# Copom: corte da Selic e o que esperar da trajetória

> O Copom deve reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% nesta quarta-feira, quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. A atenção do mercado concentra-se na sinalização do Banco Central sobre a trajetória futura dos juros básicos.

*Viva Capital · Economia · 16 de setembro de 2026 · Henrique Salomão*

O Copom deve cortar a Selic de 14% para 13,75% nesta quarta-feira, quinto corte consecutivo de 0,25 ponto. A dúvida do mercado não é o corte, mas o que o Banco Central dirá sobre a trajetória dos juros.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve promover nesta quarta-feira (16) mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa básica de juros dos atuais 14% para 13,75% ao ano. O movimento é praticamente consenso entre os economistas e está amplamente precificado pelo mercado: na semana passada, as Opções de Copom negociadas na B3 apontavam cerca de 95% de probabilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual.

Se confirmado, será o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual promovido pelo Banco Central. Para XP, Itaú e Bank of America, a decisão também deve ser unânime.

A grande questão, portanto, não está exatamente no que o Copom fará nesta quarta-feira, mas no que dirá sobre os próximos passos. Enquanto parte do mercado acredita que o BC encerrará o ciclo de cortes em setembro, algumas instituições enxergam espaço para a Selic continuar caindo ainda neste ano.

## O que sustenta o corte esperado

O pano de fundo doméstico ajuda a explicar o corte esperado. A inflação surpreendeu para baixo em agosto, com o IPCA registrando deflação de 0,32% no mês e desacelerando de 4,44% para 4,22% em 12 meses. Ao mesmo tempo, indicadores de atividade vêm mostrando perda de força.

No exterior, porém, o cenário ficou mais nebuloso. A escalada das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo voltaram a colocar riscos inflacionários no radar, enquanto a política monetária das principais economias segue como fonte de incerteza.

Apesar da melhora no ambiente doméstico, a expectativa é de que o Banco Central não abandone a cautela.

## O que XP, Itaú e BofA esperam do comunicado

A XP acredita que a maior parte do comunicado permanecerá inalterada em relação à reunião de agosto, embora o Comitê possa dar mais destaque às evidências de desaceleração da atividade econômica brasileira.

O Itaú também espera poucas mudanças. Para o banco, o Copom deve continuar classificando o balanço de riscos para a inflação como assimétrico para cima, mantendo uma postura de cautela diante das expectativas de inflação ainda desancoradas e das incertezas externas. A instituição também não espera um forward guidance explícito, ou seja, uma indicação antecipada sobre o que o BC pretende fazer na reunião seguinte. A tendência é que o Comitê mantenha a porta aberta e reforce que os próximos passos dependerão da evolução dos dados.

O BofA vai na mesma direção, mas vê espaço para uma leve suavização do comunicado, especialmente na avaliação da atividade e da inflação subjacente. Para David Beker, chefe de economia e estratégia do banco no Brasil, o corte desta quarta-feira é a parte mais simples da equação. "O corte é a parte fácil; o que importa é a trajetória", afirma.

O banco espera que o Copom mantenha a sinalização de que a magnitude total do ciclo de calibração dependerá das novas informações. Uma retirada dessa indicação seria interpretada pelo BofA como uma surpresa mais dura, ou hawkish, por parte do Banco Central.

## A projeção para 2028 e a divisão sobre o fim do ciclo

Outro número que ganhará atenção na quarta-feira será a projeção de inflação do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. Na reunião anterior, a estimativa estava em 3,2%, ainda acima do centro da meta de inflação, de 3%.

XP e Itaú divergem ligeiramente sobre o que aparecerá no novo comunicado. A XP estima que a projeção suba de 3,2% para 3,3%, principalmente em razão da pressão adicional provocada pelos preços do petróleo. Já o Itaú espera estabilidade em 3,2%. Para o banco, a melhora da inflação corrente e a moderação da atividade ajudam a compensar parte dos riscos presentes no cenário.

A diferença é pequena numericamente, mas pode ajudar a calibrar a leitura do mercado sobre quanto espaço o Banco Central enxerga para continuar reduzindo os juros.

É depois da reunião desta quarta-feira que as projeções começam a se dividir. O consenso do mercado ainda é mais conservador. No Relatório Focus desta segunda-feira (14), a mediana das projeções manteve a Selic em 13,75% no fim de 2026, mesmo nível esperado para depois da decisão de setembro. Na prática, o cenário sugere que o corte desta semana seria o último do ano. Para 2027, o Focus aponta juros de 12%.

XP e BofA, porém, acreditam que o Copom poderá ir além. A XP projeta que a Selic termine 2026 em 13,25%, com a continuidade do ciclo de calibração nos próximos meses. Para 2027, a casa espera juros em 11,50%. Segundo a instituição, a magnitude do ciclo dependerá principalmente da política fiscal após as eleições de outubro e da evolução dos choques globais de oferta.

O BofA também vê a Selic em 13,25% no fim deste ano, mas é ainda mais otimista com a queda dos juros no horizonte mais longo. O banco projeta cortes de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões até dezembro de 2027, quando a taxa chegaria a 11,25%.

Para Beker, o mercado está dando peso excessivo aos riscos eleitorais e inflacionários e atenção insuficiente à desaceleração da atividade e do crédito. Mesmo depois de um corte para 13,75%, segundo seus cálculos, o juro real ex-ante ficaria próximo de 8,7%, bastante acima dos 5% estimados pelo Banco Central para a taxa neutra. Na avaliação do BofA, isso significa que existe espaço para novos cortes sem que a política monetária deixe de ser restritiva.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/8216corte-parte-facil-importa-trajetoria8217-esperar-decisao-copom/
