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Mercado de fertilizantes vive ano mais atípico da história, segundo Keytrade

ResumoO mercado brasileiro de fertilizantes, segundo a Keytrade, vive o ano mais atípico da história. Entregas de NPK devem cair 15%, com riscos geopolíticos, climáticos e de crédito elevando a imprevisibilidade do setor.

O mercado brasileiro de fertilizantes enfrenta o ano mais atípico e desafiador de sua história, na avaliação da Keytrade. Entregas de NPK devem cair 15%, com riscos geopolíticos, climáticos e de crédito elevando a imprevisibilidade.

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Alcolumbre sobre Lula: diálogo restabelecido, sem passado
Foto: Viva Capital · Alcolumbre sobre Lula: diálogo restabelecido, sem passado · 24 jul 2026

O mercado brasileiro de fertilizantes atravessa aquele que pode ser o ano mais atípico e desafiador de sua história, na avaliação da Keytrade, uma das principais tradings globais do setor. Em reunião com analistas do Bank of America (BofA), a companhia afirmou que a combinação de tensões geopolíticas, restrição ao crédito, relações de troca desfavoráveis e incertezas climáticas tornou o planejamento da cadeia de suprimentos excepcionalmente difícil em 2026.

A expectativa é de que as entregas de fertilizantes NPK no Brasil recuem cerca de 15% em relação ao ano passado, passando de 50 milhões para 42,5 milhões de toneladas. A queda deve ser puxada principalmente pelos fertilizantes nitrogenados e fosfatados, enquanto o consumo de potássio tende a registrar leve crescimento. Os números das importações já refletem esse cenário. Entre janeiro e junho, as compras externas de fertilizantes nitrogenados caíram 15% na comparação anual, enquanto as de fosfatados recuaram 6%. Em contrapartida, as importações de potássio cresceram 5%.

Por que 2026 é o ano mais atípico para fertilizantes no Brasil?

A Keytrade aponta que o principal motor dessa atipicidade é a convergência de fatores que historicamente nunca ocorreram juntos. Tensões geopolíticas globais, especialmente relacionadas a rotas de fornecimento de nitrogênio e fósforo, se somam a um aperto no crédito rural e a um cenário climático adverso com o El Niño. Para quem vive o dia a dia no campo, isso significa que planejar a compra de insumos virou um exercício de alta imprevisibilidade.

Eu vejo esse movimento como um alerta direto para quem depende da safra para pagar contas. Não se trata apenas de preço alto, mas de disponibilidade real do produto. A cadeia de suprimentos está mais frágil do que nunca, e qualquer atraso pode comprometer a janela de plantio.

O que mudou nas importações de fertilizantes?

Os dados de importação mostram claramente a mudança de perfil. Enquanto nitrogênio e fósforo encolheram, o potássio ganhou espaço. Entre janeiro e junho, as compras de potássio cresceram 5%, sinal de que os produtores estão priorizando esse nutriente diante da relação de troca mais favorável. Já os nitrogenados caíram 15% e os fosfatados, 6%.

O BofA destaca que a queda superior a 40% nos preços da ureia desde abril devolveu competitividade às compras de fertilizantes nitrogenados pelos produtores brasileiros. Com a commodity negociada novamente próxima de US$ 400 por tonelada, a relação de troca para o milho voltou a ser favorável, reduzindo em cerca de 7% os custos estimados da safrinha 2026/27 em comparação com as projeções de março.

Risco de desabastecimento: o que a Keytrade alerta?

Mesmo com a ureia mais barata, a Keytrade avalia que o principal risco agora é a disponibilidade do produto. O Brasil ainda precisará importar cerca de 4 milhões de toneladas de ureia até o fim do ano para abastecer as lavouras de algodão e da segunda safra de milho. Além disso, a oferta de sulfato de amônio pode ser limitada pelas novas cotas de exportação impostas pela China, aumentando as incertezas sobre o abastecimento.

Se o nitrogênio ficou mais barato, o mesmo não aconteceu com os fertilizantes fosfatados. Os preços permanecem elevados devido aos altos custos do enxofre, acumulando alta de cerca de 40% no ano e chegando próximo de US$ 890 por tonelada no mercado brasileiro. Segundo a Keytrade, esse cenário deteriorou a relação de troca para os produtores de soja, reduzindo o ritmo das compras. Até agora, apenas 76% da demanda por fertilizantes da safra foi contratada, abaixo dos 82% registrados no mesmo período de 2025. Na avaliação da companhia, parte das aquisições pode ficar para setembro, caso os produtores decidam comprar.

Como o El Niño e o crédito apertado afetam o produtor?

Além da questão dos fertilizantes, a Keytrade chama atenção para outros dois fatores que aumentam a pressão sobre o setor. O primeiro é o risco de um clima mais seco no Centro-Oeste brasileiro durante o segundo semestre em razão do El Niño, o que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de soja e da segunda safra de milho. O segundo é o aperto nas condições de financiamento. Segundo a empresa, a oferta de crédito para o agronegócio caiu cerca de 35% em relação ao ano anterior, com bancos, tradings de grãos e fornecedores de insumos reduzindo a concessão de recursos diante do aumento da inadimplência.

Esse cenário tem afetado principalmente os pequenos produtores, que vêm adiando a compra de insumos para os momentos finais da janela de plantio, aumentando ainda mais a imprevisibilidade do mercado de fertilizantes em 2026. Na minha avaliação, esse é o ponto mais crítico: o pequeno produtor, sem acesso a crédito e com margens apertadas, fica refém de decisões de última hora, o que eleva o risco de quebra de safra.

O que o produtor pode esperar para o segundo semestre?

A Keytrade não projeta uma melhora significativa para o curto prazo. A combinação de preços ainda elevados para fosfatados, incerteza sobre a oferta de ureia e sulfato de amônio, clima seco no Centro-Oeste e crédito escasso deve manter o mercado sob pressão até o fim do ano. Quem precisa comprar insumos para a safra 2026/27 terá que planejar com antecedência e, se possível, diversificar fornecedores.

Como se preparar diante desse cenário?

Eu recomendo que o produtor priorize a contratação de fertilizantes nitrogenados agora, enquanto a ureia está mais barata, e avalie com cuidado as opções de crédito disponíveis antes que as janelas de plantio se fechem. A diversificação de fontes de potássio também pode ser uma estratégia, já que as importações desse nutriente estão crescendo.

como o El Niño afeta a safra de soja

Perguntas Frequentes

O que é NPK?

NPK é a sigla para nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), os três nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas. Fertilizantes NPK combinam esses elementos em diferentes proporções.

Por que a ureia caiu 40%?

A queda superior a 40% nos preços da ureia desde abril se deve a uma combinação de excesso de oferta global e redução da demanda em alguns mercados, segundo o BofA. Isso tornou as compras de nitrogenados mais competitivas para o Brasil.

O que é El Niño e como afeta o Centro-Oeste?

El Niño é um fenômeno climático que aquece as águas do Pacífico Equatorial. No Centro-Oeste brasileiro, ele tende a reduzir as chuvas no segundo semestre, o que pode comprometer o desenvolvimento de lavouras como soja e milho safrinha.

Qual o impacto da queda de 35% no crédito rural?

A redução de 35% na oferta de crédito para o agronegócio, apontada pela Keytrade, significa que menos recursos estão disponíveis para financiar a compra de insumos. Isso afeta especialmente pequenos produtores, que dependem de financiamento bancário ou de tradings.

Como a China afeta o mercado de fertilizantes?

A China impôs novas cotas de exportação para sulfato de amônio, o que pode limitar a oferta desse fertilizante no Brasil. Como o país é um dos maiores produtores mundiais, qualquer restrição impacta diretamente a disponibilidade global.

dicas de planejamento financeiro para o produtor rural

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Thiago Vasques · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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