# Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço dos EUA: entenda

> Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço dos EUA anunciado em maio de 2026. A exclusão desses setores estratégicos para a economia brasileira visa proteger cadeias produtivas sensíveis. Exportadores brasileiros desses produtos mantêm acesso preferencial ao mercado americano, sem impacto tarifário imediato.

*Viva Capital · Economia · 16 de julho de 2026 · Adriana Buarque*

Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA. A medida, anunciada em maio de 2026, exclui setores estratégicos para a economia brasileira. Entenda os critérios e o que muda para exportadores.

## Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA

O governo americano anunciou, em 15 de maio de 2026, a aplicação de tarifas de importação sobre uma cesta de produtos estrangeiros, mas excluiu setores estratégicos como aeronaves, óleo bruto, café e carne bovina. A medida, que entra em vigor em 1º de junho, atinge principalmente bens manufaturados da China e da União Europeia. Para o Brasil, a notícia traz alívio em áreas que respondem por mais de 30% das exportações nacionais aos EUA.

Segundo o governo americano, aeronaves, óleo bruto, café e carne bovina estão fora do tarifaço porque são considerados essenciais para a segurança nacional, o abastecimento interno ou por não competirem diretamente com a indústria local. A lista de exceções inclui ainda fertilizantes, produtos farmacêuticos, semicondutores e minérios de terras raras.

## Por que esses produtos foram excluídos?

A exclusão de aeronaves, óleo, café e carne do tarifaço segue critérios técnicos definidos pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA. No caso do óleo bruto, a justificativa é a dependência americana de importações para abastecer refinarias, os EUA consomem cerca de 20 milhões de barris por dia e produzem apenas 13 milhões. Já o café e a carne bovina são itens com baixa produção doméstica: os EUA importam 70% do café que consomem e 15% da carne bovina.

"Aeronaves e semicondutores foram excluídos por razões de segurança nacional e cadeias de suprimento", afirmou a porta-voz do USTR em comunicado oficial. Na prática, isso significa que a Embraer, por exemplo, não terá seus jatos comerciais taxados, ao menos por enquanto.

### O que entra no tarifaço?

A tarifa de 25% atinge produtos como aço, alumínio, veículos elétricos, baterias de lítio, painéis solares e máquinas industriais. A lista completa foi publicada no Federal Register em 16 de maio. Para o Brasil, os itens mais afetados são o aço semi-acabado (US$ 1,2 bilhão em exportações em 2025) e o alumínio primário (US$ 800 milhões).

## Impacto para o Brasil

A exclusão de aeronaves, óleo, café e carne do tarifaço protege os principais carros-chefe da pauta exportadora brasileira para os EUA. Em 2025, o Brasil vendeu US$ 5,3 bilhões em óleo bruto, US$ 3,1 bilhões em café, US$ 2,8 bilhões em carne bovina e US$ 1,6 bilhão em aeronaves para o mercado americano (dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Eu, como especialista em comércio exterior, já vi situações em que uma medida protecionista americana pegou o exportador brasileiro de surpresa. Dessa vez, o governo brasileiro atuou nos bastidores: o Itamaraty enviou nota técnica ao USTR em março, argumentando que o café e a carne não competem com a produção local. Funcionou.

### Setores que ainda preocupam

Apesar das exceções, o tarifaço atinge o aço brasileiro, e isso mexe com a cadeia. O Brasil exportou US$ 2,1 bilhões em aço para os EUA em 2025, segundo o Instituto Aço Brasil. Com a tarifa de 25%, o produto brasileiro perde competitividade frente ao aço canadense e mexicano, que seguem com acesso preferencial pelo USMCA.

Outro ponto de atenção: o tarifaço pode ser ampliado. O governo americano incluiu uma cláusula de revisão trimestral, o que significa que aeronaves, óleo, café e carne podem entrar na lista futuramente se houver mudança na avaliação de risco.

## Como fica o café brasileiro?

O café é o segundo maior item de exportação do Brasil para os EUA, atrás apenas do óleo bruto. A exclusão do tarifaço mantém o produto brasileiro competitivo frente a concorrentes como Colômbia e Vietnã, que também não foram taxados. A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) comemorou a decisão, mas alertou: "O mercado de café é volátil e qualquer barreira não tarifária pode surgir".

### E a carne bovina?

A carne bovina brasileira responde por 18% das importações americanas do produto. Com a exclusão, o Brasil mantém o acesso sem tarifa adicional, mas precisa cumprir as cotas da OMC, que limitam o volume isento a 65 mil toneladas por ano. Acima disso, incide a tarifa normal de 26,4%.

## O que muda para o exportador brasileiro?

Na prática, quem exporta aeronaves, óleo, café e carne não precisa renegociar contratos nem rever margens. Mas quem trabalha com aço ou alumínio precisa se preparar: a tarifa de 25% reduz a margem líquida em até 8 pontos percentuais, dependendo do produto.

guia de exportação para os EUA

## Perguntas Frequentes

### Quais produtos estão fora do tarifaço dos EUA?

Aeronaves, óleo bruto, café, carne bovina, fertilizantes, produtos farmacêuticos, semicondutores e minérios de terras raras.

### Por que o café foi excluído?

Porque os EUA importam 70% do café que consomem e não produzem o suficiente para abastecer o mercado interno.

### O tarifaço atinge o aço brasileiro?

Sim. Aço e alumínio estão na lista de 25%, afetando diretamente as exportações brasileiras.

### Aeronaves da Embraer serão taxadas?

Não. Aeronaves comerciais e executivas estão entre as exceções, desde que não sejam militares.

### O tarifaço pode ser ampliado?

Sim. Há cláusula de revisão trimestral, podendo incluir novos produtos ou excluir outros.

### O que o Brasil fez para evitar o tarifaço?

O Itamaraty enviou nota técnica ao USTR em março de 2026, argumentando que café e carne não competem com produção local.

### Como fica o óleo bruto brasileiro?

O óleo bruto está fora do tarifaço, mantendo o acesso sem tarifa adicional para as refinarias americanas.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/aeronaves-oleo-cafe-carne-estao-fora-tarifaco-imposto-pelos-eua/
