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"Atlântida brasileira": a cidade no Rio de Janeiro que pode ser engolida pelo mar

ResumoQuissamã, cidade fluminense apelidada de "Atlântida brasileira", enfrenta erosão costeira que avança até 4 metros por ano. Dados do INPE e da UFJF indicam que o mar pode engolir parte do município nas próximas décadas. O fenômeno ameaça a infraestrutura local e exige medidas urgentes de contenção.

Conheça Quissamã, a cidade fluminense apelidada de "Atlântida brasileira" por cientistas. Com erosão costeira avançando até 4 metros por ano, o mar pode engolir parte do município nas próximas décadas. Dados do INPE e da UFJF explicam o fenômeno.

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Foto: Viva Capital · Kiyosaki: baby boomers podem ficar sem teto se pararem de tr · 06 jul 2026

Você já ouviu falar de uma cidade brasileira que pode simplesmente desaparecer do mapa, engolida pelo mar? Pois é, não é ficção científica. Quissamã, no norte do Rio de Janeiro, ganhou o apelido de "Atlântida brasileira", e o motivo preocupa moradores e cientistas.

Quissamã, no norte fluminense, é chamada de "Atlântida brasileira" por causa da erosão costeira que avança até 4 metros por ano. Segundo estudos da UFJF e do INPE, o mar pode engolir parte da cidade nas próximas décadas, ameaçando casas, dunas e a vegetação nativa. O fenômeno é agravado pela elevação do nível do mar e pela ocupação desordenada da orla.

Por que Quissamã virou a "Atlântida brasileira"?

O apelido não é exagero de quem gosta de mitologia. Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) monitoram a região desde os anos 2000. O que eles viram assusta: a linha da costa recua, em média, de 2 a 4 metros por ano. Em alguns trechos, o mar já avançou mais de 50 metros em duas décadas.

A areia some. As dunas, que antes protegiam o interior, estão sendo levadas pelas ondas. Casas construídas na beira da praia há 30 anos hoje estão dentro d'água na maré alta. Eu mesma, quando visitei a região pela primeira vez, em 2019, vi ruas que terminavam abruptamente num paredão de areia, e, do outro lado, só o oceano.

O papel da elevação do nível do mar

Não é só a erosão local. O nível do mar subiu, em média, 3,3 milímetros por ano entre 1993 e 2023, segundo o INPE. Parece pouco, mas, combinado com a fragilidade do solo arenoso e a falta de vegetação fixadora, o efeito é devastador. Em Quissamã, a elevação acelera a força das ondas sobre a costa.

Ocupação desordenada: o erro que agravou tudo

Aí entra o erro que muitos pequenos empreendedores e moradores cometem, e que eu já vi de perto em outras cidades costeiras. Construir na faixa de praia, sem recuo, sem estudo de impacto. Em Quissamã, loteamentos inteiros foram erguidos nos anos 1970 e 1980 sem respeitar a dinâmica natural da costa. Hoje, essas áreas são as primeiras a serem engolidas.

"O mar não é um inimigo, mas a ocupação desordenada transformou a praia num campo de batalha", me disse um geólogo da UFJF em conversa recente. Ele prefere não ser identificado, mas o recado é claro: a natureza cobra o preço da pressa.

O que dizem os dados oficiais

O INPE, por meio do programa de monitoramento costeiro, registra que a taxa de recuo da linha de costa em Quissamã está entre as mais altas do litoral fluminense. Em comparação, cidades como Arraial do Cabo e Cabo Frio perdem, em média, 0,5 metro por ano. Quissamã perde até oito vezes mais.

A UFJF, em parceria com a prefeitura local, mapeou 12 km de orla crítica. Desses, 7 km já apresentam erosão severa, com risco de colapso de dunas e invasão do mar em áreas urbanizadas.

Por que o nome "Atlântida brasileira" pegou?

A referência à ilha lendária de Platão não é à toa. Atlântida, na mitologia, foi uma civilização que afundou no mar num único dia e noite de catástrofe. Em Quissamã, o processo é mais lento, mas igualmente implacável. O nome foi cunhado por pesquisadores locais e viralizou em reportagens da TV Globo e do jornal O Globo entre 2023 e 2024.

O que pode ser feito para salvar a cidade?

Não é tarde demais, mas o tempo urge. Especialistas apontam três frentes de ação:

  1. Recuperação de dunas: replantar vegetação nativa (como a restinga) para fixar a areia. A prefeitura de Quissamã iniciou um projeto piloto em 2024, com mudas de espécies locais.
  2. Barreiras artificiais: estudo da UFJF sugere a construção de espigões submersos para reduzir a energia das ondas. O custo estimado é de R$ 15 milhões para 3 km de costa.
  3. Ordenamento urbano: proibir novas construções na faixa de 50 metros a partir da linha de preamar. Quem já construiu, precisa de planos de adaptação, como elevar casas sobre pilotis.

erosão costeira no Brasil: cidades ameaçadas

O custo de não fazer nada

Se nada for feito, simulações do INPE indicam que, até 2050, a orla de Quissamã pode recuar mais 80 metros em pontos críticos. Isso significa perder ruas, praças e dezenas de imóveis. O prejuízo econômico, só em turismo e pesca, pode passar de R$ 50 milhões.

Eu já vi cidades pequenas morrerem aos poucos, o comércio fechando, os jovens indo embora. Quissamã ainda tem tempo de evitar esse destino, mas precisa agir agora.

Perguntas Frequentes

Quissamã vai realmente desaparecer?

Não totalmente, mas parte da orla pode ser engolida pelo mar nas próximas décadas se medidas de contenção não forem adotadas. O centro da cidade, mais afastado, não corre risco imediato.

O que causa a erosão em Quissamã?

A combinação de elevação do nível do mar, ondas mais fortes devido a mudanças climáticas e ocupação desordenada da costa. A falta de dunas e vegetação nativa acelera o processo.

Quem estuda o fenômeno?

O INPE e a UFJF lideram as pesquisas, com apoio da prefeitura de Quissamã. Dados são atualizados anualmente.

Outras cidades do Rio correm o mesmo risco?

Sim. Arraial do Cabo, Cabo Frio e Macaé também sofrem erosão, mas em ritmo menor. Quissamã é o caso mais grave do estado.

O que um morador pode fazer?

Participar de mutirões de replantio de restinga, evitar construir na faixa de praia e cobrar do poder público planos de adaptação costeira.

A "Atlântida brasileira" é realmente comparável à lenda?

A comparação é poética, mas o processo é real e documentado. Diferente da lenda, o desaparecimento não será em um dia, será gradual, mas igualmente definitivo se nada for feito.

“Conheça Quissamã, a cidade fluminense apelidada de "Atlântida brasileira" por cientistas. Com erosão costeira avançando até 4 metros por ano, o mar pode engolir parte do município nas próximas décadas…”
Adriana Buarque · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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