A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avaliou, em nota, que a ampliação temporária da cota para importação de carne bovina magra pelos Estados Unidos pode abrir uma oportunidade comercial para o Brasil, embora o país não seja o único fornecedor potencialmente beneficiado pela medida.
A entidade ponderou que o impacto sobre as margens da indústria tende a ser limitado. Isso porque a decisão prevê que a carne importada seja comercializada nos EUA com desconto de 25% em relação aos preços atuais. "A própria decisão estabelece que os produtos sejam comercializados no mercado americano a preços 25% inferiores aos praticados atualmente, o que limita ganhos imediatos de margem para a indústria", afirmou a Abiec.
A medida foi anunciada na quarta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assinou proclamação ampliando temporariamente a quantidade de cortes magros de carne bovina (lean beef trimmings) que pode ser importada sem tarifa extra fora da cota. A ampliação valerá por 90 dias, a partir de 1º de setembro, e permitirá a entrada de até 100 mil toneladas por mês. Segundo a Casa Branca, o objetivo é elevar a oferta e reduzir os preços da carne moída aos consumidores americanos. A medida é restrita a cortes magros destinados à mistura com carne bovina produzida nos EUA para fabricação de carne moída.
Para a Abiec, a abertura adicional do mercado americano não deve ser interpretada como substituição da China como destino da carne brasileira. "A medida não substitui o mercado chinês, uma vez que China e Estados Unidos demandam produtos com características e perfis distintos", disse a associação. Na avaliação da entidade, os dois mercados são "complementares dentro da estratégia de diversificação das exportações brasileiras".
A decisão ocorre em um momento de menor disponibilidade de carne bovina nos Estados Unidos. O rebanho americano vem sendo afetado por fatores como restrições à importação de animais vivos do México, seca em regiões pecuárias e menor disponibilidade de pastagens por causa de incêndios florestais. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a produção de carne bovina americana em 2026 ficará cerca de 4% abaixo da registrada em 2025, pressionando a oferta e os preços domésticos. A proclamação não altera compromissos comerciais com países que possuem acordos de livre comércio com os EUA e não se aplica a países que já contam com cotas específicas para exportação de carne ao mercado americano.
A Abiec afirmou que continuará acompanhando a implementação da medida e que o setor trabalhará para adequar a produção à demanda americana, de modo a aproveitar as oportunidades comerciais que possam surgir.