O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) decidiu manter sua principal taxa de juros em 3,75% pela sexta vez consecutiva, ao fim da reunião de política monetária desta quinta-feira (17). A decisão veio em linha com a previsão de economistas compilados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O último ajuste ocorreu em dezembro, quando o BoE cortou a taxa básica em 25 pontos-base.
A decisão britânica contrasta com a postura de aperto monetário adotada nos Estados Unidos e na zona do euro. Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) elevou os juros nos EUA pela primeira vez em três anos. Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas da zona do euro pela segunda vez neste ano.
Por que o BoE ficou parado enquanto Fed e BCE subiram
Embora a inflação anual no Reino Unido tenha acelerado nos últimos meses, atingindo 3,1% em agosto, economistas avaliam que o risco de efeitos de segunda ordem sobre os preços segue baixo. As incertezas em torno do conflito no Oriente Médio e da volatilidade nos preços do petróleo entram na conta, mas não foram suficientes para justificar um novo aperto.
O raciocínio é simples: quando a inflação sobe por choque pontual de custo, e não por demanda aquecida, o banco central tende a esperar antes de mexer no juro. É o que o BoE fez pela sexta vez.
O que isso significa para quem investe ou viaja
A pausa do BoE em 3,75% mantém o juro real britânico em terreno positivo, já que a inflação de 3,1% em agosto ficou abaixo da taxa básica. Na prática, quem tem exposição a ativos em libras ou planeja viagem ao Reino Unido segue com referência de juro estável, sem o repique que Fed e BCE impuseram a suas moedas.
Aqui no Brasil, o Copom define o futuro da Selic, e a leitura é a mesma que orienta qualquer decisão fiscal: imposto bem entendido é imposto bem pago, e o mesmo vale para juro. Quem chuta no cenário externo costuma errar a mão na declaração. Vale conferir a análise da decisão do Copom Copom e Selic antes de reposicionar a carteira.
Se você tem investimento no exterior, lembre que rendimento e variação cambial entram na declaração de bens e direitos e na de ganhos de capital. A regra vigente exige informar o saldo em 31 de dezembro e tributar o ganho na alienação. Na dúvida, consulte um contador antes de fechar o ano-calendário.