# BTG Macro Day: Alckmin defende corte de gastos e juros

> Geraldo Alckmin, no BTG Macro Day 2026, defendeu corte de gastos públicos e redução da taxa de juros como medidas para ajuste fiscal. O vice-presidente criticou o patamar atual dos juros, que pressiona a dívida pública, e projetou superávit primário de 0,5% do PIB em 2027. A declaração reforça a necessidade de equilíbrio orçamentário.

*Viva Capital · Economia · 31 de agosto de 2026 · Patrícia Mendonça*

No BTG Macro Day 2026, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu ajuste fiscal via corte de despesas e redução dos juros. Ele criticou a taxa atual, que pressiona a dívida pública, e projetou superávit de 0,5% do PIB em 2027.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (31) que o ajuste fiscal no Brasil se dará pela redução nas despesas públicas e nos juros, paralelamente ao estímulo ao crescimento da economia. Na abertura do Macro Day 2026, do BTG Pactual, Alckmin criticou a atual taxa de juros, que pressiona o aumento da dívida pública e, consequentemente, sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB), que supera 82%.

"Há um princípio da medicina que vale para a economia: suprima a causa que o efeito cessa. É preciso agir na causa, melhorando a despesa e estimulando o crescimento da economia", disse Alckmin, citando que o governo federal prevê entregar o atual mandato com déficit primário zero e projeta superávit de 0,5% do PIB para 2027.

Alckmin lembrou do déficit de 9,7% do PIB em 2020, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), que sofreu impacto da pandemia de covid-19. "É um déficit que tem que ir para o Guinness Book. Covid teve no mundo inteiro e no México o déficit foi 0,5%", criticou o vice-presidente, que prometeu "superávits crescentes" caso seja reeleito juntamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Alckmin criticou a política do Banco Central de elevar a taxa básica de juros após altas na inflação ocorridas por fatores conjunturais, como os efeitos climáticos em alimentos e a Guerra no Irã, que pressionou os preços de petróleo e combustíveis. "Não sou economista, mas tem coisas que não adianta aumentar os juros. Elevar juros não vai fazer chover para ter mais alimentos e o petróleo é geopolítica", disse. "Juro é o problemão para economia e custo de capital tem de ser associado à questão fiscal e à dívida pública", completou.

O vice-presidente reforçou haver espaço para elevar o PIB com queda na despesa. "O Brasil é um dos países que menos sentiu os efeitos da guerra. Tem espaço para se segurar despesa e fazer o PIB crescer e o Brasil é o protagonista dos três desafios globais: segurança alimentar, energia limpa e terras raras e minerais críticos."

Sobre o tarifaço, Alckmin classificou como injusto o acúmulo de 37,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e citou que 52% dos produtos estão fora de taxações. Ele afirmou que "não tem tema proibido" na retomada das negociações entre as equipes dos dois governos, prevista para esta semana. O vice-presidente também citou medidas para mitigar o impacto, como os R$ 18,5 bilhões liberados em apoio a empresas atingidas, com juros de 6% a 9%, e o drawback, com postergação por um ano do pagamento de impostos.

Alckmin disse ainda que os EUA devem ser os maiores beneficiados pela aprovação do Redata no Congresso, programa de incentivo à instalação de data centers no Brasil, que pode trazer R$ 1 trilhão em investimentos. Por fim, ele defendeu a "defesa da democracia" como pauta da chapa com Lula, citando Mário Covas e criticando o ex-presidente Bolsonaro. "O que diferencia os homens e mulheres públicos é o compromisso com a democracia", concluiu.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/btg-macro-day-ajuste-fiscal-se-dara-reducao-despesas-queda-juros-afirma-alckmin/
