O candidato à Presidência pelo partido Avante, Augusto Cury, afirmou que pretende reajustar o salário mínimo pela inflação e mais 1% ao ano, caso seja eleito. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela TV Globo na noite deste sábado, 29. A proposta, segundo ele, seria necessária para fortalecer a classe média e garantir ganho real ao trabalhador.
Cury disse que a política de valorização do salário mínimo seria necessária para fortalecer a classe média. Segundo o candidato, o ganho real poderia resultar em uma alta acumulada de 50% a 60% ao longo de quatro anos. "Se controlarmos as contas públicas e formos mais responsáveis, certamente vai haver espaço para você ter, pelo menos, 1% ao ano a mais do que a inflação", disse o candidato. Nos próximos oito a dez anos, o candidato enxerga que o salário mínimo brasileiro pode alcançar US$ 300.
O que significa reajuste pela inflação e mais 1% ao ano
Para entender a proposta, é preciso separar os dois componentes. O primeiro é a reposição da inflação, ou seja, o percentual que mede a alta dos preços no período. No Brasil, o índice oficial de referência é o IPCA, calculado pelo IBGE. O segundo é o ganho real, que vem por cima da inflação e representa aumento efetivo do poder de compra.
Segundo dados do IBGE, o IPCA registrou variação de 0,072 em julho de 2026. Em junho, a variação foi de 0,162. Já em maio, o índice ficou em 0,582. Os números mostram que a inflação mensal tem oscilado, e o reajuste proposto por Cury seguiria essa variação acumulada no ano.
Na prática, se a inflação de um ano for de 5%, o salário mínimo subiria 5% mais 1%, totalizando 6% de reajuste. O ganho real de 1% ao ano, acumulado por quatro anos, geraria um aumento real de aproximadamente 4% sobre o valor inicial, antes de considerar os efeitos compostos. Cury, no entanto, projeta um cenário mais otimista, com alta acumulada de 50% a 60% em quatro anos, o que dependeria de um controle rígido das contas públicas e de um ambiente econômico favorável.
A visão de Cury sobre telemedicina e o SUS
O candidato à Presidência pelo partido Avante, Augusto Cury, negou ter vínculo atual com uma empresa de telemedicina da qual já foi sócio. Durante a sabatina, ele disse que não é mais embaixador do programa da companhia. Questionado sobre eventual conflito de interesse ao propor a ampliação da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS), Cury disse que sua experiência com a empresa lhe permite afirmar que o modelo pode ser aplicado de forma "barata" e "eficiente".
Cury afirmou que uma telemedicina estruturada pelo governo poderia resolver 80% dos casos de atendimento no SUS. Segundo ele, o serviço teria médicos disponíveis 24 horas por dia e uso de inteligência artificial. Questionado sobre a compatibilidade da proposta com as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), que preservam a assistência presencial, Cury disse que o órgão "precisa ser atualizado" diante do avanço tecnológico.
A proposta de telemedicina, se aplicada, poderia reduzir a pressão sobre hospitais e postos de saúde, mas depende de mudanças regulatórias e da aceitação da classe médica. O CFM, historicamente, defende a presencialidade como regra, e qualquer flexibilização exigiria negociação com o órgão.
Educação: programas gratuitos para escolas públicas
Na educação, Cury negou que pretenda comercializar para escolas públicas os programas de ensino e desenvolvimento emocional que criou. Ele afirmou que ofereceria gratuitamente às escolas públicas um programa baseado em métodos que desenvolveu, mas disse que não está propondo a adoção obrigatória de seu modelo. Segundo o candidato, eventuais mudanças deveriam envolver a revisão da Base Nacional Curricular e a participação de especialistas e do Conselho Nacional de Educação.
A proposta de oferecer o programa gratuitamente pode ser vista como uma forma de ampliar o alcance de suas metodologias, mas Cury foi enfático ao negar a obrigatoriedade. A revisão da Base Nacional Curricular, citada por ele, seria o caminho para incorporar o ensino emocional de forma estruturada, com aval de especialistas.
Previdência: Cury é contra nova reforma
Augusto Cury afirmou que não é favorável a uma nova Reforma da Previdência "em hipótese alguma". Para enfrentar o déficit previdenciário, defendeu o aumento da produtividade das empresas, com uso de inteligência artificial e robótica, além do estímulo ao empreendedorismo. Em sabatina promovida pela TV Globo na noite deste sábado, 29, o candidato apontou que uma nova reforma penalizaria pessoas próximas da aposentadoria.
A posição de Cury contrasta com a de outros candidatos que defendem ajustes nas regras previdenciárias. Ele aposta em crescimento econômico e inovação como formas de equilibrar as contas, sem mexer nos direitos de quem está perto de se aposentar.
BNDES dividido e política externa
O candidato afirmou também que dividiria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas instituições, uma voltada a grandes empresas e outra para microempresas. A proposta, segundo ele, ajudaria a financiar 10 milhões de microempresas no País.
Na política externa, Cury afirmou que o Itamaraty é especializado em pacificação, mas deveria desenvolver maior capacidade de promover comercialmente o Brasil no exterior. "Nós somos peritos em pacificação, mas nós temos que ser peritos em vender o Brasil lá fora de maneira adequada e inteligente", disse.
Perguntas Frequentes
Augusto Cury vai reajustar o salário mínimo pela inflação e mais 1%?
Sim, o candidato do Avante afirmou que, se eleito, pretende reajustar o salário mínimo pela inflação e mais 1% ao ano. A declaração foi feita em sabatina da TV Globo.
Quanto o salário mínimo pode aumentar com a proposta de Cury?
Segundo Cury, o ganho real de 1% ao ano, acumulado em quatro anos, poderia resultar em alta de 50% a 60%. Ele também projeta que o salário mínimo pode chegar a US$ 300 em oito a dez anos.
O que é o ganho real do salário mínimo?
O ganho real é o aumento que vem acima da inflação. Se a inflação é de 5% e o reajuste é de 6%, o ganho real é de 1%. Isso significa que o poder de compra do trabalhador aumenta de fato.
Cury defende nova reforma da Previdência?
Não. Cury afirmou que não é favorável a uma nova Reforma da Previdência e defende o aumento da produtividade e o estímulo ao empreendedorismo para enfrentar o déficit.
O que Cury propõe para a telemedicina no SUS?
Cury propõe uma telemedicina estruturada pelo governo, com médicos 24 horas e inteligência artificial, que poderia resolver 80% dos casos de atendimento no SUS. Ele disse que o CFM precisa ser atualizado diante do avanço tecnológico.