# Brasil deve dobrar investimentos em infraestrutura, diz CNI

> A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Brasil precisa mais que dobrar o investimento em infraestrutura, hoje em 2,27% do PIB, para zerar o déficit histórico do setor. O estudo aponta que o país investiu R$ 266,8 bilhões em 2024 e precisaria sustentar um patamar superior por pelo menos duas décadas.

*Viva Capital · Economia · 15 de setembro de 2026 · Adriana Buarque*

Segundo estudo da CNI, o Brasil investiu R$ 266,8 bilhões em infraestrutura em 2024, o equivalente a 2,27% do PIB. Para zerar o déficit histórico, o país precisaria mais que dobrar esse patamar e sustentá-lo por pelo menos duas décadas.

O Brasil investiu R$ 266,8 bilhões em infraestrutura em 2024, o equivalente a 2,27% do PIB. Para reduzir o déficit histórico do setor e se aproximar dos padrões internacionais, o país precisa mais que dobrar esse valor: a CNI estima que o patamar ideal seja 4,65% do PIB, cerca de R$ 550 bilhões por ano, mantido por pelo menos duas décadas.

O diagnóstico está no estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade propõe um novo regime de financiamento que combine recursos públicos e privados, amplie o mercado de capitais e crie condições para projetos de longo prazo.

## O que mudou no financiamento desde 2010

A composição das fontes mudou de forma estrutural na última década. Em valores atualizados para 2024, as fontes privadas saltaram de uma média de R$ 88,6 bilhões entre 2010 e 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024. No mesmo intervalo, os recursos públicos recuaram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões. As instituições multilaterais responderam por R$ 8,4 bilhões no ano passado.

Na prática, a participação privada passou de 29,3% (2010-2014) para 61,5% em 2024. Nenhuma fonte, isoladamente, dá conta do recado, segundo a CNI. O estudo cita o papel do BNDES e de outras instituições públicas de desenvolvimento na redução de riscos, estruturação de projetos e mobilização de capital privado.

## O que a CNI propõe e o que diz Ricardo Alban

A entidade defende um modelo em que o investimento público continue estratégico, mas com maior capacidade de atrair capital privado. Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o país precisa de responsabilidade fiscal, instituições sólidas e segurança jurídica para mobilizar mais recursos privados, sem abrir mão do papel estratégico dos investimentos públicos. Alban também defende uma política de Estado, conduzida por diversos governos, para dar continuidade aos projetos.

A análise reúne experiências de Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França. Apesar das diferenças entre os modelos, a CNI identifica fatores comuns nos países que ampliaram a capacidade de financiamento: estabilidade econômica, instituições confiáveis, previsibilidade regulatória, mercado de capitais desenvolvido e instrumentos de longo prazo.

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