Armínio Fraga: Caso Master foi falha grotesca de aplicação de regulação
O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou nesta terça-feira (11) que o escândalo do banco Master foi uma falha "grotesca" de aplicação da regulação, e não de falta de regras. A declaração ocorreu durante um debate sobre regulação de mercados promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee).
O que disse Armínio Fraga sobre o caso Master
"Não diria que o caso Master, que está tão em voga, foi uma falha de regulação. Mas foi uma falha da aplicação de uma regulação. Foi uma falha, eu diria, grotesca. Hoje, sabemos das suspeitas de corrupção. Tudo muito triste", comentou. Para ele, o caso deixará lições, principalmente em relação ao desenho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O papel do FGC no caso Master
Segundo Fraga, as garantias do FGC permitiram ao banco de Daniel Vorcaro captar recursos a custo baixo. Com a quebra da instituição, isso causou prejuízos enormes a grandes bancos. "Então, acho que este é um tema que terá que ser revisto", disse, referindo-se ao fundo garantidor.
A proposta de um novo modelo de regulação
O economista, sócio-fundador da Gávea Investimentos, defendeu a consolidação das agências de regulação financeira em um modelo baseado em objetivos, conhecido como twin peaks. Em vez de uma agência para bancos, outra para seguros e outra para o mercado de capitais, o sistema seria unificado em duas autoridades independentes: uma prudencial, para monitorar a saúde financeira e mitigar o risco sistêmico; outra de conduta, para fiscalizar o comportamento das instituições.
"Não sei se isso seria tão complicado... Não teria muito medo, não. Vai ser caótico do mesmo jeito, mas talvez permita, ao longo do tempo, uma regulação mais clara e, portanto, mais fácil de acompanhar e monitorar", declarou.
O que isso significa para o seu planejamento financeiro
Para quem planeja a aposentadoria e o futuro da família, a discussão sobre regulação e garantias do FGC toca diretamente na segurança dos investimentos. A revisão do fundo pode afetar a proteção de depósitos, e a proposta de unificar agências pode tornar a fiscalização mais clara. Acompanhar essas mudanças ajuda a tomar decisões mais conscientes sobre onde alocar a poupança de longo prazo.
Armínio Fraga e a história da regulação no Brasil
Fraga lembrou que, em 2002, já entendia que a Secretaria de Previdência Complementar, criada para regular a previdência privada fechada, poderia trabalhar junto com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele defendeu que a regulação é necessária para proteger a saúde dos mercados, mas precisa ser flexível para não inibir a inovação. "Se não houver certo cuidado, ela também pode abafar a criatividade e o ímpeto característico dos mercados", pontuou.
Perguntas Frequentes
O caso Master foi uma falha de regulação ou de aplicação?
Armínio Fraga afirmou que foi uma falha de aplicação da regulação, classificada por ele como "grotesca".
O que é o modelo twin peaks?
É um modelo de regulação financeira que divide a supervisão em duas autoridades: uma prudencial e outra de conduta.
O que o FGC tem a ver com o caso Master?
As garantias do FGC permitiram ao banco Master captar recursos a custo baixo, e a quebra da instituição causou prejuízos a grandes bancos, levando Fraga a defender a revisão do fundo.
Quem é Daniel Vorcaro?
Daniel Vorcaro é o nome citado por Armínio Fraga como controlador do banco Master, que se beneficiou das garantias do FGC.
Como isso afeta quem investe em CDB?
A revisão do FGC pode mudar as regras de garantia dos depósitos, o que impacta a segurança dos investimentos em renda fixa, como CDBs.
