# Aegon alerta para risco subestimado antes da decisão do Fed, e ele passa pelo Brasil

> Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, alerta que o risco de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) supera o de corte, impactando crédito global e ativos brasileiros. O real, valorizado 18% desde o fim de 2024, mostra vulnerabilidade a choques externos. A decisão do Fed afeta diretamente o Brasil.

*Viva Capital · Economia · 29 de julho de 2026 · Adriana Buarque*

Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, alerta que o risco de alta de juros pelo Fed é maior que o de corte, com impacto direto sobre o crédito global e ativos brasileiros. O real, que se valorizou 18% desde o fim de 2024, está vulnerável a choques ex

## Aegon alerta: risco de alta de juros pelo Fed é maior que o de corte

O Federal Reserve (Fed) pode voltar a elevar os juros caso a inflação pressione a economia, alerta Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, gestora de US$ 340 bilhões. O risco subestimado antes da decisão do Fed passa pelo Brasil, com impacto direto sobre o crédito privado e o real.

"Hoje, o risco de corte de juros é menor do que o de voltar a elevá-los. O mercado futuro atualmente precifica duas altas de juros até a primavera de 2027", diz Rybinski em entrevista exclusiva ao EXAME Insight.

## Cenário de juros americanos e impacto no Brasil

A taxa básica de juros dos Estados Unidos está na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano desde dezembro de 2025, após um corte de 0,25 ponto percentual. Desde então, o banco central americano manteve os juros inalterados.

Para Rybinski, o ideal é que os juros permaneçam em um "ponto de equilíbrio": suficientemente altos para desestimular concessões de crédito arriscadas, mas baixos o bastante para atender às necessidades de financiamento de empresas lucrativas.

## Crédito privado: expansão e riscos

O crédito privado voltou a ganhar espaço nas carteiras de investidores institucionais, com ativos sob gestão saltando de US$ 158 bilhões em 2010 para quase US$ 2 trilhões em 2024. "Os juros mais altos abriram essa porta, mas a verdadeira história é que o crédito privado amadureceu", diz Rybinski.

Apesar da expansão, o ciclo de juros elevados aumentou a pressão sobre empresas de médio porte altamente alavancadas. Segundo a S&P, o default rate do crédito privado era de 0,5% no acumulado de 12 meses até o primeiro trimestre de 2024, abaixo dos cerca de 2% observados em outros setores.

## Safras de operações mais fracas

Rybinski alerta que a principal questão é saber se estamos diante de um adiamento no reconhecimento das perdas. A preocupação é com safras de operações como Leveraged Buyout (LBO), com grande proporção de dinheiro emprestado.

"As operações realizadas em 2021 e 2022 formam uma safra mais fraca, e já vimos refinanciamentos bastante desafiadores nesse grupo", explica. A Aegon evita fazer negócio com empresas que dependem de refinanciamento constante.

## Real valorizado e vulnerável a choques

Desde o início de 2025, o real passou de um dos piores desempenhos entre moedas emergentes para uma das mais valorizadas. Em julho de 2026, o dólar era negociado próximo de R$ 5,10, contra níveis superiores a R$ 6,20 no fim de 2024, valorização de aproximadamente 18%.

"O real teve um desempenho muito forte nos últimos meses e dificilmente continuará se valorizando nesse ritmo", alerta Rybinski. Ele sugere migrar parte dos investimentos locais para ativos denominados em dólar ou outras moedas fortes.

## Estratégia para investidores

"O principal motivo para investir fora do Brasil seria a expectativa de um cenário de maior aversão ao risco, que provavelmente levaria a uma forte desvalorização do real", diz Rybinski. Investir em crédito global é uma forma de construir um portfólio mais equilibrado e resiliente.

## Perguntas Frequentes

### Qual é o principal risco apontado pela Aegon?

O risco de o Federal Reserve voltar a elevar os juros, com impacto sobre crédito global e ativos brasileiros.

### Como o crédito privado tem se comportado?

Os ativos sob gestão saltaram de US$ 158 bilhões em 2010 para quase US$ 2 trilhões em 2024, com default rate de 0,5%.

### Qual a recomendação para investidores no Brasil?

Migrar parte dos investimentos para ativos em dólar ou moedas fortes, diante da vulnerabilidade do real.

### O que é uma safra de operações mais fraca?

Operações de LBO realizadas em 2021 e 2022, com alto endividamento e desafios de refinanciamento.

### Qual a valorização recente do real?

O real se valorizou aproximadamente 18% desde o fim de 2024, com dólar em R$ 5,10 em julho de 2026.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/aegon-alerta-risco-subestimado-antes-decisao-fed-ele-passa-pelo-brasil/
