O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado nesta sexta-feira (11) registrou deflação de 0,32%. Para Laís Costa, analista da Empiricus Research, o resultado foi positivo para a inflação e para a política monetária. Em entrevista ao Giro do Mercado, do Money Times, ela afirmou que o dado "reforça o nosso call que a Selic vai continuar caindo".
Eu acompanho renda fixa há tempo suficiente para saber que o investidor conservador não precisa entender cada vírgula do IPCA. Precisa entender o que ele faz com o juro. E a leitura de Costa é direta: o IPCA traz a parte técnica para o Banco Central, que pode ver "um espaço técnico para continuar cortando os juros, independente de uma transição de governo ou não em outubro".
O que puxou o índice para baixo
Depois da Habitação, com queda de 1,87%, os principais recuos de agosto foram Transportes, com -0,86%, e Alimentação e bebidas, com -0,34%. A analista espera que a linha de Transportes e gasolina continue vindo para baixo.
Para Alimentação, Costa enxerga que o "tempo maluco" provocado pelo El Niño pode refletir em inflação para a categoria no ano que vem. Ainda assim, ela diz que esses fatores não são nenhum "alerta": "Eu acho que tem pouca coisa para ser revisada da inflação desse ano e do ano que vem. Provavelmente, o Relatório Focus de segunda-feira (14) vai trazer algum tipo de revisão, muito por causa da gasolina".
Por que isso importa para quem investe
Renda fixa não é sem graça, é sem susto. Se a Selic cai, o CDB que hoje paga 100% do CDI tende a render menos na próxima rolagem. Quem tem LCI com prazo mais longo trava a taxa atual. Quem precisa de liquidez diária sente a queda mais rápido. Entender o juro é metade do investimento.
Um exemplo concreto: R$ 10 mil em um CDB de 100% do CDI com liquidez diária rendem menos a cada corte da Selic. O mesmo valor em uma LCI de 12 meses tende a preservar a taxa contratada no momento da aplicação. A escolha depende do seu objetivo, não do humor do mercado.
como a Selic afeta o CDB
O que esperar
A leitura da analista é otimista para quem tem prazos mais longos e perfil conservador. Para quem depende de resgate no curto prazo, o cenário pede atenção redobrada. O Relatório Focus de segunda-feira (14) deve trazer revisões, sobretudo por causa da gasolina.
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