# Brasil vai ao Sudoeste Asiático mirando virar parceiro pleno da Asean

> O Brasil busca tornar-se Parceiro de Diálogo Pleno da Asean durante viagem do chanceler Mauro Vieira ao Sudoeste Asiático. A agenda inclui reabrir o mercado tailandês à carne brasileira e ampliar a cooperação com o bloco, quinto maior parceiro comercial do país.

*Viva Capital · Economia · 11 de setembro de 2026 · Thiago Vasques*

Chanceler Mauro Vieira percorre o Sudoeste Asiático nesta semana para reabrir o mercado tailandês à carne brasileira e destravar o status de Parceiro de Diálogo Pleno da Asean, bloco que já é o quinto maior parceiro comercial do Brasil.

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, faz visita oficial ao Sudoeste Asiático nesta semana. A comitiva persegue dois objetivos concretos: reabrir o mercado da Tailândia para a carne brasileira, fechado em 2024, e avançar na negociação para o Brasil virar Parceiro de Diálogo Pleno da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

O status pleno é restrito: apenas 12 países ou blocos o detêm, nenhum da América Latina. A lista inclui Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Turquia e Nações Unidas. O Brasil é parceiro de diálogo setorial desde 2022, um degrau abaixo.

A viagem começou por Singapura, onde Vieira foi recebido pelo ministro de Relações Exteriores Vivian Balakrishnan e por representantes de cerca de 20 empresas dos dois países. Singapura tem o tamanho da cidade de Campinas (SP), mas é o segundo principal parceiro comercial do Brasil na Ásia, atrás só da China, e o primeiro na Asean. O fluxo comercial entre os dois países somou US$ 10,7 bilhões no ano passado, alta de 23% sobre 2024.

Em conferência com líderes políticos e empresariais, Vieira defendeu a inclusão brasileira: "Dos doze Parceiros de Diálogo da Associação, nenhum vem da América Latina, do Caribe ou da África. O Brasil está disposto e é capaz de preencher essa lacuna, com pleno respeito a uma decisão que cabe aos onze membros da Associação".

O comércio com a Asean cresceu 10 vezes entre 2003 e 2025, de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, a uma média de 12% ao ano. O bloco é o quinto principal parceiro comercial do Brasil, atrás de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul. Entre 2023 e 2025, as exportações para os cinco maiores mercados da Asean (Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia) somaram US$ 68,5 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 36 bilhões. No mesmo período, o comércio com cinco parceiros do G7 (Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França) gerou déficit de US$ 36,6 bilhões.

O governo avalia que a aprovação pode sair na próxima cúpula da Asean, entre 10 e 12 de novembro, nas Filipinas, ou a partir de janeiro de 2027, quando Singapura assume a presidência do bloco. Para Vieira, o comércio com a Asean deve superar o dos EUA e da Europa "num futuro próximo". A viagem ocorre em meio aos esforços brasileiros para diversificar a pauta comercial diante das tarifas do governo Donald Trump. Em agosto, o secretário-geral da Asean, Kao Kim Hourn, esteve em Brasília.

Da capital singapurense, Vieira seguiu para a Tailândia, onde fez visita oficial entre 8 e 10 de setembro e se reuniu com empresários e ministros em Bangkok, incluindo o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow. O Itamaraty informou que espera aprofundar relações em comércio, investimentos, ciência, tecnologia, inovação e segurança alimentar. A cooperação contra o crime organizado internacional, incluindo tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas, também entrou na agenda.

"O governo tailandês vem prestando apoio ao Brasil e mantido diálogo na área consular, que têm sido decisivos em diversas situações de resgate de trabalhadores", diz nota do Ministério das Relações Exteriores. Nos últimos meses, foram registrados casos de brasileiros atraídos por promessas de emprego no Sudeste Asiático que acabaram explorados em condições análogas à escravidão, um alerta para quem recebe oferta de trabalho na região.

A Tailândia tem mais de 71 milhões de habitantes, área próxima à da Bahia e fluxo comercial de US$ 5,7 bilhões com o Brasil em 2025. Vieira publicou artigo no Bangkok Post defendendo que, "em um mundo marcado por tensões geopolíticas e pressões protecionistas, relações mais próximas entre a América Latina e o Sudeste Asiático podem ampliar nossa autonomia, apoiar nosso direito ao desenvolvimento e dar ao Sul Global uma voz mais forte".

Os membros da Asean são Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos. A parceria de livre comércio Mercosul-Singapura começou em agosto deste ano, o que deve reforçar os laços da América do Sul com o bloco. Singapura tem PIB de US$ 603 bilhões, próximo ao da Argentina (US$ 683 bilhões), segundo o Banco Mundial para 2025.

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