A EMS colocou o México no topo da lista para sua próxima aquisição internacional. A farmacêutica brasileira busca uma empresa de até US$ 100 milhões no país para acelerar sua entrada no mercado mexicano de medicamentos de prescrição em 2027.
A prospecção já está em campo. Há cerca de dois meses, um executivo da companhia se mudou para o país com a missão de mapear potenciais alvos e conversar com empresas e boutiques de M&A. Em março deste ano, depois de fechar o acordo para comprar a Medley da Sanofi por cerca de R$ 3,2 bilhões, a EMS indicou que México e Leste Europeu estavam no radar para novas aquisições.
No México, a procura é por uma empresa média que possa servir de plataforma para a entrada da EMS no mercado de prescrição. A ideia é evitar começar a operação do zero e ganhar velocidade na expansão. A aquisição, porém, não é condição para o plano. Se não encontrar um ativo que faça sentido, a EMS seguirá organicamente e montará a operação por conta própria.
A preferência por uma compra tem a ver com a experiência acumulada pela companhia em outras geografias. Uma operação já estabelecida pode encurtar o caminho de entrada, desde que o ativo não exija uma reestruturação grande. "Se a empresa estiver muito quadrada, é melhor não adquirir. Mas, se estiver redonda, é uma boa base que acelera bastante a entrada no país", diz Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, ao EXAME Insight.
A EMS não começa do zero no México. O Grupo NC, controlador da farmacêutica, entrou no país no fim de 2022 com a aquisição de três empresas que pertenciam à japonesa Taisho Pharmaceutical: Grupo Imperial, Kosei e Companhia Internacional de Comércio, a KSK. O movimento colocou o grupo brasileiro no mercado mexicano de medicamentos isentos de prescrição. O próximo passo é avançar sobre medicamentos de prescrição.
Há até uma questão de identidade a ser resolvida. A companhia não poderá usar a marca EMS no México por causa de um conflito de marca. O grupo avalia qual nome de seu portfólio levará para a nova operação e pretende bater o martelo até o fim deste ano.
O movimento internacional acontece enquanto a EMS se prepara para incorporar a Medley, sua maior aquisição recente no Brasil. O negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A expectativa da EMS é ter uma decisão no último trimestre deste ano e, em caso de sinal verde, concluir a transação até o fim de 2026.
Mesmo com o desembolso pela Medley, a companhia não pretende buscar capital no mercado nem aumentar a dívida especificamente para financiar a compra. Os recursos sairão do caixa acumulado pela própria operação.
É justamente essa capacidade financeira que permite à EMS discutir a próxima aquisição antes mesmo de concluir a atual. A farmacêutica espera faturar cerca de R$ 13 bilhões neste ano, com crescimento entre 22% e 25%. Para 2027, a companhia trabalha com uma expansão de aproximadamente 20% na operação atual, antes de colocar a Medley na conta.
O México é prioridade, mas não é a única geografia onde há cheques sendo estudados. No Leste Europeu, a EMS está disposta a analisar aquisições de até 100 milhões de euros. A diferença é que, por lá, a companhia já dispõe de uma plataforma estabelecida para crescer.
A história começou em 2017, com a aquisição da Galenika, na Sérvia, por € 46,5 milhões. O negócio deu à farmacêutica brasileira uma base para avançar pelos Bálcãs e outros mercados da região.
A expansão continuou nos anos seguintes. Em 2023, a Galenika comprou por mais de R$ 50 milhões a sérvio-eslovena Lifemedic, distribuidora com atuação em mercados como Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia do Norte e Montenegro. Agora, novas aquisições na região voltaram à mesa, mas a Rússia, em guerra, não faz parte do mapa de expansão.
Se aparecerem oportunidades simultaneamente nas duas regiões, porém, o capital tem endereço preferencial. "Hoje, a nossa prioridade de aquisição é México", diz Sanchez.