O petróleo Brent permanece acima de US$ 100 nesta quinta-feira (10), após um início de negociações em queda, enquanto os operadores se preparavam para interrupções ainda maiores na oferta. O movimento veio depois que Irã e Estados Unidos lançaram seus maiores ataques contra embarcações desde o início do conflito entre os dois países, há seis meses.
Os contratos futuros do Brent subiam 0,11%, para US$ 101,30 por barril, às 4h56 (horário de Brasília). O West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, estava a US$ 96,26, com alta de 0,22%.
Os preços do Brent dispararam quase 30% em relação às mínimas do início de agosto, à medida que um acordo permanente entre Estados Unidos e Irã para cessar os ataques nunca se concretizou e os combates foram retomados mais tarde naquele mês.
O Irã afirmou nesta quarta-feira (9) que havia atacado 10 navios perto do Estreito de Ormuz, depois que os Estados Unidos afundaram cinco petroleiros iranianos. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que intensificaria sua resposta a quaisquer novos ataques. O presidente Donald Trump alertou que os Estados Unidos poderiam atacar a montanha Pickaxe, pedindo a Teerã que tivesse cautela.
Prêmio de risco geopolítico e o Estreito de Ormuz
"As hostilidades renovadas entre Estados Unidos e Irã, após quase um mês de relativa calma, elevaram novamente o prêmio de risco geopolítico no petróleo bruto", disse Sugandha Sachdeva, fundadora da SS WealthStreet, empresa de pesquisa sediada em Nova Délhi.
Os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, a via marítima que antes da guerra transportava aproximadamente um quinto do fornecimento global de petróleo e gás, permanecem muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. A pressão aumenta sobre os canais alternativos para as exportações do Golfo, com militantes houthis alinhados ao Irã intensificando ataques contra a Arábia Saudita e ameaçando embarques de petróleo bruto pelo Mar Vermelho.
O que sustenta a alta daqui para frente
Apesar dos temores de interrupções prolongadas na oferta do Golfo, analistas afirmam que a sustentação da alta dependerá da China. No mercado físico, o benchmark do Brent datado, referência usada para precificar cerca de dois terços da oferta, permanece acima de US$ 100 desde 3 de setembro, segundo dados da LSEG.
A China, maior importadora mundial de petróleo bruto, intensificou as compras nas últimas semanas, após meses de demanda fraca, impulsionando os mercados físicos, segundo analistas do ING. Se as compras chinesas continuarem se recuperando, isso poderá ampliar o impacto de quaisquer interrupções na oferta e elevar ainda mais os preços. Uma redução nas importações, por outro lado, poderá limitar os ganhos do mercado.