado à questão fiscal e à dívida pública", completou.
O vice-presidente reforçou haver espaço para elevar o PIB com queda na despesa. "O Brasil é um dos países que menos sentiu os efeitos da guerra. Tem espaço para se segurar despesa e fazer o PIB crescer e o Brasil é o protagonista dos três desafios globais: segurança alimentar, energia limpa e terras raras e minerais críticos."
Sobre o tarifaço, Alckmin classificou como injusto o acúmulo de 37,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e citou que 52% dos produtos estão fora de taxações. Ele afirmou que "não tem tema proibido" na retomada das negociações entre as equipes dos dois governos, prevista para esta semana. O vice-presidente também citou medidas para mitigar o impacto, como os R$ 18,5 bilhões liberados em apoio a empresas atingidas, com juros de 6% a 9%, e o drawback, com postergação por um ano do pagamento de impostos.
Alckmin disse ainda que os EUA devem ser os maiores beneficiados pela aprovação do Redata no Congresso, programa de incentivo à instalação de data centers no Brasil, que pode trazer R$ 1 trilhão em investimentos. Por fim, ele defendeu a "defesa da democracia" como pauta da chapa com Lula, citando Mário Covas e criticando o ex-presidente Bolsonaro. "O que diferencia os homens e mulheres públicos é o compromisso com a democracia", concluiu.