# Brasil segura aprovação de indicado de Trump para embaixador e país pode ficar sem representante até a eleição

> O governo brasileiro retém a aprovação formal do indicado de Donald Trump para embaixador dos EUA. O impasse pode deixar o Brasil sem representante norte-americano até as eleições de outubro, agravando a deterioração da relação bilateral marcada por tarifas e vistos negados.

*Viva Capital · Economia · 30 de julho de 2026 · Henrique Salomão*

O governo brasileiro retém há semanas a aprovação formal para o próximo embaixador dos EUA, em mais um capítulo da deterioração da relação bilateral. O impasse pode deixar o Brasil sem representante norte-americano até as eleições de outubro, em meio a tarifas, vistos negados e a

## Brasil segura aprovação de indicado de Trump para embaixador e país pode ficar sem representante até a eleição

O governo brasileiro retém, há semanas, a aprovação formal necessária para a nomeação do próximo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. O impasse diplomático, que envolve a quebra de protocolos e crescente irritação de ambos os lados, pode deixar o país sem representante norte-americano até as eleições de outubro.

**O Brasil retém a aprovação formal (agrèment) para Daniel Perez, indicado de Trump para embaixador, desde 1º de junho. O governo brasileiro não tem prazo para decidir e pode manter o país sem representante norte-americano até as eleições de outubro. O impasse soma-se a tarifas, vistos negados e acusações de interferência eleitoral.**

## O que está por trás da retenção do agrèment

Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e aliado do secretário de Estado Marco Rubio, foi indicado pelo presidente Donald Trump em 1º de junho. Sua nomeação foi anunciada antes mesmo de o Brasil ser consultado formalmente, uma prática diplomática conhecida como "agrèment", prevista na Convenção de Viena.

O processo do agrèment, que rege as regras da diplomacia, costuma ser mantido em sigilo por protocolo, até que o país anfitrião aceite a indicação. A quebra desse protocolo foi vista como desrespeitosa, embora não tenha sido direcionada apenas ao Brasil, o governo Trump teria agido da mesma forma com outros países.

O pedido foi enviado a Brasília cerca de 10 dias após o anúncio e está sendo analisado desde então pelas autoridades brasileiras. De acordo com fontes brasileiras ouvidas pela Reuters, essa análise não tem prazo para terminar e depende exclusivamente da decisão do Brasil. Uma das fontes afirmou que a decisão pode não ser tomada até a eleição de outubro.

"Nós não estamos dizendo que não vamos dar o agrèment, mas não tem prazo. Nem a Convenção de Viena determina prazo. Cabe ao país anfitrião decidir", disse uma das fontes.

## As quebras de protocolo que irritaram o governo brasileiro

Ainda sem o agrèment, o governo norte-americano deu sequência à indicação de Perez. Ele já passou por uma sabatina no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA e precisa agora ter seu nome aprovado em plenário, outra quebra de protocolo que irritou o governo brasileiro.

Do outro lado, nos últimos dias, algumas autoridades do governo Trump também têm demonstrado crescente irritação com o que interpretam como protelação por parte do Brasil, segundo duas fontes. Uma delas acrescentou, sem dar mais detalhes, que o governo poderá tomar medidas punitivas contra o Brasil já no final da semana, caso a questão não seja resolvida em breve.

As ameaças não chegaram ainda ao governo brasileiro, disseram as fontes brasileiras, mas não vão mudar a postura do governo. "Nós não vamos lidar com isso na base da ameaça", disse uma dessas fontes, lembrando que os EUA ficaram um ano e meio sem embaixador no Brasil, mas decidiram pela nomeação justamente no período eleitoral.

## O contexto eleitoral e a deterioração da relação bilateral

Ainda que não manifestado diretamente, o governo brasileiro não tem pressa em aceitar no país durante o processo eleitoral um aliado de Rubio. O Departamento de Estado é visto como o principal foco de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, nos EUA, e origem de tentativas de interferência no processo eleitoral.

Na noite de quarta-feira (29), Lula confirmou a informação dada pela Reuters de que o Brasil havia negado o visto a dois representantes do Departamento de Estado que pretendiam vir ao Brasil debater o sistema eleitoral e encontrar Flávio Bolsonaro.

"Nesta semana tivemos que negar o visto para dois jovens que eles estão mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras", disse o presidente durante a convenção nacional do PSB.

A informação de que o Departamento de Estado planejava enviar Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-assistente adjunto, foi adiantada pelo jornal Washington Post.

## Tarifas, vistos e a escalada de tensões

Depois de uma breve lua de mel, com o bom relacionamento entre Lula e Trump, a relação entre os dois países se deteriorou nos últimos meses. O governo brasileiro identifica em Rubio a origem das pressões contra o país.

Questionado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que não comentaria o assunto, "pois o processo está protegido pelo princípio de confidencialidade estabelecido na Convenção de Viena".

O impasse sobre o embaixador soma-se a semanas de deterioração na relação bilateral. Em junho, o Departamento de Estado designou duas facções do crime organizado brasileiro como organizações terroristas, apesar da oposição do governo brasileiro.

Este mês, Washington impôs uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais, em uma medida classificada pelo Brasil como injusta e arbitrária. Na semana passada, anunciou uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a preocupações com trabalho forçado.

Dias depois, dois integrantes do governo brasileiro disseram à Reuters que o Brasil negou pedidos de visto para duas autoridades norte-americanas que planejavam viajar ao país para, segundo as fontes brasileiras, questionar a integridade do sistema eleitoral.

Lula classificou as recentes tarifas de Washington sobre produtos brasileiros como resultado de uma "conspiração" entre os Bolsonaro e Trump. As pesquisas mostram Lula com uma vantagem pequena, mas constante, sobre Flávio Bolsonaro.

## O que Daniel Perez disse no Senado dos EUA

Em sua audiência no comitê parlamentar neste mês, Perez disse aos senadores que a eleição brasileira de outubro seria uma das primeiras prioridades caso sua nomeação seja confirmada. Ele afirmou que os Estados Unidos deveriam apoiar as condições para eleições livres e justas, ao mesmo tempo que fortaleceriam a cooperação comercial e de segurança com Brasília.

"Temos, de fato, um superávit comercial com o Brasil, mas, mesmo assim", disse Perez, "há alguns setores com uma lacuna significativa", referindo-se aos setores de energia e agricultura.

## O que esperar daqui para frente

A soberania nacional tornou-se um dos principais lemas da campanha de Lula na busca por seu quarto mandato não consecutivo na eleição de outubro. Já Flávio Bolsonaro tem procurado retratar Trump como um aliado fundamental.

A disputa sobre a relação com os EUA deve surgir como um dos temas centrais na eleição. Enquanto isso, o Brasil mantém o agrèment retido, sem prazo para decisão, e o país pode ficar sem representante norte-americano até outubro.

Para quem acompanha as relações internacionais, fica claro que o timing político é tão relevante quanto o jurídico. O impasse atual não é apenas sobre um nome, é sobre o tom que a relação Brasil-EUA terá nos próximos anos.

## Perguntas Frequentes

### O que é o agrèment?

É o processo formal pelo qual um país anfitrião aprova a indicação de um embaixador estrangeiro, previsto na Convenção de Viena. Costuma ser mantido em sigilo até a aceitação.

### Por que o Brasil está segurando a aprovação?

O governo brasileiro não deu prazo para a decisão. Fontes indicam que a retenção está ligada ao contexto eleitoral e à percepção de que o indicado é aliado de Rubio, visto como fonte de pressões contra o Brasil.

### O que acontece se o agrèment não for concedido?

O país pode ficar sem embaixador norte-americano até as eleições de outubro. O atual encarregado de negócios segue no posto, mas sem a autoridade plena de um embaixador.

### Quais outras medidas os EUA tomaram contra o Brasil recentemente?

Tarifas de 25% sobre diversos produtos, tarifa adicional de 12,5% por trabalho forçado, e designação de facções criminosas como organizações terroristas.

### Como a eleição brasileira influencia esse impasse?

A soberania nacional é um lema da campanha de Lula, enquanto Flávio Bolsonaro busca se alinhar a Trump. O timing da nomeação é visto como politicamente sensível.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/brasil-segura-aprovacao-indicado-trump-embaixador-pais-pode-ficar-sem-representa/
