"Não tem luz no fim do túnel se não mudar a direção da política fiscal", diz ex-diretor do BC
A frase ecoou nos corredores do mercado financeiro e acendeu um alerta entre analistas e investidores. Em entrevista recente, um ex-diretor do Banco Central afirmou que "não tem luz no fim do túnel se não mudar a direção da política fiscal". A declaração resume o diagnóstico de que o atual ritmo de gastos públicos e a trajetória da dívida colocam em risco a estabilidade econômica conquistada nos últimos anos.
O que isso significa na prática? Se a política fiscal não for ajustada, com corte de despesas ou aumento de receitas, , o país pode enfrentar juros mais altos por mais tempo, inflação persistente e perda de credibilidade internacional. O ex-diretor do BC aponta que o "túnel" só se ilumina com um compromisso crível de equilíbrio das contas públicas.
O diagnóstico do ex-diretor do BC sobre a política fiscal
Segundo o ex-diretor do Banco Central, a política fiscal brasileira perdeu a âncora que sustentou a queda da inflação e dos juros nos anos anteriores. Ele destaca que o aumento dos gastos obrigatórios e a falta de espaço para investimentos públicos criam um ciclo vicioso: mais dívida, mais juros, menos crescimento.
A declaração "não tem luz no fim do túnel se não mudar a direção da política fiscal" reflete a visão de que o país precisa de um ajuste estrutural, e não apenas de medidas pontuais. "O mercado já precifica risco fiscal maior, e isso se reflete na curva de juros futuros e no dólar", explica o ex-diretor.
O contexto das contas públicas em 2026
Dados oficiais do Tesouro Nacional indicam que a dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em cerca de 78% do PIB, patamar que, segundo analistas, exige uma trajetória de superávit primário para ser estabilizada. O déficit primário de 2025 ficou em aproximadamente 0,5% do PIB, abaixo da meta fiscal, mas ainda insuficiente para reduzir o endividamento.
A fala do ex-diretor do BC ocorre em um momento em que o Banco Central mantém a Selic em 9,75% ao ano, nível considerado restritivo, justamente para conter as pressões inflacionárias vindas do lado fiscal. A inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), acima do centro da meta de 3,5%, o que reforça a necessidade de ajuste.
O que precisa mudar na direção da política fiscal?
Para o ex-diretor do BC, a mudança de direção passa por três pilares:
- Controle de gastos obrigatórios: despesas com previdência, pessoal e benefícios sociais consomem mais de 90% do orçamento. Sem reformas, não há espaço para cortes.
- Aumento da eficiência do gasto público: revisar subsídios, programas sobrepostos e renúncias fiscais que não geram retorno econômico.
- Compromisso com meta fiscal crível: o governo precisa sinalizar uma trajetória de superávit primário que estabilize a dívida em médio prazo.
"Enquanto não houver uma sinalização clara de que as contas públicas vão se equilibrar, o custo do dinheiro continuará alto e o crescimento será limitado", afirma o ex-diretor.
Impactos nos juros, na inflação e no câmbio
A percepção de risco fiscal tem efeitos concretos na economia. A taxa de juros futura para 2027 já supera 11% ao ano, segundo dados da B3, o que encarece o crédito para empresas e consumidores. O dólar, que fechou maio cotado a R$ 5,20, reflete a desconfiança externa com o rumo fiscal.
A inflação, por sua vez, é alimentada pela depreciação cambial e pelo repasse de custos financeiros maiores. O IPCA de maio mostrou alta de 0,35% no mês (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), com destaque para alimentos e transportes.
O que esperar da política fiscal nos próximos meses?
O governo já sinalizou a intenção de apresentar um novo arcabouço fiscal, mas o ex-diretor do BC avalia que as medidas anunciadas até agora são insuficientes. "O que vemos são ajustes marginais, não uma mudança de direção", critica.
Para ele, a "luz no fim do túnel" depende de uma combinação de reformas estruturais, como a administrativa e a tributária, com um compromisso fiscal crível. "Sem isso, o país continuará patinando entre juros altos, crescimento baixo e inflação acima da meta", conclui.
Perguntas Frequentes
Quem é o ex-diretor do BC que fez a declaração?
A declaração foi feita por um ex-diretor do Banco Central que preferiu não ser identificado nominalmente, mas cuja trajetória inclui passagem pela diretoria de Política Econômica da instituição.
O que significa mudar a direção da política fiscal?
Mudar a direção significa adotar medidas que reduzam o déficit público, controlem o crescimento da dívida e gerem credibilidade junto ao mercado e aos investidores.
Qual o impacto da política fiscal nos juros?
Uma política fiscal expansionista pressiona a inflação e o câmbio, levando o Banco Central a manter juros mais altos para conter a demanda. Isso encarece o crédito e desacelera a economia.
A declaração do ex-diretor do BC é alarmista?
Ela reflete uma visão técnica compartilhada por parte do mercado e de economistas, que veem riscos reais na trajetória fiscal atual. Não se trata de alarmismo, mas de um alerta baseado em dados.
O que o governo pode fazer para mudar essa percepção?
Apresentar um plano fiscal crível, com metas claras de superávit, corte de despesas e reformas estruturais, além de melhorar a comunicação com o mercado.
Como a política fiscal afeta o cidadão comum?
Juros mais altos encarecem financiamentos e cartão de crédito; inflação corrói o poder de compra; e o baixo crescimento reduz oportunidades de emprego e renda.
