A Americanas (AMER3) espera encerrar a recuperação judicial, iniciada em 2023, ainda em 2026. O pedido de saída foi protocolado no fim de março deste ano e aguarda decisão judicial. Em entrevista ao Money Times, o CEO Fernando Soares e o CFO Sebastien Durchon afirmaram que a empresa já opera como se o processo fosse página virada.
"Seria uma confirmação do que vem acontecendo na empresa. Para nós a recuperação judicial, eu diria, já é página virada. Assim, se você for falar com associados nossos, duvido que alguém fale de recuperação judicial. Isso não impacta muito, quase nada no dia a dia da companhia", afirma Durchon.
A companhia trabalha na transformação do modelo de negócios, reduzindo o antigo formato de 1P (estoque próprio) e 3P (marketplace) e priorizando parcerias estratégicas, como a firmada com o Magazine Luiza, além da integração entre lojas físicas e digital. Com cerca de 50 milhões de clientes mensais, a loja física passou a funcionar como hub logístico e comercial para o cliente digital.
"Se você voltar no tempo, em 2022 eram duas companhias: uma companhia muito forte de e-commerce, inclusive maior, com 54% da companhia no e-commerce e o restante em lojas físicas. Hoje é uma companhia 96% loja física. Então, o que foi transformado foi que a gente optou por fortalecer a operação online to offline e usar a nossa loja como centro", diz o CEO.
O segundo trimestre teve impacto da Copa do Mundo, avaliado como agridoce pelos executivos. Os jogos reduziram o fluxo nas lojas, especialmente em shoppings, mas impulsionaram categorias como snacks, bebidas e figurinhas. Apenas com figurinhas, a Americanas vendeu cerca de R$ 84 milhões.
"O segundo trimestre veio muito forte nos meses de maio e junho. Quando você olha o primeiro trimestre com abril, a gente estava numa taxa de crescimento de mais ou menos 7%. Quando vieram maio e junho, a gente consolidou o semestre com 9%. Então, o trimestre foi, sim, ajudado pela Copa", disse o CEO.
A penetração do digital chegou a cerca de 30% nos produtos relacionados à Copa, contra 8% a 9% na Páscoa. A administração considera 2026 um ano de estabilização do caixa e consolidação da transformação. A companhia já olha para inteligência artificial, dados e novos formatos de lojas, mas a expansão segue seletiva.
"Temos inaugurado loja, acho que inauguramos se não estou enganado 5 ou 6 esse ano. Além das reinaugurações. E por que ainda não é um pilar como plano de expansão? Porque ainda tem muito trabalho a ser feito nas nossas lojas [existentes]", diz Soares.
A empresa vem reduzindo o tamanho de algumas unidades, transformando lojas de dois andares em operações de um único piso. Também voltou a ser procurada para atuar como âncora de novos shoppings, como em Aracaju, mas avalia cada oportunidade com cautela.
No segundo trimestre, a Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 274 milhões, ante R$ 98 milhões no mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado foi de R$ 145 milhões, 51,5% menor que os R$ 299 milhões de um ano antes. A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões, recuo de 1,7%, e as vendas em mesmas lojas caíram 0,6%.
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