A CSN (CSNA3) terá uma troca de comando após 24 anos. Benjamin Steinbruch deixará a cadeira de CEO, e Fabio Schvartsman foi eleito para o cargo, conforme documento enviado ao mercado nesta quarta-feira (2). Steinbruch não se afasta totalmente: ele assume a presidência do conselho de administração.
Schvartsman é conhecido no setor de mineração. Ele presidiu a Vale (VALE3) entre 2017 e 2019, deixando o cargo após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). Também é engenheiro de produção pela Poli-USP e ex-presidente da Klabin (KLBN11), com mais de quatro décadas em grandes empresas, incluindo passagens por Duratex, Grupo Ultra, Telemar e San Antonio Internacional.
A mudança ocorre em um momento de reestruturação financeira. Steinbruch disse ao NeoFeed que Schvartsman "vem com a missão de desalavancar a CSN, dentro do que for possível". A declaração reflete o objetivo de reduzir a dívida de forma significativa, sem arcar com uma "carga de juros absurda e desnecessária", nas palavras do executivo.
O plano já está em curso. A CSN negocia a venda de uma fatia da CSN Cimentos, e Steinbruch deve escolher ainda nesta semana quem terá exclusividade na compra. A disputa envolve a chinesa Huaxin e o Grupo Votorantim, em parceria com a italiana Cimentir. A operação é avaliada em cerca de R$ 12 bilhões, abaixo dos R$ 15 bilhões que a gestão mirava.
O tamanho do negócio tem relevância diante do passivo. A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com dívida líquida próxima de R$ 40,5 bilhões. Uma venda na faixa de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões representaria um alívio considerável.
A gestão não pretende parar no cimento. Steinbruch afirmou ao NeoFeed que, depois dessa operação, a ideia é trabalhar em participações minoritárias em infraestrutura e energia, vender unidades independentes no exterior e, posteriormente, buscar parceiro para a siderurgia, com foco em inovação e tecnologia.
Para nós, que acompanhamos o horizonte de longo prazo das companhias, a troca sinaliza prioridade clara: reduzir alavancagem antes de expandir. O primeiro passo concreto já está na mesa, com a venda do braço de cimentos. Resta observar como o novo CEO conduzirá o processo e quais ativos virão na sequência.